A Promotoria de Justiça de Joaquim Távora, vinculada ao Ministério Público do Paraná (MPPR), formalizou uma denúncia contra quatro profissionais de saúde, acusando-os de homicídio culposo. O caso, que resultou na trágica morte de uma criança de apenas quatro anos de idade, ocorreu em junho de 2026, nas instalações do Hospital Dr. Lincoln Graça, localizado no município de Joaquim Távora. A denúncia do MPPR detalha que as ações e omissões de um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem foram determinantes para o desfecho fatal do paciente.

Detalhes da Denúncia e o Falecimento da Criança

A vítima, Ravi Augusto Fernandes Teodoro, filho de Anynha Carvalho, do lar, e Ailton Teodoro da Silva, agricultor, residia na zona rural de Joaquim Távora. O menino era aluno do Centro Municipal de Educação Infantil Maria Aparecida Beruski e deixou uma irmãzinha de seis anos, Valentina. Conforme a apuração do Ministério Público, Ravi foi levado ao hospital apresentando sintomas gripais e permaneceu em observação durante a noite. A Promotoria de Justiça sustenta que os denunciados, cada um dentro de suas respectivas atribuições profissionais, falharam em adotar as providências necessárias e em oferecer o acompanhamento contínuo e adequado ao paciente. Lamentavelmente, Ravi veio a óbito na manhã seguinte, em uma quarta-feira, às 9h30min, com a confirmação posterior de resultado positivo para influenza.

Após o falecimento, os serviços fúnebres foram realizados pela Olsan (Organização de Luto Santo Antônio). O corpo de Ravi Augusto Fernandes Teodoro foi velado e sepultado no Cemitério do Joá, um distrito de Joaquim Távora, às 12h40min de uma quinta-feira, dia 11 de junho de 2026.

Acusações e Consequências Legais

Os quatro profissionais de saúde foram denunciados especificamente por homicídio culposo, uma modalidade de crime em que não há intenção de matar, mas a morte ocorre por imprudência, negligência ou imperícia. A denúncia do Ministério Público inclui uma agravante: a inobservância de regra técnica de profissão, o que pode resultar em um aumento da pena. Além da responsabilização na esfera criminal, o MPPR solicitou ao Juízo a determinação de um valor mínimo para a reparação dos danos sofridos pelos familiares da vítima, buscando uma compensação financeira pela perda irreparável.

O processo judicial relacionado a este caso corre em segredo de justiça, o que significa que as informações detalhadas sobre as fases e depoimentos não são divulgadas publicamente, visando proteger as partes envolvidas e a integridade da investigação.

MP denuncia quatro profissionais de saúde por morte de criança em Joaquim Távora
Foto: NP Diário — Norte Pioneiro

Irregularidades Estruturais e Procedimento Preparatório

Paralelamente à ação penal, a Promotoria de Justiça de Joaquim Távora instaurou um procedimento preparatório. Este procedimento tem como objetivo investigar e propor a correção de falhas estruturais e organizacionais que foram identificadas na prestação dos serviços de saúde no atendimento hospitalar. As irregularidades apontadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) são diversas e abrangem pontos críticos na gestão e operação do hospital:

  • Funcionamento do pronto atendimento: A unidade opera com apenas um médico clínico geral plantonista, sem a retaguarda pediátrica necessária para atender casos envolvendo crianças.
  • Inexistência de protocolos internos: Não há protocolos específicos e formalizados para urgências pediátricas, o que pode comprometer a agilidade e a eficácia do atendimento a pacientes infantis em situações críticas.
  • Ausência de rotina de reavaliação médica: Falta uma rotina de reavaliação médica periódica para pacientes que estão em observação, o que pode levar à demora na identificação de pioras ou mudanças no quadro clínico.
  • Triagem sem classificação de risco adequada: A triagem dos pacientes não é realizada com a devida classificação de risco por um enfermeiro, etapa crucial para priorizar atendimentos e identificar casos mais graves.
  • Ausência de fluxos formais de comunicação: Não existem fluxos claros e formalizados para a comunicação e transferência de pacientes pediátricos graves para unidades com maior capacidade ou especialização.
  • Falhas nos registros médicos e de enfermagem: Foram identificadas inconsistências e falhas nos registros médicos e de enfermagem, o que prejudica o histórico do paciente e a continuidade do cuidado.
  • Possibilidade de alteração de dados: Há suspeitas sobre a possibilidade de alteração de dados no sistema de prontuário eletrônico, o que levanta preocupações sobre a integridade e a confiabilidade das informações clínicas.

A Promotoria de Justiça sustenta que cada um dos denunciados, no âmbito de suas respectivas funções, deixou de adotar as providências necessárias e de prestar o devido acompanhamento contínuo ao paciente, que faleceu na manhã seguinte, com resultado positivo para influenza.

O que isso significa para a região

A denúncia do Ministério Público e a investigação das falhas estruturais no Hospital Dr. Lincoln Graça em Joaquim Távora representam um marco importante para a saúde pública no Norte Pioneiro do Paraná. A responsabilização de profissionais de saúde, aliada à apuração de deficiências sistêmicas, reforça a necessidade de constante aprimoramento dos serviços hospitalares, especialmente em cidades do interior que muitas vezes enfrentam limitações de recursos e especialistas. A comunidade local, em particular as famílias com crianças, espera que este caso sirva de catalisador para que as autoridades e a administração do hospital implementem melhorias urgentes e garantam um atendimento mais seguro e eficiente. A transparência e a correção das irregularidades apontadas pelo MPPR são fundamentais para restaurar a confiança da população na rede de saúde e prevenir futuras tragédias.

Fonte: NP Diário — Norte Pioneiro — matéria original publicada em npdiario.com. Imagens e vídeos: NP Diário — Norte Pioneiro. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.