A Lowe's, uma das maiores redes de varejo de materiais de construção e reformas residenciais dos Estados Unidos, apresentou resultados financeiros mistos para o segundo trimestre fiscal de 2026, encerrado em 31 de julho. A companhia também revisou suas projeções para o ano fiscal completo, indicando uma perspectiva mais conservadora em face de um cenário econômico dinâmico e da cautela dos consumidores.
Os números divulgados na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, mostraram que, embora o lucro por ação ajustado tenha superado as expectativas de Wall Street, a receita total ficou ligeiramente abaixo das projeções. A empresa destacou a persistente pressão nos gastos com melhorias domésticas, o que levou a uma atualização de sua orientação para o ano para a extremidade inferior da faixa anteriormente prevista.
Resultados do Segundo Trimestre de 2026
Para o trimestre fiscal encerrado em 31 de julho, a Lowe's reportou um lucro líquido de US$ 2,4 bilhões, ou US$ 4,27 por ação. Este valor é aproximadamente o mesmo do período homólogo do ano anterior. Excluindo fatores pontuais e incluindo benefícios de reembolsos tarifários, o lucro ajustado por ação atingiu US$ 4,40.
Analistas consultados pela LSEG (London Stock Exchange Group), uma provedora global de dados e infraestrutura de mercado, esperavam um lucro ajustado por ação de US$ 4,22. A receita total da Lowe's no trimestre foi de US$ 25,96 bilhões, um aumento em relação aos US$ 23,96 bilhões registrados no ano anterior, mas ligeiramente abaixo da expectativa de US$ 26,16 bilhões.
As vendas comparáveis, que excluem o impacto de aberturas e fechamentos de lojas, registraram um aumento de 0,2%. Este crescimento foi impulsionado, em parte, pelo forte desempenho nas vendas para profissionais (segmento pro) e serviços domésticos. As vendas online também apresentaram um crescimento significativo de 15,7%, embora a empresa tenha ressaltado que este avanço foi parcialmente compensado pelas pressões macroeconômicas que afetam os clientes que realizam projetos por conta própria (segmento do-it-yourself – DIY).

Revisão da Perspectiva Anual e Impacto Tarifário
A Lowe's atualizou sua projeção para o ano fiscal completo, agora esperando vendas totais de US$ 92 bilhões, em comparação com a faixa anterior de US$ 92 bilhões a US$ 94 bilhões. As vendas comparáveis são esperadas para permanecerem estáveis, uma revisão da projeção anterior que variava de estáveis a um aumento de 2%. O lucro ajustado por ação para o ano é agora projetado em US$ 12,25, em contraste com a faixa anterior de US$ 12,25 a US$ 12,75.
Um fator que impulsionou os resultados do trimestre foi o reembolso de tarifas, que adicionou US$ 0,11 ao lucro por ação. A empresa mencionou que esses reembolsos contribuíram para o desempenho positivo do lucro.
Declarações da Liderança e Cenário Econômico
“Embora os fundamentos de longo prazo que sustentam a melhoria residencial permaneçam intactos, o ambiente de curto prazo continua dinâmico”, afirmou Marvin Ellison, CEO da Lowe's, durante uma teleconferência com analistas. “Os preços elevados dos combustíveis, combinados com a incerteza econômica mais ampla, influenciaram os orçamentos domésticos. Os clientes continuam a nos dizer que estão sendo cautelosos com seus gastos e priorizando onde e quando investem em suas casas. Como resultado, a demanda discricionária por projetos DIY permanece sob pressão.”
Ellison também abordou o aumento da pressão competitiva observada em julho, mas enfatizou o compromisso da Lowe's em oferecer valor, inovação e diferenciação para superar seus concorrentes. Ele expressou a crença de que o impacto de julho não representa um “novo normal”, mas sim uma situação “transitória”.
“Achamos que é o resultado de concorrentes que possuem dólares de reembolso de tarifas e procuram diferentes maneiras de usar esses dólares para impulsionar a receita, e por isso não vemos isso como algo que irá mudar historicamente”, explicou Ellison, sugerindo que a concorrência pode ter usado os reembolsos tarifários para oferecer preços mais agressivos.

Desafios do Mercado Imobiliário e Consumidor Cauteloso
Os resultados da Lowe's surgem em um momento em que o setor de melhorias residenciais enfrenta um mercado imobiliário mais lento e um consumidor mais cauteloso. A rival Home Depot, por exemplo, havia relatado no dia anterior que não via os clientes retornando a grandes projetos e que continuava a operar em “condições de mercado imobiliário congelado”.
Apesar do cenário desafiador, as ações da Lowe's registraram uma alta de aproximadamente 1% nas negociações matinais após o anúncio dos resultados.
Leitura da LZ7 Energia
O cenário de cautela do consumidor e as pressões econômicas que afetam o setor de reformas residenciais nos Estados Unidos, como evidenciado pelos resultados da Lowe's, podem ter paralelos com a realidade brasileira. Embora o mercado de energia solar seja um investimento de longo prazo com retornos claros na economia de conta de luz, a decisão de investir em melhorias domésticas, incluindo a instalação de painéis solares, pode ser influenciada por fatores como a taxa de juros, a inflação e a percepção de estabilidade econômica. Em momentos de incerteza, famílias e empresas tendem a adiar gastos discricionários. No entanto, a economia gerada pela energia solar pode se tornar ainda mais atrativa em um contexto de orçamentos apertados, pois representa uma redução direta e previsível nas despesas mensais com eletricidade, um fator de peso para a gestão financeira de qualquer residência ou negócio no Norte Pioneiro do Paraná.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
