Após nove meses de cativeiro, o missionário americano Kevin Rideout foi libertado no Níger. A notícia foi confirmada pela organização Serving in Mission International, para a qual Rideout trabalhava, e também pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter auxiliado na operação. O missionário, que é piloto e tem 50 anos, foi sequestrado na capital nigerina, Niamey, em 21 de outubro do ano passado.

A Libertação e o Contexto do Sequestro

Kevin Rideout, que atuava como missionário no Níger há 19 anos, está em bom estado de saúde e sob os cuidados de autoridades americanas, conforme comunicado da Serving in Mission International. A organização informou que ele em breve se reunirá com sua família. Donald Trump, por sua vez, anunciou em sua plataforma Truth Social na sexta-feira que Rideout estava novamente sob a custódia dos Estados Unidos, expressando satisfação em ter contribuído para o desfecho.

"Tenho orgulho de anunciar que Kevin Rideout, um maravilhoso missionário cristão, está de volta à custódia dos Estados Unidos", escreveu Trump. "Kevin, os Estados Unidos da América anseiam por recebê-lo em CASA. Feliz por ter ajudado!"

O sequestro de Rideout ocorreu em Niamey, quando três indivíduos armados o abordaram. Na época, um oficial de segurança sugeriu que ele provavelmente foi levado para fora da cidade. Nenhum grupo armado reivindicou a responsabilidade pelo sequestro, e detalhes sobre a operação de resgate permanecem desconhecidos. A administração do presidente dos EUA havia priorizado a libertação de Rideout em sua estratégia para os estados do Sahel africano, após anos de luta contra o extremismo com sucesso limitado.

Soldiers patrol in the streets of Niamey
Soldiers patrol in the streets of Niamey

Cenário de Insegurança no Níger e na Região do Sahel

A libertação de Kevin Rideout ocorre em um contexto de crescente instabilidade no Níger e na região do Sahel. O país tem sido alvo frequente de ataques por grupos armados, incluindo jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. A junta militar que assumiu o poder em 2023, após depor o presidente democraticamente eleito Mohamed Bazoum, justificou o golpe citando uma "situação de segurança continuamente deteriorada" em todo o país.

Desde então, as novas autoridades nigerinas têm afastado parceiros ocidentais, incluindo os EUA, que mantinham soldados no Níger, e forjado uma nova aliança de segurança e diplomática com a Rússia. Uma antiga base americana na região, inclusive, já foi ocupada por soldados russos. A violência generalizada transformou o Níger em um foco de insegurança no Sahel.

Dados da Acled, agregador de dados sobre conflitos armados, indicam que as mortes de civis no Níger aumentaram em quase 50% no ano seguinte à deposição de Bazoum. Cidades e centros urbanos na região do Sahel também têm sido cada vez mais visados por atores armados não estatais, à medida que a crise atinge novas dimensões.

Kevin Rideout wearing a pilot’s uniform, holding a child with blurred-out face while standing outside a plane
Kevin Rideout wearing a pilot’s uniform, holding a child with blurred-out face while standing outside a plane

Alertas de Segurança e Ataques Recentes

A embaixada dos EUA em Niamey emitiu um alerta de segurança um dia após o sequestro de Rideout, advertindo que cidadãos americanos "permanecem em alto risco de sequestro em todo o Níger, incluindo na capital".

A situação de segurança na região é marcada por incidentes graves:

  • Ataque ao Aeroporto de Niamey (Junho): Mais de 30 pessoas foram mortas quando homens armados atacaram o principal aeroporto da capital. Este foi o segundo ataque no ano ao aeroporto, um centro estratégico que serve como comando militar, abrigando sua base aérea e a maioria de seus drones e aeronaves. É também a sede da Aliança dos Estados do Sahel, uma aliança regional que reúne tropas do Níger, Mali e Burkina Faso.
  • Assassinato do Ministro da Defesa do Mali (Abril): O General Sadio Camara, ministro da Defesa do Mali, foi morto em sua casa nos arredores da capital Bamako durante ataques coordenados por insurgentes, incluindo a afiliada da Al-Qaeda na África Ocidental.

Donald Trump descreveu a região mais ampla da África Ocidental como "o epicentro do terrorismo islamista" em sua postagem nas redes sociais, alegando que houve "mais ataques mortais no ano passado" ali do que em qualquer outro lugar do mundo. Washington tem, desde então, mudado seu foco para os estados costeiros da África Ocidental, incluindo Benin, Costa do Marfim e Gana, compartilhando inteligência com o pessoal de segurança local para evitar que as ameaças extremistas se espalhem para o sul do Sahel árido. No entanto, a insurgência continua a escalar na região.

Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.