O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade a extensão do embargo de armas na região de Darfur, no oeste do Sudão, por um período de um mês. A decisão, tomada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, com o voto favorável de todos os 15 membros do conselho, visa manter as medidas existentes enquanto se prolongam as negociações sobre uma proposta dos Estados Unidos para impor uma proibição de armas em todo o território sudanês.
A extensão temporária busca proporcionar tempo adicional para que os membros do conselho cheguem a um consenso sobre potenciais alterações ao regime de sanções. A proposta americana, que tem gerado debate, busca expandir o embargo para todo o Sudão, com o objetivo de intensificar a pressão sobre as partes em conflito para que encerrem a guerra civil que assola o país há mais de três anos.
Negociações em Curso e Proposta Americana
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Jeff Bartos, expressou satisfação com a adoção da extensão, mas reiterou a necessidade de uma revisão mais abrangente das sanções. Segundo Bartos, o regime de sanções atual, estabelecido há mais de 20 anos, está desatualizado e é insuficiente para lidar com a complexidade do conflito contemporâneo no Sudão.
“O atual regime de sanções está desatualizado em mais de 20 anos e é insuficiente para abordar as realidades da guerra hoje”, declarou Jeff Bartos ao Conselho de Segurança.
A proposta dos EUA vai além da expansão geográfica do embargo. Washington sugere que as medidas de listagem sejam ampliadas para incluir ações consideradas hediondas no contexto do conflito, como violência sexual relacionada ao conflito, sequestro para resgate e ataques contra pessoal humanitário. Além disso, a proposta visa fortalecer o mandato e a eficácia do painel de especialistas responsável por monitorar as sanções.
O embargo de armas original sobre a vasta região de Darfur foi imposto pelo Conselho de Segurança em 2003, após o início de um conflito onde rebeldes pegaram em armas contra o governo em Cartum, então liderado por Omar al-Bashir. A resposta governamental incluiu ataques aéreos e uma ofensiva terrestre por milícias ligadas ao governo, conhecidas como Forças de Defesa Popular, ou “Janjaweed” pelos rebeldes, que foram acusadas de assassinatos em massa e estupros. Estima-se que até 300.000 pessoas morreram nesse conflito, e 2,7 milhões foram deslocadas de suas casas.

Divergências e Linhas Vermelhas
A proposta de um embargo de armas nacional enfrenta resistência significativa, especialmente da Rússia, que possui poder de veto no Conselho de Segurança e apoia o governo sudanês em sua luta contra as forças paramilitares. Moscou já deixou claras suas “linhas vermelhas” durante as negociações a portas fechadas.
“Não permitiremos nem mesmo uma sugestão de ampliação das restrições pelo conselho ao Sudão”, afirmou Anna Evstigneeva, vice-embaixadora da Rússia na ONU, na sexta-feira.
Evstigneeva questionou a motivação dos EUA para tentar expandir o embargo neste momento, argumentando que as forças governamentais têm uma “vantagem definitiva no terreno”. Ela contrastou a situação atual com a de 2023, quando as Forças de Apoio Rápido (RSF) ameaçavam a capital, Cartum, e outras cidades, período em que, segundo ela, não houve uma iniciativa similar dos EUA para um embargo mais amplo.
O embaixador do Sudão na ONU, Al-Harith Mohamed, também se manifestou contra um embargo total de armas. Ele argumentou perante o conselho que tal medida contraria a garantia da Carta da ONU de que os países têm o direito à autodefesa e que suas forças armadas têm o direito de produzir e adquirir armas para proteger sua soberania.

Contexto do Conflito Atual e Crise Humanitária
A urgência de um embargo de armas em nível nacional foi destacada pelos EUA em uma reunião do conselho em 24 de agosto, com o objetivo de pressionar o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) a negociar o fim dos combates que eclodiram em abril de 2023.
O conflito atual já resultou na morte de pelo menos 59.000 pessoas, embora organizações de ajuda humanitária alertem que o número real pode ser consideravelmente maior. A guerra também provocou o deslocamento de aproximadamente 13 milhões de pessoas e empurrou partes do país para a fome, criando uma das piores crises humanitárias do mundo. A situação crítica sublinha a necessidade de ações efetivas para mitigar o sofrimento da população e buscar uma solução duradoura para a instabilidade no Sudão.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
