Um conjunto de figuras históricas e lideranças tradicionais da política do Paraná formalizou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Entre as adesões anunciadas no estado estão o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), o senador Flávio Arns (PSB), o também ex-prefeito da capital paranaense Gustavo Fruet (PDT) e o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra (PSB). A articulação ganhou força com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que cumpriu agenda em Curitiba nesta terça-feira, 20, para coordenar e impulsionar a campanha petista em território paranaense.

O posicionamento desse grupo destoa do alinhamento desenhado pela cúpula do Executivo estadual e por outras forças vitoriosas nas urnas locais. No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD) e o governador eleito Sergio Moro (PL) mantêm apoio declarado à candidatura de Flávio Bolsonaro, consolidando um contraponto direto às adesões formalizadas pelas lideranças curitibanas e regionais em favor do atual presidente da República.

Racha partidário e a manifestação de Rafael Greca

A declaração de Rafael Greca contraria tanto a orientação de seus aliados recentes quanto a diretriz formal do seu atual partido no estado. O ex-prefeito, que esteve à frente da administração de Curitiba ao longo de três mandatos, disputou a eleição estadual como candidato a vice-governador na chapa liderada por Sandro Alex (PSD), coligação que contava com o respaldo direto de Ratinho Junior e que acabou superada por Sergio Moro logo no primeiro turno da corrida ao Palácio Iguaçu.

Para concorrer no pleito deste ano, Greca havia deixado as fileiras do PSD em março e migrado para o MDB. Contudo, a executiva do MDB paranaense formalizou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, colocando a manifestação individual do ex-prefeito em rota de colisão com a cúpula partidária local. O anúncio pró-Lula ocorreu durante um sarau realizado na capital paranaense, na segunda-feira, 19, ocasião em que o ex-prefeito criticou a interferência norte-americana no Brasil e reforçou a necessidade de priorizar políticas públicas estruturantes.

“Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, para tocar, precisa das duas mãos, a direita e a esquerda”, afirmou Rafael Greca ao defender investimentos integrados nas áreas de saúde, educação e cultura.

Lideranças históricas do Paraná declaram voto em Lula no 2º turno
Foto: InfoMoney — Economia

A manifestação de Greca foi celebrada abertamente por Geraldo Alckmin durante sua passagem por Curitiba. O vice-presidente ressaltou o significado do gesto e defendeu a contínua ampliação do arco de alianças políticas e democráticas em torno da reeleição da chapa governista federal.

Flávio Arns e o ato Paraná pela Virada

Outro posicionamento central no movimento pró-Lula foi articulado pelo senador Flávio Arns (PSB), que participou ativamente do ato intitulado “Paraná pela Virada”, realizado na terça-feira, 20, na capital, com a participação de Geraldo Alckmin. No evento, Arns fez questão de sublinhar a capacidade diplomática e o trânsito político do vice-presidente junto aos setores produtivos do país, indicando essa ponte como fator decisivo para a sustentabilidade de uma nova gestão federal.

“A gente deseja que o presidente Lula faça um mandato extraordinário com o apoio de Geraldo Alckmin. O Geraldo Alckmin é respeitado no agro, é muito respeitado no comércio, na indústria, nos empresários, nos bancos, e isso a gente viu no tarifaço”, declarou Flávio Arns.

A presença de Arns no palanque petista sintetiza uma longa trajetória na vida pública do Paraná, marcada pelo trânsito entre diferentes campos ideológicos. Ele atuou como deputado federal filiado ao PSDB, foi eleito senador pelo PT com mandato cumprido entre 2003 e 2011 e chegou ao cargo de vice-governador do Paraná na administração de Beto Richa (PSDB), no período de 2011 a 2014. Arns também exerceu a função de secretário de Estado da Educação e atualmente integra o PSB, mesmo partido do vice-presidente da República.

Lideranças históricas do Paraná declaram voto em Lula no 2º turno
Foto: InfoMoney — Economia

Adesão de Gustavo Fruet e histórico parlamentar

O ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) também se somou à mobilização da campanha em Curitiba e formalizou seu apoio à reeleição de Lula. Fruet chefiou o Executivo municipal de Curitiba entre os anos de 2013 e 2016 e construiu trajetória expressiva na Câmara dos Deputados em mandatos federais.

Ao longo de sua vida partidária, Fruet integrou legendas como o MDB e o PSDB antes de ingressar no PDT. Durante parte de seu período de atuação legislativa no Congresso Nacional em Brasília, o ex-prefeito integrou as bancadas de oposição aos governos federais petistas, o que torna sua atual declaração de voto mais um elemento de convergência de forças que historicamente estiveram em lados opostos na arena política local e nacional.

Alceni Guerra relembra a Constituinte e o SUS

Completando o grupo de quadros tradicionais que participaram da mobilização paranaense, o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra (PSB) reforçou sua aliança com a candidatura governista. Alceni comandou a pasta federal da Saúde entre 1990 e 1992, durante o governo de Fernando Collor, além de acumular em seu currículo os mandatos de prefeito de Pato Branco, no Sudoeste do estado, e de deputado federal.

O vínculo de Alceni com Geraldo Alckmin remonta aos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, período em que ambos atuaram juntos na formulação do capítulo da seguridade social que deu origem ao Sistema Único de Saúde.

“Eu tive a honra de redigir, e ele de relatar. E assim nós temos o melhor sistema público de saúde do mundo”, relembrou Alceni Guerra durante o encontro na capital.

Lideranças históricas do Paraná declaram voto em Lula no 2º turno
Foto: InfoMoney — Economia

Diferentemente dos outros anúncios oficializados nesta reta final de campanha no Paraná, o voto de Alceni Guerra em Lula não representa uma novidade no cenário partidário. O ex-ministro já havia tomado a decisão de votar no petista no segundo turno da eleição presidencial de 2022, ocasião na qual também sustentou seu posicionamento com base na defesa institucional do SUS e em sua histórica proximidade com Alckmin.

Balanço da mobilização e contexto eleitoral

A série de manifestações coletadas durante a passagem da comitiva vice-presidencial por Curitiba reforça a estratégia da campanha governista de buscar setores de centro, centro-direita e antigos opositores no Sul do país, região onde o eleitorado bolsonarista costuma registrar forte desempenho eleitoral. Paralelamente às movimentações nos estados, o debate nacional seguiu acompanhado por discussões econômicas e institucionais da campanha, a exemplo da proposta de Lula para estruturar uma secretaria voltada à orientação de finanças populares — tema em que o nome da economista e influenciadora Nath Finanças chegou a ser sugerido —, além do posicionamento do ministro André Mendonça indicando que Lula e Flávio Bolsonaro detêm prerrogativa para abrir seus próprios sigilos sem a necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral.

Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.