Em um desdobramento que promete redefinir a paisagem das redes sociais para usuários jovens, a Meta, controladora do Instagram e Facebook, alcançou um acordo monumental de até US$ 18 bilhões em um processo que alegava que a gigante da tecnologia havia enganado o público sobre os danos de suas plataformas a usuários mais jovens. O acordo, que encerrou a segunda semana de um julgamento histórico nos Estados Unidos, não apenas impõe mudanças significativas às operações da Meta, mas também sinaliza um alerta para outras grandes plataformas como TikTok, YouTube e Snap.
Acordo Bilionário e Condições Severas
O acordo da Meta envolve um pagamento de até US$ 18 bilhões, com uma parte substancial condicionada à ação de seus concorrentes. A empresa se comprometeu a implementar mudanças fundamentais em suas plataformas para usuários com menos de 18 anos. Entre as medidas anunciadas estão um limite diário de uso de 2 horas, que só poderá ser removido por um responsável legal, a desativação de filtros de maquiagem extrema e cirurgia cosmética, e a introdução de medidas mais rigorosas de verificação de idade e modo noturno.
É importante notar que a Meta pagará 70% do valor total do acordo, aproximadamente US$ 12,7 bilhões, aos estados ao longo de 10 anos. Os US$ 5,3 bilhões restantes estão condicionados a que seus rivais, TikTok e YouTube (da Alphabet), também implementem mudanças semelhantes em seus aplicativos para usuários mais jovens. Essa cláusula estratégica da Meta visa forçar uma transformação em toda a indústria, em vez de arcar sozinha com as consequências de uma regulamentação mais rígida.
Pressão Crescente sobre a Indústria
O Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, que co-liderou o caso ao lado de Nova Jersey, Colorado e Kentucky, deixou claro que o acordo da Meta serve como um aviso para o restante da indústria. Ele afirmou que a luta por maior segurança online está longe de terminar.
“O acordo da Meta notifica outros na indústria de que não terminamos, e esperamos resultados semelhantes deles também”, declarou Rob Bonta.
Especialistas corroboram essa visão. Rob Lalka, professor de gestão na Universidade Tulane e autor de 'The Venture Alchemists: How Big Tech Turned Profits Into Power', ressaltou que nenhuma empresa deseja enfrentar a situação que a Meta encarou em Oakland.
“Eu esperaria que TikTok, YouTube e Snapchat fizessem mudanças antes mesmo de enfrentarem essa cena. Essas plataformas dependem inteiramente da confiança, de pais, de usuários, de anunciantes, e o acordo reflete uma decisão de negócios sobre risco reputacional, que agora os conselhos dessas outras empresas também devem tomar”, analisou Lalka.
A CNBC entrou em contato com YouTube, TikTok e Snap para comentários sobre o assunto, mas não houve retorno imediato. As gigantes das redes sociais já enfrentam crescente pressão global, com governos em todo o mundo considerando proibições ou restrições ao uso de redes sociais por adolescentes.

Histórico de Litígios e Próximos Passos
Este acordo não é um evento isolado. Meta, TikTok, YouTube e Snap têm sido alvo de uma série de processos nos últimos anos. Anteriormente, a Meta e o YouTube perderam um julgamento sobre vício em redes sociais em Los Angeles, movido por uma autora que alegou danos à sua saúde mental devido a recursos viciantes como reprodução automática e rolagem infinita. A Meta também perdeu um caso separado no Novo México, onde foi condenada a pagar mais de US$ 900 milhões em multas por violar leis de segurança infantil.
Com o caso da Meta resolvido, o Procurador-Geral Bonta confirmou que a luta continuará. “Continuaremos nossa luta em todas as redes sociais”, disse ele, indicando que novos processos serão movidos contra grandes players como TikTok, Snap e YouTube. Em entrevista à CNBC, Bonta aprovou a iniciativa da Meta de incluir outras plataformas no acordo.
“Isso é apropriado. Isso é algo que exige uma solução para toda a indústria”, afirmou Bonta.
A Califórnia já está em litígio ativo contra o TikTok. “Estamos processando o TikTok agora, então estamos buscando garantir que eles adotem práticas e compromissos semelhantes aos da Meta, e estamos muito interessados também em Snap e YouTube”, explicou Bonta. Em 2024, Bonta, a Procuradora-Geral de Nova York Letitia James e outros 14 procuradores-gerais estaduais entraram com uma ação contra o TikTok por violar leis de proteção ao consumidor, alegando que a plataforma prejudica usuários mais jovens com recursos viciantes que maximizam o tempo de uso. Este caso ainda está em andamento.

Críticas e o Papel dos Legisladores
Embora a Meta esteja tentando se posicionar como líder em segurança online para jovens, Rob Lalka aponta que a empresa negligenciou essas questões por anos. Ele enfatiza que a intervenção dos procuradores-gerais foi necessária porque o Congresso americano não aprovou leis para prevenir esses danos.
“Sejamos claros sobre como chegamos aqui. Foi preciso que os procuradores-gerais interviessem depois que o dano já havia sido causado, porque o Congresso nunca aprovou uma lei para preveni-lo”, disse Lalka. “Essas novas regras não vieram de formuladores de políticas eleitos, foram negociadas em um acordo com a empresa sendo regulada, e a Meta está buscando garantir que seus concorrentes enfrentem as mesmas regras.”
Este cenário sublinha a complexidade da regulamentação de gigantes da tecnologia e a crescente demanda por responsabilidade social em um ambiente digital cada vez mais onipresente na vida dos jovens.

Serviço
O acordo da Meta estabelece novos padrões para a segurança de jovens em plataformas online. As principais mudanças incluem:
- Limite de Uso Diário: 2 horas para usuários menores de 18 anos, com possibilidade de remoção apenas por pais ou responsáveis.
- Desativação de Filtros: Remoção de filtros de maquiagem extrema e cirurgia cosmética.
- Verificação de Idade: Medidas mais rigorosas para confirmar a idade dos usuários.
- Modo Noturno: Implementação de recursos que visam o bem-estar dos jovens.
O pagamento de US$ 18 bilhões (cerca de R$ 97,2 bilhões, considerando a cotação de 1 dólar = 5,40 reais) será distribuído aos estados americanos ao longo de 10 anos, com uma parcela condicionada à adesão de TikTok e YouTube a medidas similares.
Leitura da LZ7 Energia
A crescente pressão sobre as grandes empresas de tecnologia para garantir a segurança e o bem-estar de seus usuários mais jovens reflete uma tendência global de maior escrutínio sobre o impacto social das inovações. Embora diretamente não relacionada à energia solar, essa movimentação por parte de governos e órgãos reguladores para exigir mais responsabilidade das corporações pode ser vista como um paralelo à demanda por sustentabilidade e transparência em outros setores. Assim como as redes sociais são cobradas por seus efeitos na saúde mental, as empresas de energia, incluindo as de energia solar, enfrentam a expectativa de operar de forma ética e ambientalmente responsável. A busca por soluções que promovam o bem-estar e a sustentabilidade, seja no ambiente digital ou na matriz energética, demonstra uma evolução na consciência coletiva sobre o papel das empresas no desenvolvimento da sociedade e na proteção dos recursos e da população.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
