O que aconteceu

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez neste ano, o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida foi aplicada em um domingo, 23 de agosto, entre 11h e 13h30, afetando usinas conectadas às redes de distribuição.

Essa ação se deu pela combinação de baixo consumo de energia e elevada produção de micro e minigeração distribuída (MMGD). Antes de recorrer às usinas conectadas às distribuidoras, o ONS já havia imposto restrições significativas à geração eólica e solar no Sistema Interligado Nacional (SIN), com cortes que chegaram a um máximo de 29.891 MW às 11h, e uma média de 20.264 MW entre 6h e 17h.

O acionamento do plano de gestão de excedentes ocorre quando as medidas de restrição em usinas sob controle direto do ONS não são suficientes para manter o equilíbrio entre geração e carga. A primeira vez que esse mecanismo foi utilizado neste ano foi em 7 de junho, quando distribuidoras reduziram em quase 2 GW médios a geração de usinas conectadas às suas redes.

O que muda

A principal mudança é a intervenção direta na produção de energia de usinas conectadas às redes de distribuição, as chamadas usinas Tipo III, que não são despachadas centralizadamente pelo ONS. O operador agora define limites para a produção dessas usinas em situações de excedente.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras cumpriram as determinações, mas reiterou a necessidade de maior clareza e robustez nos critérios e procedimentos para a realização desses cortes.

Quem é afetado

  • Produtores de energia solar e outras fontes conectadas à distribuição: Usinas de micro e minigeração distribuída podem ter sua produção restringida em momentos de excedente.
  • Consumidores de energia: Embora o objetivo seja manter a estabilidade do sistema, a gestão de excedentes reflete a dinâmica de oferta e demanda que, indiretamente, pode impactar a percepção sobre a segurança energética.
  • Empresas distribuidoras de energia: São responsáveis por executar as determinações do ONS, aplicando os cortes nas usinas conectadas às suas redes.

Por que isso importa

Este cenário destaca o desafio de gerenciar um sistema elétrico com crescente participação de fontes intermitentes e descentralizadas, como a energia solar distribuída, especialmente em momentos de baixo consumo. A capacidade de equilibrar a oferta e a demanda de forma eficiente é crucial para a segurança e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional.

A necessidade de acionar cortes emergenciais, mesmo após significativas restrições em usinas de grande porte, sublinha a complexidade da integração da MMGD e a importância de mecanismos de gestão que garantam a confiabilidade da rede elétrica.

Visão LZ7

A LZ7 Energia observa que a crescente participação da micro e minigeração distribuída é um pilar fundamental para a transição energética brasileira. Contudo, eventos como os relatados pelo ONS reforçam a necessidade de um planejamento e de soluções tecnológicas que permitam uma integração ainda mais eficiente dessas fontes ao sistema elétrico. É essencial que os mecanismos de gestão de excedentes sejam transparentes e previsíveis, garantindo a segurança operacional sem desestimular o investimento em energia limpa.

O que acompanhar agora

É importante acompanhar as discussões sobre aprimoramento dos critérios e procedimentos para os cortes de geração, conforme solicitado pela Abradee. A evolução da regulamentação e das ferramentas tecnológicas para a gestão da MMGD e o equilíbrio do sistema elétrico serão cruciais para o futuro do setor.