O presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, tem se mantido em silêncio sobre os desafios de liderança que enfrenta, especialmente após o fracasso de seu plano de vender direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A postura de Infantino ficou evidente quando ele se recusou a responder perguntas sobre sua possível reeleição ao chegar para a Copa do Mundo Feminina Sub-20 na Polônia.
Infantino, que enfrenta contínua pressão e a perspectiva de um processo criminal, foi visto nas arquibancadas conversando com o presidente da federação polonesa de futebol, Cezary Kulesza, enquanto a Polônia, anfitriã, enfrentava a Argentina no dia de abertura do torneio. O evento ocorreu em 5 de setembro de 2026, na Arena Katowice.
Silêncio em Katowice
Ao chegar à Arena Katowice, o dirigente de 56 anos evitou as questões sobre seu futuro à frente do órgão global do futebol. A imprensa o abordou, mas Infantino optou por não se aprofundar no assunto, indicando que o momento não era oportuno para tais discussões.
“Haverá muito a dizer, mas haverá um lugar e um momento certos para dizer isso. Não é hoje, não é aqui, mas aqui e hoje, estamos aproveitando o futebol”, declarou Infantino à emissora britânica Sky News, do lado de fora do local do evento. “Continuamos na FIFA, é claro, a trabalhar para dar a cada canto do mundo uma chance, uma oportunidade, uma dignidade, para encontrar meios e maneiras para eles melhorarem e participarem e celebrarem o futebol, que todos amamos.”
O presidente da FIFA não respondeu quando questionado se havia considerado renunciar ou se ainda pretendia concorrer a um quarto mandato no próximo ano. Sua aparição em Katowice foi uma das poucas em que esteve sob os holofotes nas últimas semanas.

O controverso plano de venda de direitos
Infantino tem se mantido discreto desde que seu plano de venda de direitos da Copa do Mundo desmoronou, em meio à oposição de muitas nações membros da FIFA e de alguns de seus próprios funcionários. As nações europeias, que representam um quarto das 24 equipes do torneio, recuaram de uma ameaça de boicote na semana passada, citando garantias da FIFA de que o plano não seria revivido.
A ação legal sobre a tentativa original de venda de direitos continua, e a Europa desempenha um papel de liderança nos esforços para destituir Infantino antes da eleição da FIFA no próximo ano. Um processo judicial movido pela FIFA em 4 de setembro de 2026 acusou a UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) de conduzir uma “campanha de difamação contra a FIFA e sua liderança”, enquanto o órgão europeu de futebol busca evidências relacionadas ao plano FIFA Forward Enterprise.
Detalhes do plano e oposição
Infantino irritou líderes do futebol mundial em julho de 2026, pouco depois do término da Copa do Mundo, quando seu plano para uma subsidiária de 20 bilhões de dólares (aproximadamente 18,5 bilhões de euros) que controlaria os direitos comerciais da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, foi revelado pelo jornal britânico The Times. A subsidiária seria 20% de propriedade de investidores liderados por um fundo de Nova York criado por Joshua Kushner.
O dinheiro inicial seria usado para oferecer 20 milhões de dólares (cerca de 18,5 milhões de euros) a cada uma das 211 federações membros da FIFA. Foi dado a elas um prazo até meados de setembro para aceitar a proposta. No entanto, o presidente da FIFA retirou sua proposta em apenas quatro dias, diante da forte oposição.
A UEFA contou com o apoio da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e do órgão de futebol da América do Norte, CONCACAF. Além disso, houve críticas ao plano e a Infantino por parte de altos funcionários da própria FIFA, evidenciando a falta de consenso interno e externo em relação à proposta.
O que isso significa para a região
A instabilidade na liderança da FIFA e as disputas internas sobre a comercialização de direitos de grandes eventos como a Copa do Mundo podem ter implicações para o futebol global, incluindo a forma como os recursos são distribuídos e as políticas de desenvolvimento do esporte. Para o Norte Pioneiro do Paraná, embora distante das decisões da cúpula da FIFA, o cenário reflete a complexidade da gestão de grandes organizações e a importância da transparência e do consenso em projetos de grande impacto financeiro. A governança do futebol, como a de qualquer setor, influencia indiretamente a capacidade de investimento em infraestrutura e o acesso a oportunidades, mesmo em níveis regionais.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
