O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) aceitou, na última segunda-feira, dia 17 de agosto, a denúncia apresentada contra uma médica que exercia a função de diretora técnica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A profissional, cujo nome não foi divulgado devido ao sigilo de Justiça, é acusada de homicídio culposo pela morte de seis crianças e recém-nascidos.
Denúncia e Acusações
As mortes que motivaram a denúncia ocorreram em um período de três meses, entre maio e julho de 2024. De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), as vítimas eram pacientes com idades variando de recém-nascidos a crianças maiores. As idades específicas dos pacientes falecidos são: 11 anos, 5 anos, 2 anos, 9 meses, 2 meses e um recém-nascido.
A investigação do Ministério Público apontou que a médica, na sua posição de diretora técnica da UTI Pediátrica, teria agido com negligência e imperícia, o que teria contribuído para os óbitos. A denúncia detalha que a profissional teria falhado em garantir condições adequadas de funcionamento da unidade, resultando em uma série de problemas que afetaram diretamente a assistência prestada aos pacientes.
Detalhes da Investigação
Entre as falhas apontadas pelo MP-PR, destacam-se a falta de leitos de UTI pediátrica disponíveis, a ausência de médicos intensivistas pediátricos em número suficiente e a carência de medicamentos essenciais para o tratamento intensivo. Além disso, a denúncia menciona a falta de insumos básicos e equipamentos necessários para o bom funcionamento de uma UTI pediátrica, como respiradores, bombas de infusão e monitores multiparâmetros.
A promotoria argumenta que a médica, ciente das deficiências estruturais e de pessoal, não teria tomado as medidas cabíveis para solucionar os problemas, comprometendo a segurança e a qualidade do atendimento aos pacientes mais vulneráveis. O sigilo de Justiça imposto ao caso impede a divulgação de mais detalhes sobre as provas e depoimentos que embasaram a denúncia.
Manifestações e Próximos Passos
O Hospital Angelina Caron, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que está colaborando integralmente com as autoridades e que o caso está sendo tratado com a seriedade que merece. A instituição ressaltou seu compromisso com a qualidade e segurança dos pacientes, afirmando que está revisando seus protocolos internos para evitar que situações semelhantes se repitam. O hospital também mencionou que a médica em questão foi afastada de suas funções assim que a denúncia foi formalizada.

A defesa da médica, por sua vez, declarou que a profissional nega veementemente as acusações e que irá apresentar todos os recursos cabíveis para provar sua inocência. Segundo os advogados, a médica sempre agiu com ética e profissionalismo, dentro das limitações e desafios impostos pelo sistema de saúde.
A médica nega as acusações e irá apresentar todos os recursos cabíveis para provar sua inocência. Ela sempre agiu com ética e profissionalismo, dentro das limitações e desafios impostos pelo sistema de saúde.
Com a aceitação da denúncia pelo TJ-PR, o processo criminal terá prosseguimento. A próxima etapa será a citação da médica para apresentar sua defesa prévia, seguida pela fase de instrução, onde serão ouvidas testemunhas e produzidas provas. O caso segue em segredo de Justiça, e novas informações serão divulgadas conforme o andamento processual permitir.
O que isso significa para a região
A denúncia e o andamento deste caso trazem à tona a importância da fiscalização e da garantia de infraestrutura adequada nos serviços de saúde, especialmente em unidades tão críticas quanto UTIs pediátricas. Para a população do Norte Pioneiro do Paraná, que muitas vezes depende de centros médicos maiores como os da Região Metropolitana de Curitiba para tratamentos especializados, a notícia reforça a necessidade de vigilância constante sobre a qualidade dos serviços de saúde oferecidos. A transparência e a responsabilização em casos como este são fundamentais para assegurar a confiança nos sistemas de saúde e para que as famílias se sintam seguras ao buscar atendimento para seus filhos.
Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
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