O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que irá processar o jornal Haaretz, bem como os autores Shlomi Eldar e Ruth Yaval, em resposta a uma reportagem publicada na terça-feira, 9 de setembro de 2026. A matéria alega que Netanyahu foi alertado sobre os planos do Hamas para uma ofensiva dias antes dos ataques de 7 de outubro de 2023. Em um comunicado divulgado na quarta-feira, 10 de setembro de 2026, na plataforma X, Netanyahu classificou a reportagem como “fabricada” e “falsa”, afirmando ter instruído seus advogados a dar andamento à ação legal.
A reportagem do Haaretz, que desencadeou a controvérsia, sustenta que o presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Mohammed bin Zayed (também conhecido como MBZ), teria avisado Netanyahu sobre um possível ataque do Hamas dez dias antes dos eventos de 7 de outubro de 2023. Naquela data, combatentes palestinos mataram pelo menos 1.195 pessoas no sul de Israel e fizeram cerca de 251 reféns. Estes ataques, por sua vez, desencadearam a guerra em Gaza, que resultou na morte de pelo menos 73.669 palestinos.
Detalhes da Reportagem e Alegações
De acordo com o Haaretz, o presidente dos EAU, Mohammed bin Zayed, teria conversado com Netanyahu por telefone para transmitir o alerta sobre uma ameaça vinda do então líder do Hamas, Yahya Sinwar. A reportagem detalha que Sinwar, irritado com o impasse nas negociações de troca de prisioneiros e com o bloqueio contínuo de Gaza por Israel, teria enviado os avisos aos EAU por meio de um intermediário. Ele teria expressado que estava preparando uma “grande surpresa” e instruído seus contatos a informar Israel para “esperar um terremoto”.
Ainda segundo o Haaretz, MBZ e seus assessores interpretaram essa mensagem como um sinal de um iminente ataque em grande escala e teriam repassado as informações de inteligência à agência de segurança interna de Israel, o Shin Bet. No entanto, a agência teria desconsiderado a ameaça. A reportagem prossegue afirmando que MBZ então elevou o alerta diretamente a Netanyahu, que também teria ignorado a advertência.
Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, recusaram-se a comentar as alegações. O Ministério das Relações Exteriores do país emitiu um comunicado na terça-feira, 9 de setembro de 2026, afirmando que:
O governo dos EAU não comenta histórias da mídia ou especulações sobre conversas entre líderes governamentais.

Contexto Político e Reações de Netanyahu
A publicação da reportagem do Haaretz ocorre em um momento politicamente sensível para Benjamin Netanyahu, que busca garantir sua posição como primeiro-ministro nas próximas eleições para o Knesset (parlamento israelense), agendadas para outubro. Netanyahu tem enfrentado desafios significativos nas pesquisas de opinião, com uma forte concorrência do ex-chefe militar Gadi Eisenkot.
Na quarta-feira, 10 de setembro de 2026, Netanyahu classificou a reportagem do Haaretz como “politicamente motivada” e parte da “campanha eleitoral da esquerda”. Ele também negou veementemente as alegações de uma ligação telefônica com MBZ. Em sua declaração, o primeiro-ministro afirmou:
O Conselho de Segurança Nacional e o Secretário Militar revisaram meticulosamente o registro de chamadas do Primeiro-Ministro para aqueles dias — e não encontraram nenhum vestígio dela.
Em um comunicado separado, Netanyahu também alegou que o responsável pela “falsa reportagem” do Haaretz seria o político palestino Muhammad Dahlan. Dahlan foi expulso do partido Fatah em 2011 após uma disputa de poder com o atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e atualmente reside nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com a mídia israelense, os representantes de Dahlan rejeitaram a alegação.

Repercussões e Implicações
A disputa entre Netanyahu e o Haaretz destaca a intensa polarização política em Israel, especialmente em torno dos eventos de 7 de outubro de 2023 e suas consequências. As alegações de que o primeiro-ministro teria ignorado um aviso prévio, caso fossem comprovadas, poderiam ter sérias implicações para sua imagem e para a confiança pública em sua liderança. No entanto, a veemente negação de Netanyahu e sua decisão de levar o caso aos tribunais indicam uma batalha legal e política prolongada.
A situação também reflete a complexidade das relações internacionais na região, com os Emirados Árabes Unidos se abstendo de comentar diretamente sobre o conteúdo das conversas diplomáticas. A menção a figuras como Muhammad Dahlan adiciona outra camada de intriga, sugerindo possíveis motivações políticas por trás da reportagem, conforme alegado por Netanyahu.
O que isso significa para a região
Este episódio ressalta a fragilidade da estabilidade regional e a profundidade das divisões políticas internas em Israel. A capacidade de um líder de ser transparente e responsável por decisões críticas, especialmente em questões de segurança nacional, é fundamental. A acusação de que informações vitais foram ignoradas antes de um ataque devastador pode erodir a confiança pública e ter consequências duradouras para a paisagem política do país. A judicialização da questão, por sua vez, promete manter o debate aceso e sob os holofotes, enquanto o público aguarda os desdobramentos legais e as próximas eleições.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
