A Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (17 de agosto) um conjunto abrangente de sugestões para a reforma do Judiciário. Entre as propostas mais notáveis está uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um mandato fixo de 12 anos para os ministros da Corte, com a previsão de renovação periódica. O documento, fruto de um ano de trabalho, será também encaminhado ao Congresso Nacional e ao Conselho Federal da OAB (CF-OAB) ao longo desta semana.
Mandato Fixo para Ministros do STF: Uma Proposta Antiga e Consensual
A ideia de um mandato para ministros do STF não é nova, mas a OAB-SP a resgata como um ponto central de sua reforma. Segundo Leonardo Sica, presidente da OAB-SP, este modelo já é uma realidade em diversas nações com sistemas jurídicos semelhantes ao Brasil, como Alemanha, Espanha, Itália e Portugal. A proposta visa trazer uma renovação constante e evitar a cristalização de tendências dentro do tribunal.
O mandato me parece algo, hoje em dia, consensual, e a gente está colocando no papel uma ideia que não é nova, e está na hora de ser encarado aqui no Brasil. O mandato é importante porque coloca perspectiva de trabalho para quem está lá, e coloca uma possibilidade de renovação automática, que não depende de aposentadoria, exoneração ou morte das pessoas, e evita a cristalização de tendências. Todo o tribunal tem tendências, e quando muitas pessoas ficam muito tempo lá, podem ter tendências — podem ser boas, podem ser ruins —, então a gente obriga o tribunal a estar sempre atento à própria renovação.
A visão da OAB-SP é que a limitação do tempo de serviço dos ministros pode fomentar uma maior produtividade e um olhar mais dinâmico sobre as questões jurídicas, além de garantir que a composição da Corte reflita de forma mais contínua as mudanças e os anseios da sociedade.

Outras Reformas Propostas e o Processo de Indicação
Além do mandato, a OAB-SP sugere outras modificações significativas no processo de indicação e na composição do STF. Uma das propostas é o aumento da idade mínima para ocupar o cargo de ministro, passando de 35 para 50 anos. Esta alteração busca garantir que os indicados possuam uma experiência de vida e profissional mais consolidada ao assumir uma posição de tamanha responsabilidade.
Outro ponto crucial é a instituição de uma audiência pública prévia à sabatina dos indicados no Senado Federal. Essa audiência contaria com a participação ativa da própria OAB, de faculdades de direito e da sociedade civil, ampliando o escrutínio público e a transparência do processo de escolha dos futuros ministros. A intenção é democratizar a discussão e permitir que diferentes setores da sociedade expressem suas opiniões e preocupações antes da decisão final.

Objetivos e Estrutura das Propostas
O conjunto de ideias apresentadas pela OAB-SP tem como objetivo primordial ampliar a eficiência, a transparência e a acessibilidade do sistema de Justiça brasileiro. O documento é resultado de 12 meses de trabalho da Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário, instituída em junho de 2025.
O relatório final é composto por cinco Propostas de Emenda à Constituição (PECs), diversos projetos de lei, uma proposta de resolução e o apoio institucional a proposições que já estão em tramitação no Congresso Nacional. As indicações estão organizadas em cinco eixos temáticos, que abrangem as principais áreas de preocupação da entidade:
- Integridade: Foco em mecanismos que garantam a conduta ética e imparcial dos membros do Judiciário.
- Morosidade: Busca por soluções para agilizar os processos e reduzir o tempo de tramitação dos casos.
- Estabilidade da Jurisprudência: Propostas para conferir maior segurança jurídica e previsibilidade às decisões judiciais.
- Acesso à Justiça: Medidas para facilitar o acesso de todos os cidadãos aos serviços judiciais.
- Papel do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): Redefinição e otimização das atribuições e do funcionamento dessas importantes instituições.
A expectativa é que essas propostas estimulem um debate amplo e construtivo no Congresso Nacional e na sociedade, culminando em reformas que fortaleçam o sistema de Justiça e a democracia brasileira.
O que isso significa para a região
As propostas de reforma do Judiciário, especialmente as que visam maior transparência e eficiência, podem ter um impacto indireto, mas significativo, para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná. Um sistema judicial mais ágil e previsível é fundamental para o ambiente de negócios, atraindo investimentos e garantindo a segurança jurídica para empresas e cidadãos. A estabilidade da jurisprudência, por exemplo, é um fator que empresários consideram ao planejar expansões ou novos empreendimentos, pois reduz riscos e incertezas. Além disso, um acesso mais facilitado à Justiça beneficia diretamente a população, que pode resolver suas demandas de forma mais rápida e justa, contribuindo para a paz social e o desenvolvimento local.
Fonte: Metrópoles — Nacional — matéria original publicada em metropoles.com. Imagens e vídeos: Metrópoles — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
