Itaúna do Sul, no Norte do Paraná, acompanha um caso que tem gerado repercussão na saúde pública local. O médico Rodrigo Felipe Amparado, afastado de suas funções no Hospital Municipal de Itaúna do Sul desde 8 de julho, continua recebendo seu salário integralmente, conforme aponta o Portal da Transparência. A situação se estende por mais de três meses desde que o profissional foi retirado do cargo, após a descoberta de que ele havia montado um espaço de moradia improvisado em um centro cirúrgico desativado da unidade hospitalar.

Afastamento e Acusações

O afastamento do Dr. Rodrigo Felipe Amparado ocorreu em 8 de julho, após a revelação de que ele utilizava um centro cirúrgico inativo do Hospital Municipal de Itaúna do Sul como sua residência particular. A conduta do médico, que transformou o ambiente hospitalar em um 'apartamento', levantou sérias questões sobre a gestão e fiscalização dentro da instituição de saúde.

Além do uso irregular do espaço, o médico enfrenta acusações graves que o tornaram réu em processos judiciais. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) formalizou denúncias contra ele pelos crimes de ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. A promotora de Justiça Marina Campos Corrêa, em declaração à RPC, afiliada da TV Globo, detalhou que as investigações apontam que, além de sua moradia improvisada, o médico também intimidava funcionários que se opunham às suas decisões ou ações dentro do hospital.

Médico afastado de hospital em Itaúna do Sul segue recebendo salário
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Detalhes da Investigação

As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná revelaram um padrão de comportamento que ia além da ocupação indevida de um espaço público. O crime de peculato, por exemplo, refere-se ao desvio ou apropriação de bens públicos por um funcionário público, o que, no contexto, pode estar relacionado ao uso do espaço do hospital e, possivelmente, de recursos. As acusações de ameaça, perseguição e dano emocional à mulher indicam um comportamento abusivo e de assédio, enquanto a acusação de tortura aponta para atos de extrema gravidade.

“Além de usar o local de forma irregular, o médico também ameaçava funcionários que contrariavam as decisões dele.”
— Marina Campos Corrêa, Promotora de Justiça do MP-PR, em declaração à RPC

A persistência do pagamento do salário do médico, mesmo após seu afastamento e diante da gravidade das acusações, levanta questionamentos sobre os procedimentos administrativos e legais que regem a folha de pagamento de servidores públicos em situações de investigação e processo judicial. Até a última quinta-feira, 16 de outubro, o Portal da Transparência confirmava que o Dr. Amparado continuava a receber seus vencimentos normalmente, apesar de não estar exercendo suas funções e de ser réu em diversos crimes.

Impacto na Comunidade e na Gestão Pública

O caso do médico em Itaúna do Sul gera preocupação na comunidade local, que depende dos serviços do Hospital Municipal. A notícia de um profissional afastado por condutas tão sérias, e que ainda assim recebe salário, pode abalar a confiança da população na gestão da saúde pública e na fiscalização dos recursos. A situação evidencia a necessidade de rigor nos processos de apuração e nas medidas administrativas aplicadas a servidores públicos envolvidos em irregularidades.

A transparência nos gastos públicos, como a que permitiu a identificação do pagamento do salário do médico, é fundamental para que a sociedade possa fiscalizar e cobrar ações dos órgãos competentes. A continuidade do pagamento, enquanto o processo judicial e administrativo corre, é um ponto que certamente será observado de perto pelos moradores do Norte Pioneiro do Paraná.

O que isso significa para a região

Este caso, que se desenrola em Itaúna do Sul, reflete a complexidade das relações entre servidores públicos e a administração, especialmente em setores tão sensíveis como a saúde. A repercussão de casos como este no Norte Pioneiro do Paraná pode influenciar a percepção pública sobre a eficiência e a integridade das instituições locais. A comunidade espera que as investigações avancem e que as medidas cabíveis sejam tomadas para garantir a justiça e a boa aplicação dos recursos públicos, essenciais para o desenvolvimento e bem-estar da população da região.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.