Um novo relatório do Bank of America (BofA) trouxe uma análise detalhada sobre os impactos do fenômeno climático El Niño na cadeia de suprimentos de alimentos global, identificando a Nova Zelândia como o destino mais promissor para mitigar e até mesmo se beneficiar desses choques. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, 19 de agosto de 2026, sugere que, apesar dos riscos generalizados, a estrutura econômica neozelandesa oferece uma proteção única.

El Niño e os Riscos para a Cadeia Alimentar

Historicamente, o El Niño tem sido associado a perdas significativas de colheitas em importantes regiões exportadoras de alimentos. O estrategista do BofA, Oliver Levingston, ressaltou que os riscos atuais são agravados por fatores adicionais, como os preços elevados dos fertilizantes e as persistentes interrupções nas cadeias de suprimentos globais.

Historicamente, o El Niño tem sido associado a perdas generalizadas de colheitas em importantes regiões exportadoras, e os riscos atuais são amplificados pelos preços elevados dos fertilizantes e pelas persistentes interrupções na cadeia de suprimentos.

Oliver Levingston, estrategista do BofA

O relatório aponta que um evento climático El Niño de grande magnitude representa riscos crescentes para a segurança alimentar global. Além disso, as interrupções no fornecimento de insumos como fertilizantes, exacerbadas por desenvolvimentos na região do Estreito de Ormuz, contribuem para um cenário de maior vulnerabilidade.

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A Resiliência da Nova Zelândia

Apesar do cenário global desafiador, a Nova Zelândia emerge como um ponto de resiliência. O BofA destaca a dependência desproporcional do país em relação às exportações agrícolas. Essa característica, que poderia parecer uma vulnerabilidade à primeira vista, é vista como um fator de proteção em um contexto de escassez global de alimentos.

De acordo com o banco, uma perturbação sustentada no fornecimento global de alimentos provavelmente resultaria em um choque positivo nos termos de troca para a Nova Zelândia. Isso significa que, com a redução da oferta global, os produtos agrícolas neozelandeses poderiam ser vendidos a preços mais altos no mercado internacional, impulsionando a economia local.

Impacto Econômico e o Dólar Neozelandês

A análise do BofA sugere que a exposição incomum da economia neozelandesa à agricultura, em comparação com outros mercados do G-10 (grupo das dez principais economias mundiais), cria uma dinâmica particular. O relatório indica que os mercados podem começar a precificar uma perspectiva mais favorável para os termos de troca do país, gerando um risco de alta para o dólar neozelandês (conhecido como kiwi).

O banco prevê uma valorização acentuada da moeda neozelandesa. Essa apreciação seria um reflexo da expectativa de que a Nova Zelândia se beneficie economicamente de um cenário de escassez alimentar global induzida pelo El Niño, devido à sua forte capacidade de exportação agrícola.

Contexto Global e Desafios Futuros

A pesquisa do BofA sublinha a importância de estratégias de mitigação e adaptação diante dos fenômenos climáticos extremos. Enquanto alguns países podem enfrentar dificuldades severas com a redução da produção agrícola e o aumento dos preços, outros, como a Nova Zelândia, podem encontrar oportunidades devido à sua estrutura econômica e à natureza de suas exportações.

A situação global, com interrupções na cadeia de suprimentos e preços de insumos elevados, exige atenção contínua. A capacidade de um país de se adaptar e capitalizar sobre as mudanças climáticas e econômicas será crucial para sua estabilidade e crescimento no futuro próximo.

O que isso significa para a região

Embora a análise do Bank of America se concentre na Nova Zelândia e nos mercados globais, as implicações dos choques do El Niño na cadeia alimentar são relevantes para o Norte Pioneiro do Paraná. A região, com sua forte vocação agrícola, é diretamente impactada por variações climáticas. Secas ou chuvas excessivas, características do El Niño, podem afetar a produtividade das lavouras de grãos e a pecuária, elevando custos de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos para o consumidor local.

A volatilidade nos mercados globais de alimentos, impulsionada por eventos climáticos, pode influenciar os preços de commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, afetando a economia regional. A busca por resiliência e adaptação, como a diversificação de culturas ou a implementação de tecnologias que minimizem os impactos climáticos, torna-se um imperativo para garantir a segurança alimentar e a estabilidade econômica em regiões agrícolas como a nossa.

Leitura da LZ7 Energia

A discussão sobre os impactos do El Niño na cadeia de suprimentos de alimentos e os custos de produção agrícola tem uma ligação direta com a energia. A produção de alimentos é intensiva em energia, desde o bombeamento de água para irrigação, o uso de máquinas agrícolas movidas a combustíveis fósseis, a fabricação de fertilizantes (um processo altamente energético) até o transporte e o armazenamento refrigerado. Quando o El Niño causa perdas de safra, há um aumento na demanda por insumos e uma pressão sobre os preços, o que se reflete também nos custos energéticos da produção e logística. Para o produtor rural do Norte Pioneiro do Paraná, a busca por fontes de energia mais estáveis e econômicas, como a energia solar, pode representar uma estratégia importante para mitigar a volatilidade dos custos operacionais. A energia solar, por exemplo, pode reduzir a dependência de combustíveis fósseveis para irrigação e secagem de grãos, oferecendo maior previsibilidade de custos e contribuindo para a resiliência da cadeia produtiva local em face de choques climáticos e econômicos.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.