A Namíbia acaba de dar um passo importante em sua matriz energética com a entrada em operação comercial da usina solar fotovoltaica Gerus. Com uma capacidade de 19,3 MW, o projeto é uma iniciativa da desenvolvedora solar Solarcentury Africa, com sede no Reino Unido, e está localizado na região de Kunene, no noroeste do país.
Este empreendimento representa um marco significativo, sendo apenas a segunda usina solar comercial construída especificamente para negociar eletricidade no Southern African Power Pool (SAPP), um mercado regional competitivo que conecta concessionárias e grandes consumidores em toda a África Austral. A primeira usina com essa finalidade foi a Mailo, de 25 MW, na Zâmbia, também da Solarcentury Africa, inaugurada em julho de 2025.
Um Novo Capítulo para a Energia Solar na África
A usina Gerus tem uma expectativa de gerar 50,8 GWh de eletricidade anualmente, volume suficiente para abastecer mais de 14.000 residências namibianas. A energia produzida será comercializada pela Solarcentury Trading, que é membro do SAPP, reforçando a capacidade de fornecimento energético da região.
O financiamento para o projeto Gerus atingiu aproximadamente US$ 20 milhões (cerca de € 18,3 milhões, considerando a cotação da época), marcando o maior investimento do Reino Unido no setor de energia limpa da Namíbia até o momento. Os recursos foram providos pela BB Energy, empresa controladora da Solarcentury Africa.
Tais projetos comerciais desempenham um papel crítico no enfrentamento dos déficits energéticos regionais, ao mesmo tempo em que aceleram a transição para soluções de energia sustentáveis e baseadas no mercado.
Essa declaração da Solarcentury Africa sublinha a importância estratégica de empreendimentos como o Gerus para a segurança energética e o desenvolvimento sustentável do continente.
Expansão e Projeções Futuras
A Solarcentury Africa não para por aí. A empresa já está trabalhando em um terceiro projeto comercial, que consiste em uma expansão de fase dois de 34 MW na usina Mailo, na Zâmbia. A meta ambiciosa da companhia é desenvolver, possuir e operar mais de 320 MW de capacidade solar totalmente comercial até 2027.
A África Solar Industry Association (AFSIA) aponta que a Namíbia já possui 1,49 GW de capacidade solar operacional, conforme dados de seu banco de projetos, com a maior parte concentrada no setor comercial e industrial (C&I). Além disso, há 33 MW adicionais de projetos listados como em construção, indicando um crescimento contínuo e robusto do setor solar no país.
Impacto Regional e Contexto Energético
A operação da usina Gerus não apenas fortalece a matriz energética da Namíbia, mas também contribui para a integração e a segurança energética da África Austral. Ao comercializar energia no SAPP, o projeto permite que a eletricidade gerada seja distribuída de forma mais eficiente, atendendo a demandas em diversos países membros.
Este modelo de usinas solares comerciais, que vendem energia diretamente no mercado, é fundamental para o desenvolvimento de uma infraestrutura energética mais resiliente e menos dependente de fontes fósseis. A capacidade de gerar e comercializar energia renovável de forma competitiva é um motor para o crescimento econômico e para a redução das emissões de carbono na região.
Detalhes do Projeto e Investimento
- Nome do Projeto: Usina Solar Fotovoltaica Gerus
- Localização: Região de Kunene, noroeste da Namíbia
- Capacidade: 19,3 MW
- Desenvolvedora: Solarcentury Africa (com sede no Reino Unido)
- Geração Anual Estimada: 50,8 GWh
- Casas Abastecidas: Mais de 14.000 residências namibianas
- Comercialização: Solarcentury Trading, membro do Southern African Power Pool (SAPP)
- Investimento: Aproximadamente US$ 20 milhões
- Financiador: BB Energy (empresa controladora da Solarcentury Africa)
- Significado: Maior investimento do Reino Unido no setor de energia limpa da Namíbia até o momento.
O Cenário Solar na Namíbia
A Namíbia tem se destacado no cenário solar africano. De acordo com a Africa Solar Industry Association (AFSIA), o país já possui uma capacidade considerável em operação:
- Capacidade Solar Operacional: 1,49 GW (principalmente no setor C&I)
- Capacidade Solar em Construção: 33 MW
Esses números demonstram o compromisso da Namíbia com a energia solar e seu potencial para se tornar um hub de energia renovável na África Austral, contribuindo para a estabilidade e sustentabilidade energética da região.
Próximos Passos da Solarcentury Africa
A empresa Solarcentury Africa mantém um ritmo acelerado de desenvolvimento:
- Primeiro Projeto Comercial SAPP: Usina solar Mailo (25 MW) na Zâmbia, inaugurada em julho de 2025.
- Próximo Projeto: Expansão de fase dois de 34 MW na usina Mailo.
- Meta para 2027: Desenvolver, possuir e operar mais de 320 MW de capacidade solar totalmente comercial.
A estratégia da Solarcentury Africa de focar em projetos comerciais visa preencher lacunas energéticas e acelerar a transição para um modelo de energia mais sustentável e baseado no mercado em toda a África Austral.
Leitura da LZ7 Energia
A entrada em operação de usinas solares comerciais como a Gerus na Namíbia, que vendem energia diretamente para um pool regional, é um exemplo notável de como a energia solar pode não só suprir a demanda local, mas também fortalecer a infraestrutura energética de uma região inteira. Para o Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua, este modelo ressalta o potencial da energia solar para além do consumo individual ou de grandes indústrias. Embora o Brasil tenha um sistema interligado nacional, a experiência africana demonstra a viabilidade e o impacto positivo de investimentos em larga escala para a segurança energética e a competitividade do mercado. A diversificação da matriz energética com fontes renováveis, como a solar, não só diminui a dependência de combustíveis fósseis, mas também pode gerar estabilidade nos preços e atrair investimentos, beneficiando diretamente o consumidor final e impulsionando a economia local, como se observa na Namíbia com o aporte de US$ 20 milhões.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
