Lima, Peru – O Peru oficializou sua entrada na aliança de segurança regional 'Escudo das Américas', uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos que visa fortalecer a cooperação em inteligência e operações militares contra cartéis de drogas. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, pela recém-eleita presidente peruana, Keiko Fujimori, após um encontro com o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na capital Lima.
Adesão à Aliança e Declarações Oficiais
A decisão do governo peruano de aderir ao 'Escudo das Américas', também conhecido como Coalizão Anticartel das Américas (ACCC), foi apresentada como um passo crucial na luta contra a criminalidade que assola o país. Keiko Fujimori, que assumiu a presidência em julho após uma campanha focada em segurança, destacou a experiência do Peru no combate ao terrorismo como um fator para enfrentar os desafios atuais do crime organizado.
Agradecemos esta oportunidade [de aderir à iniciativa], porque para nós, que já tivemos que enfrentar o terrorismo, sabemos como é difícil confrontar a criminalidade hoje,
declarou a presidente Fujimori. Durante a visita de Rubio, o governo peruano ainda concedeu ao Secretário de Estado a Ordem do Sol, uma das mais altas honrarias civis do país.
Marco Rubio, cuja visita ao Peru encerrou uma turnê de três dias por três países sul-americanos para estreitar laços entre o governo do Presidente Donald Trump e aliados conservadores na região, elogiou a decisão de Fujimori. Ele descreveu a aliança como uma barreira contra ameaças à soberania e aos grupos criminosos transnacionais.
É um escudo contra essas ameaças à soberania dessas nações independentes,
explicou Rubio.
É um escudo contra esses grupos criminosos transnacionais que, em muitos casos, têm mais dinheiro e melhor equipamento militar do que o Estado. Isso é inaceitável, e a única maneira de derrotá-lo é confrontá-lo com força.
O Peru é o segundo maior produtor de cocaína do mundo, atrás da Colômbia, e tem registrado um aumento significativo em crimes como extorsão nos últimos anos, o que reforça a justificativa do governo para a adesão à aliança.

Controvérsias e Preocupações com a Soberania
Apesar do apoio oficial, a maior participação de Washington na segurança regional é um tema controverso, dada a história de intervenções dos EUA na América Latina e o apoio a líderes de direita acusados de abusos de direitos humanos. A correspondente da Al Jazeera, Teresa Bo, ressaltou que a cooperação mais estreita gerou preocupações sobre a possível erosão da soberania latino-americana.
Isso gerou muito medo entre muitas pessoas nesta parte do mundo sobre o que uma maior influência dos Estados Unidos, o que uma influência militar dos Estados Unidos, poderia trazer,
afirmou Bo.
Durante sua visita, Rubio tentou amenizar essas preocupações, garantindo que os EUA só interviriam com a permissão das autoridades locais.
Não faremos nada que nossos parceiros não nos peçam para fazer,
disse Rubio.
Não queremos fazer menos do que vocês nos pedem, mas não faremos mais do que vocês nos pedem.
No entanto, em Lima, manifestantes se reuniram em frente à Casa de Governo, onde ocorria o encontro entre Fujimori e Rubio. Alguns carregavam cartazes com os dizeres: 'Marco Rubio fora do Peru, não ao Escudo das Américas'.
Dissemos que o Peru não é colônia de ninguém, e não é o quintal de nenhum país do mundo,
declarou Soledad Lozano, uma das manifestantes.

Contexto Geopolítico e Econômico
A adesão do Peru à aliança de segurança também se insere em um contexto mais amplo de competição geopolítica na região. O governo Trump tem incentivado países como o Peru a se distanciarem da China, que superou os EUA como principal parceiro comercial do Peru. Em fevereiro, por exemplo, a administração Trump criticou o Peru por permitir que a China construísse um megaporto em Chancay, alertando que 'dinheiro chinês barato custa soberania'.
A China tem grandes investimentos no Peru agora,
explicou Teresa Bo.
Ela controla um porto que fica a 80 km de Lima, e o que os EUA estão tentando fazer é aumentar sua presença no Hemisfério Ocidental e tentar cortar um pouco da dependência econômica que muitos países da América Latina têm com a China.
O Peru é considerado crucial não apenas para a estratégia de segurança dos EUA na América Latina, mas também para seus interesses econômicos. O país é uma importante fonte de recursos minerais, sendo o terceiro maior produtor mundial de cobre. Em janeiro deste ano, Washington designou o Peru como um importante aliado não membro da OTAN, e o Departamento de Estado dos EUA aprovou uma possível venda militar estrangeira de 1,5 bilhão de dólares (aproximadamente 1,4 bilhão de euros) para trabalhos na Base Naval de Callao, o principal centro naval do Peru, próximo a Lima.
Impacto Regional e Futuro
A decisão do Peru de se juntar ao 'Escudo das Américas' reforça a presença dos EUA na América do Sul e pode ter implicações significativas para a dinâmica regional de segurança e comércio. Enquanto o governo peruano aposta na aliança para fortalecer o combate ao crime, a medida reacende debates sobre o papel das potências estrangeiras e a autonomia dos países latino-americanos em suas políticas internas e externas. A comunidade internacional e os cidadãos peruanos observarão de perto os desdobramentos dessa nova fase de cooperação.
Leitura da LZ7 Energia
A adesão do Peru a uma aliança de segurança liderada pelos EUA, embora focada no combate ao narcotráfico, pode ter implicações indiretas para o cenário econômico e de infraestrutura da região, incluindo o setor de energia. A estabilidade política e a segurança são fatores cruciais para atrair investimentos em qualquer área, inclusive em projetos de energia renovável. A competição de influência entre EUA e China, destacada no material, reflete-se também em investimentos em infraestrutura e tecnologia, que podem impactar a matriz energética de países em desenvolvimento. Um ambiente de maior segurança e previsibilidade, ou, por outro lado, de tensões geopolíticas, pode acelerar ou frear o desenvolvimento de projetos de energia solar e outras fontes limpas, essenciais para a transição energética e a economia local, como a do Norte Pioneiro do Paraná. A garantia de um fluxo de investimentos estável e a proteção de infraestruturas críticas, como as redes elétricas, são aspectos que se beneficiam de um cenário de segurança regional robusta, mas que também dependem da manutenção da soberania e da escolha autônoma de parceiros comerciais e tecnológicos.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
