A Latvenergo, empresa estatal de serviços públicos da Letônia, está em um movimento estratégico para expandir significativamente sua capacidade de geração de energia renovável e armazenamento na região do Báltico. A companhia está avaliando a aquisição de até 250 MW em projetos eólicos ou híbridos, adicionando a um portfólio que já inclui um parque solar de 265 MW concluído e uma crescente carteira de ativos de armazenamento de bateria.
Essa busca por aquisições, com o aconselhamento da PricewaterhouseCoopers, faz parte da estratégia de médio prazo da Latvenergo para ampliar a geração renovável, diversificar sua matriz energética e fortalecer a segurança energética na Letônia e em toda a região do Báltico. A empresa indicou que avaliará tanto projetos prontos para construção quanto turbinas eólicas operacionais com no máximo cinco anos de uso, e que procederá a discussões de aquisição com os desenvolvedores dos projetos mais adequados.
Avanços em Energia Solar e Armazenamento
A Latvenergo já demonstrou seu compromisso com a energia solar, tendo concluído o parque solar de Aizpute, na Letônia, com 265 MW, em 2025. A geração de eletricidade por este parque teve início no primeiro trimestre de 2026, marcando um passo importante para a empresa.
No que diz respeito ao armazenamento de energia, os resultados do primeiro semestre da Latvenergo revelam um progresso substancial. Até o final de junho, sete projetos de sistemas de armazenamento de bateria (BESS) estavam em desenvolvimento, totalizando 233,4 MW de potência e 551,2 MWh de capacidade de energia. Adicionalmente, dois projetos BESS menores, com um total de 10,6 MW e 21,9 MWh, já foram concluídos e estão operacionais.
A empresa também destacou um projeto híbrido menor em Priekule, que inclui um parque eólico de 11,5 MW em construção, uma usina solar de 9 MW e um sistema de armazenamento de bateria de 2 MW que já está em operação. A capacidade de energia da bateria, a data de comissionamento e a forma como o projeto participaria do mercado não foram divulgadas.
Metas e Aquisições Estratégicas
A Latvenergo projeta um potencial de desenvolvimento de até 2.300 MW a longo prazo, embora este seja um teto para o período pós-2030, não uma meta de curto prazo. Sua estratégia de médio prazo atual prevê 600 MW de nova capacidade eólica e solar até 2026. O portfólio aprovado de energias renováveis no Báltico já atingiu 1.144 MW no primeiro semestre de 2026, sendo 937 MW recém-construídos e 207 MW em construção.
Entre as aquisições notáveis, a Latvenergo adquiriu o parque eólico de Telšiai, na Lituânia, com 124 MW, da desenvolvedora Utilitas Wind em maio de 2024. Este projeto utiliza 20 turbinas Vestas, teve um custo de construção de aproximadamente €200 milhões (US$ 231,7 milhões) e está planejado para abrigar um sistema de armazenamento de bateria de 28,51 MW/57,02 MWh.
Outra aquisição importante foi o parque eólico de Pienava, na Letônia, com 147 MW, da desenvolvedora sueca Eolus. Segundo o relatório semestral da Latvenergo, a construção de todas as fundações no local havia sido concluída até o final de junho, com subestações, infraestrutura elétrica e instalação de componentes de turbinas em andamento. O relatório corporativo também informou que o projeto eólico Laflora Energy, de 109 MW, começou a gerar eletricidade no mesmo período.
Contexto Regional e Segurança Energética
A intensificação das aquisições pela Latvenergo ocorre em meio a um padrão mais amplo de consolidação liderada por empresas de serviços públicos no mercado de energia renovável do Báltico, com concessionárias apoiadas pelo estado adquirindo projetos de desenvolvedores privados. Dados da KPMG indicam que os estados bálticos registraram 62 transações de fusões e aquisições no período de 12 meses mais recente, representando um ligeiro declínio em relação ao período anterior.
Um fator crucial para essa expansão é a segurança energética. Os estados bálticos se desconectaram da rede elétrica controlada pela Rússia em fevereiro de 2025 e se sincronizaram com a rede Continental Europeia. Essa mudança aumentou a importância estratégica da capacidade de geração doméstica e regional na área. A Latvenergo explicitamente vinculou sua estratégia de expansão a este contexto de segurança energética.
Em um desenvolvimento separado, a Latvenergo anunciou em 3 de setembro que se juntou a outras 13 empresas e organizações de energia de nove países do Mar Báltico, incluindo Vestas, Siemens Energy e Enefit (da Eesti Energia), para formar a Baltic Energy Initiative. Esta plataforma transfronteiriça visa a cooperação em energia eólica offshore, hidrogênio, transporte e armazenamento de carbono, e segurança da infraestrutura energética em toda a região.
O grupo sediado em Riga delineou pela primeira vez suas ambições de se tornar um player líder no mercado BESS do Báltico em fevereiro de 2025, quando anunciou planos para instalar 250 MW/500 MWh de armazenamento até 2030 em seus locais hidrelétricos e de cogeração existentes, começando com instalações em sua usina CHPP-1, Riga HPP e CHPP-2. O recente impulso de aquisições estende essa construção de armazenamento e geração também para ativos eólicos e híbridos de terceiros.
Leitura da LZ7 Energia
A expansão agressiva da Latvenergo na Letônia e nos países bálticos em energia solar, eólica e sistemas de armazenamento de bateria (BESS) reflete uma tendência global de busca por maior segurança energética e diversificação da matriz. A desconexão da rede russa e a sincronização com a rede europeia continental, por exemplo, demonstram a importância estratégica da autonomia energética. No Brasil, e especificamente no Norte Pioneiro do Paraná, a crescente adoção de energia solar fotovoltaica, tanto em grandes usinas quanto em sistemas distribuídos, também contribui para a segurança e estabilidade da rede, além de oferecer economia significativa aos consumidores e empresas. O investimento em armazenamento, ainda incipiente no país, é a próxima fronteira para otimizar a intermitência das renováveis e garantir um fornecimento mais contínuo e resiliente, um caminho que a região do Báltico já está trilhando com vigor.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
