As operações de resgate na fronteira entre Nepal e Tibete foram forçadas a recuar nesta sexta-feira (28 de agosto de 2026) após o transbordamento de um lago de detritos, intensificando o risco de novas inundações na região. O desastre, provocado pelo colapso de uma geleira, já resultou em um balanço alarmante de 474 mortes confirmadas e mais de 1.300 pessoas desaparecidas nos dois países.
Moradores do distrito de Rasuwa, no Nepal, próximo à fronteira com o Tibete, foram vistos correndo para as colinas em busca de segurança, temendo uma possível onda de água do rio. As autoridades nepalesas chegaram a suspender as operações de resgate por pelo menos 90 minutos, conforme relatado por um oficial do exército.
Formação de Lago de Detritos e Risco Iminente
A crise teve início na quarta-feira, quando uma parede de lama e detritos atingiu o centro fronteiriço de Gyirong, no Tibete, desencadeando inundações repentinas catastróficas que devastaram vales e vilarejos. Esse evento resultou na formação de um lago de detritos, que agora representa uma ameaça significativa de novas cheias.
A emissora estatal chinesa CCTV informou que o risco de rompimento do lago levou o pessoal e os veículos de resgate chineses a se retirarem para uma área segura. Na quinta-feira, uma equipe de engenharia de oito membros foi mobilizada pela China para realizar levantamentos aéreos e modelagem 3D do lago. Na sexta-feira, o volume de água no reservatório já havia atingido 2,5 milhões de metros cúbicos, um aumento considerável em relação aos 1,5 a 2 milhões de metros cúbicos estimados no dia anterior.
Os esforços de resgate em Bidur, capital do distrito de Nuwakot, na província de Bagmati, Nepal, foram interrompidos na manhã de sexta-feira, quando o rio Trishuli começou a subir novamente após o transbordamento do lago próximo à fronteira chinesa. Equipes de resgate foram realocadas, e moradores que tentavam retornar às suas casas foram instruídos a evacuar imediatamente.

Balanço de Vítimas e Desaparecidos
O número de mortos confirmados pelas inundações subiu para 469 no Nepal. Mais de 1.300 pessoas estão desaparecidas, incluindo cidadãos nepaleses e estrangeiros. As autoridades chinesas confirmaram cinco mortes até o momento.
- No Nepal: Mais de 500 cidadãos estrangeiros estão entre os 826 desaparecidos, incluindo:
- 177 da Índia
- 90 dos EUA
- 34 da Austrália
- 33 do Reino Unido
- 25 do Canadá
- No Tibete: A mídia estatal chinesa reportou que pelo menos 558 pessoas estão desaparecidas, das quais pelo menos 260 são estrangeiros.
Especialistas alertam que a crise climática pode estar desestabilizando áreas montanhosas como o Nepal, contribuindo para a ocorrência de tais desastres.

Infraestrutura Devastada e Desafios no Resgate
A inundação de quarta-feira destruiu usinas de energia, estradas e pontes ao longo de uma rota popular entre Katmandu e Lhasa, no Tibete, utilizada por trekkers e peregrinos. Bidur, antes uma cidade movimentada às margens do Trishuli, agora está em ruínas, com a maioria das casas arrastadas por uma onda de lama, rochas e detritos.
Sobreviventes relataram ter se agarrado a edifícios e árvores enquanto a água os envolvia. Restos de concreto de um banco, um escritório governamental e um caixa eletrônico foram algumas das poucas estruturas que permaneceram de pé, embora submersas em lama. Oficiais afirmaram que ainda há corpos dentro dos edifícios, mas é muito perigoso recuperá-los.
Muitas áreas atingidas pelas inundações repentinas permanecem acessíveis apenas por helicóptero do exército. No acampamento militar de Bidur, onde grande parte do esforço de resgate está sendo coordenado, helicópteros militares e de resgate voam a cada cinco minutos, transportando dezenas de vítimas traumatizadas. Muitos relataram que as inundações levaram seus entes queridos, suas casas e todos os seus bens em questão de minutos.

Resgate em Projeto Hidrelétrico e Ajuda Internacional
Equipes de resgate do exército nepalês trabalharam para libertar cerca de 100 pessoas presas em um túnel de um projeto hidrelétrico inundado, o Trishuli 3A. O porta-voz do exército nepalês, Raja Ram Basnet, destacou os desafios:
Nosso foco é a busca e resgate de pessoas… algumas pessoas estão presas no túnel do projeto hidrelétrico Trishuli 3A. Dois helicópteros foram despachados, mas é desafiador porque é difícil até mesmo localizar os pontos de entrada do túnel. Esforços de socorro também estão em andamento para fornecer o que os resgatados precisam.
O gabinete do primeiro-ministro informou que o exército, operando em condições desafiadoras, resgatou 350 trabalhadores e moradores que estavam presos no túnel. Equipes de resgate também encontraram corpos centenas de quilômetros rio abaixo da zona do desastre, no distrito de Chitwan, Nepal, perto da fronteira tibetana. Dezenas de feridos foram transportados para Katmandu para tratamento médico avançado, e mais de 100 pessoas foram resgatadas por helicópteros do exército nepalês. A CCTV informou que 499 cidadãos chineses e 555 estrangeiros foram transportados para fora da zona do desastre até sexta-feira.
A comunidade internacional está se mobilizando para enviar ajuda às áreas atingidas no Nepal e Tibete. Índia, China, EUA, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh ofereceram assistência. No entanto, o Nepal declarou que não precisa de ajuda estrangeira no momento. Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou:
A oferta de ajuda é natural. Nossas agências de segurança estão realizando a operação de busca e resgate. Por enquanto, não precisamos de tal ajuda.
Dinesh Bhattarai, ex-embaixador nepalês na ONU em Genebra, sugeriu que a relutância do governo em aceitar assistência estrangeira pode estar ligada a sensibilidades sobre o distrito de Rasuwa e sua fronteira com a região do Tibete, na China. Chhetri, contudo, negou essa ligação, afirmando que as próprias equipes de resgate do Nepal estão gerenciando a operação.

Informações Limitadas do Tibete
As autoridades chinesas têm divulgado poucas informações sobre a escala da destruição no Tibete, que é uma das áreas mais controladas da China. Apenas breves relatórios da mídia estatal, focados nos esforços de resgate, foram permitidos, confirmando apenas três mortes na região.
O que isso significa para a região
As inundações na fronteira Nepal-Tibete representam uma tragédia humanitária e um desafio logístico imenso. A destruição de infraestrutura essencial, como estradas, pontes e usinas de energia, isola comunidades e dificulta os esforços de socorro e recuperação. A formação e o transbordamento do lago de detritos sublinham a vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos, exacerbados, segundo especialistas, pelas mudanças climáticas. A complexidade geopolítica da fronteira, com a recusa inicial de ajuda externa pelo Nepal, adiciona uma camada de dificuldade à resposta a um desastre de tal magnitude. A recuperação será longa e exigirá um esforço coordenado para reconstruir não apenas a infraestrutura física, mas também as vidas e os meios de subsistência das comunidades afetadas.
Leitura da LZ7 Energia
A destruição de usinas de energia, como as hidrelétricas mencionadas no Nepal, é um lembrete contundente da vulnerabilidade da infraestrutura energética a desastres naturais. No Brasil, e especificamente no Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua, a dependência de fontes centralizadas de energia, como grandes hidrelétricas, também nos expõe a riscos. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas ou chuvas torrenciais, podem afetar a capacidade de geração e a rede de distribuição. A energia solar, por sua natureza distribuída e modular, oferece uma alternativa mais resiliente. Ao instalar painéis solares em residências, empresas ou propriedades rurais, a geração de energia se torna mais descentralizada, reduzindo a dependência de uma única fonte e mitigando os impactos de falhas em grande escala. Além disso, a capacidade de gerar energia localmente pode ser crucial em momentos de crise, garantindo o abastecimento em áreas isoladas ou com infraestrutura danificada. Investir em energia solar é, portanto, não apenas uma escolha econômica e ambiental, mas também uma estratégia de segurança energética e resiliência frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
