São Paulo, SP – O Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou uma recomendação à Prefeitura da capital paulista para que intervenha na administração da Feira da Madrugada do Brás. A gestão do complexo, que é um polo de comércio popular e atrai cerca de 15 mil pessoas diariamente, está sob a responsabilidade da empresa Circuito de Compras, concessionária que, segundo o MP, acumulou uma dívida de R$ 163 milhões e cometeu uma série de irregularidades.

A solicitação do MPSP, parte de um inquérito civil em andamento, exige que a prefeitura e a agência reguladora SP Regula decretem a intervenção na concessão em um prazo de 15 dias. Além disso, o órgão ministerial pede a adoção de providências imediatas para assegurar a preservação do interesse público na execução do contrato.

Irregularidades e Dívida Milionária

As investigações do Ministério Público apontaram diversas falhas na gestão da Circuito de Compras. Entre as principais constatações, estão pendências significativas nos investimentos previstos no contrato de concessão, o registro de dificuldades operacionais que comprometem o funcionamento da feira, e uma elevada ociosidade do espaço, indicando que o potencial do local não está sendo plenamente aproveitado.

A dívida de R$ 163 milhões é o principal fator que, para o MPSP, inviabiliza a continuidade da gestão da empresa. O montante representa um passivo considerável para a concessionária, levantando preocupações sobre a sustentabilidade e a capacidade de cumprimento das obrigações contratuais.

São Paulo (SP), 24/09/2026 - Feira do Brás. Foto: Prefeitura de SP/Divulgação
São Paulo (SP), 24/09/2026 - Feira do Brás. Foto: Prefeitura de SP/Divulgação

Impacto nos Comerciantes e Objetivo da Concessão Frustrado

A Promotoria de Justiça considerou, em sua apuração, relatos de comerciantes e representantes do setor que foram ouvidos durante a investigação. Esses depoimentos revelaram um aumento expressivo nos custos de ocupação dos boxes, o que, consequentemente, resultou na redução da atratividade econômica do empreendimento para os pequenos lojistas.

Um dos pontos cruciais levantados pelo MPSP é a permanência de milhares de comerciantes exercendo suas atividades em vias públicas nas regiões do Brás e do Pari. Essa situação, segundo o órgão, frustra a finalidade pública que motivou a concessão da Feira da Madrugada, que era justamente a de organizar e formalizar o comércio popular, oferecendo um espaço adequado e seguro para os vendedores.

A Promotoria considerou ainda relatos de comerciantes e representantes do setor ouvidos durante a investigação, que apontaram aumento expressivo dos custos de ocupação dos boxes, redução da atratividade econômica do empreendimento e a permanência de milhares de comerciantes exercendo atividades em vias públicas das regiões do Brás e do Pari, circunstâncias que, em tese, frustram a finalidade pública que motivou a concessão.

A Feira da Madrugada do Brás é um ponto de encontro para milhares de pequenos comerciantes que vendem produtos populares, roupas e eletrônicos, sendo um motor econômico importante para a região. A intervenção busca garantir que o espaço cumpra sua função social e econômica de maneira eficiente e transparente.

São Paulo (SP), 24/09/2026 - Feira do Brás. Foto: Prefeitura de SP/Divulgação
São Paulo (SP), 24/09/2026 - Feira do Brás. Foto: Prefeitura de SP/Divulgação

CPI e Posição da Prefeitura

O caso da Feira da Madrugada do Brás não é novidade no cenário político paulistano. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) recente, instalada na Câmara Municipal, já havia investigado denúncias graves relacionadas à gestão do local. Entre as acusações apuradas pela CPI, estavam extorsão de camelôs, venda de produtos falsificados e receptação de mercadorias, crimes que impactam diretamente a segurança e a legalidade do comércio na região.

Na ocasião da CPI, parlamentares da base governista já haviam manifestado a necessidade de revisão da concessão. Essa posição é defendida também pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, o que indica um alinhamento entre o executivo municipal e a recomendação do Ministério Público para a intervenção.

MPSP Recomenda Intervenção na Feira da Madrugada do Brás
Foto: Agência Brasil — Economia

Posicionamento da Concessionária

Até o momento da publicação desta reportagem, a concessionária Circuito de Compras não se manifestou sobre a recomendação do Ministério Público de São Paulo. A Agência Brasil informou que o espaço permanece aberto para qualquer pronunciamento da empresa.

A intervenção, caso seja acatada pela prefeitura, pode significar uma mudança significativa na gestão da Feira da Madrugada, com o objetivo de sanar as irregularidades, regularizar a situação financeira e restabelecer a finalidade pública do empreendimento, beneficiando tanto os comerciantes quanto os consumidores que frequentam o local.

MPSP Recomenda Intervenção na Feira da Madrugada do Brás
Foto: Agência Brasil — Economia

Próximos Passos

Com a recomendação formalizada, a Prefeitura de São Paulo e a SP Regula têm agora um prazo de 15 dias para analisar o pedido do MPSP e decidir sobre a intervenção. A expectativa é que a decisão seja tomada considerando o impacto social e econômico da feira e a necessidade de garantir a conformidade com o contrato de concessão e a legislação vigente.

logo da transparência
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O que isso significa para a região

A Feira da Madrugada do Brás é um epicentro comercial e social de São Paulo, atraindo milhares de pessoas e movimentando a economia local. Uma intervenção na sua gestão, embora possa gerar incertezas iniciais, sinaliza um esforço para regularizar um ambiente de negócios que tem sido palco de irregularidades e que não tem cumprido plenamente seu papel social. Para o Norte Pioneiro do Paraná, que possui seus próprios centros comerciais e feiras populares, a situação serve de alerta para a importância da fiscalização e da transparência na gestão de espaços públicos concedidos à iniciativa privada. A lisura nos contratos e a garantia de que os objetivos sociais e econômicos sejam cumpridos são fundamentais para o desenvolvimento regional e para a proteção dos pequenos comerciantes e consumidores. A notícia reforça a necessidade de um ambiente de negócios justo e regulamentado, onde a concorrência leal e a segurança jurídica prevaleçam.

Fonte: Agência Brasil — Economia — matéria original publicada em agenciabrasil.ebc.com.br. Imagens e vídeos: Agência Brasil — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.