O Ministério Público do Paraná realizou no auditório do Sicredi, em Santo Antônio da Platina, a apresentação oficial do aplicativo para celular Pólen APP. A ferramenta digital foi desenvolvida pela instituição para agilizar o registro de ocorrências de mortandade de polinizadores e estimular uma convivência equilibrada e sustentável entre as atividades agrícolas e a criação de abelhas em todo o estado.
A chegada da tecnologia ao Norte Pioneiro é resultado de uma articulação institucional conduzida pela Promotora de Justiça Kele Cristiani Diogo Bahena. O objetivo da iniciativa é reproduzir na regional do GAEMA de Santo Antônio da Platina o modelo adotado com sucesso pelo GAEMA da Região de Campo Mourão, estendendo os mecanismos de fiscalização e conservação aos 40 municípios atendidos pela comarca regional platinense.

A estrutura e a atuação especializada do GAEMA
O Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo — também denominado Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA) — é o braço técnico e especializado do Ministério Público voltado ao enfrentamento de infrações ambientais, habitacionais e urbanísticas de maior complexidade ou que gerem impactos em escala regional.
No evento de lançamento, o foco esteve na união entre o poder público e a sociedade civil para coibir danos ao patrimônio natural. A mesa de trabalhos reuniu lideranças comunitárias, produtores rurais, membros de cooperativas agropecuárias e equipes técnicas multidisciplinares em torno de metas conjuntas de preservação e fiscalização das práticas de campo.

Exposição técnica e funcionamento prático do aplicativo
A condução técnica da apresentação ficou a cargo da Promotora de Justiça e Coordenadora do GAEMA de Campo Mourão, Dra. Rosana Araújo de Sá Ribeiro. Ela detalhou o processo de criação do aplicativo e explicou como a plataforma opera diretamente nos aparelhos móveis para conectar criadores e comunidade aos órgãos fiscalizadores.
A equipe de trabalho contou com a participação da assessora técnica Thalita Andrea Santos Rosa Gorri, da residente jurídica Marta Sousdaleff e do engenheiro agronômico Ricardo Witzel, integrante do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (CAOP) do Meio Ambiente do Ministério Público do Paraná.
Durante a explanação, foram destacados os seguintes aspectos operacionais e objetivos do Pólen APP:
- Registro imediato, por qualquer cidadão, de casos de mortalidade de abelhas e colmeias diretamente pelo smartphone;
- Coleta antecipada de evidências materiais no local do incidente, viabilizando análises laboratoriais antes da degradação dos vestígios;
- Identificação de causas ligadas à ação humana, com foco especial na aplicação inadequada ou irregular de defensivos agrícolas;
- Instauração de procedimentos formais para responsabilização de eventuais infratores e reparação civil dos danos causados ao meio ambiente;
- Histórico acumulado de notificações no Paraná, onde registros enviados por populares já permitiram investigar denúncias que envolveram milhões de abelhas atingidas em território estadual.

Equilíbrio entre lavouras e apicultura no campo regional
Um dos pontos centrais debatidos pela equipe técnica e pelos promotores foi a necessidade de conciliar a produção de grãos e outras culturas com a sobrevivência dos insetos polinizadores. A coordenação do GAEMA esclareceu que o manejo fitossanitário com agroquímicos, desde que respeite rigorosamente as normas técnicas, dosagens e condições climáticas de aplicação, não deve comprometer o ecossistema local.
A cooperação direta entre agricultores, apicultores e meliponicultores foi apontada como fundamental para impedir perdas biológicas severas. Conforme demonstrado pelos técnicos do MPPR, a preservação dos enxames favorece a própria rentabilidade agrícola regional, uma vez que a polinização prestada pelas abelhas melhora a produtividade e a qualidade final de diversas culturas cultivadas no Norte Pioneiro.

Mobilização institucional e presença dos municípios
O encontro registrou ampla adesão de criadores de abelhas com e sem ferrão pertencentes aos municípios que compõem a regional de Santo Antônio da Platina. Diversas comitivas estiveram acompanhadas pelos respectivos secretários municipais de Agricultura e de Meio Ambiente.
Além das administrações locais, participaram ativamente do diálogo representantes dos seguintes órgãos estaduais de controle e extensão rural:
- Instituto Água e Terra (IAT/PR);
- Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR);
- Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR).
Ao longo da solenidade, foi aberto espaço formal para que os produtores e técnicos presentes fizessem perguntas, relatassem desafios diários enfrentados no campo e esclarecessem dúvidas diretamente com os promotores de Justiça e com os peritos agronômicos da instituição.

Destaque da apicultura e exposição da produção de Arapoti
Para ilustrar o peso econômico e cultural do setor na região, o município de Arapoti — apontado como o maior produtor de mel do Paraná — montou uma mostra com itens da cadeia apícola e da agroindústria local no espaço do Sicredi.
Os participantes do evento tiveram acesso a demonstrações e degustações de méis de diferentes floradas, própolis, além de derivados como queijos e geleias produzidos no município. A exposição reforçou o valor socioeconômico da atividade apícola e evidenciou a urgência de ferramentas tecnológicas como o Pólen APP para proteger os criadores paranaenses.
Fonte: NP Diário — Norte Pioneiro — matéria original publicada em npdiario.com. Imagens e vídeos: NP Diário — Norte Pioneiro. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
