Após quatro meses de intensas investigações, a Polícia Civil do Paraná divulgou nesta sexta-feira (21) detalhes cruciais sobre o desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos. As apurações indicam que as jovens foram assassinadas logo após serem vistas pela última vez, saindo de uma boate em Paranavaí, no noroeste do estado. A descoberta de ossadas em uma área rural próxima a Paraíso do Norte, também no Noroeste do Paraná, reforça a linha de duplo homicídio, e a Polícia Científica trabalha para confirmar se os restos mortais pertencem às vítimas.

Detalhes da Investigação e Descoberta

As investigações, lideradas pelo delegado Luis Fernando Alves Silva, apontam que o crime ocorreu na madrugada do dia 20 de abril, entre 4h e 4h40, logo após as jovens deixarem a boate em Paranavaí. O principal suspeito, Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, foi a última pessoa a ser vista com as primas e estava foragido desde 29 de abril. Clayton foi morto durante uma abordagem policial em Mandaguari, no norte do Paraná, também nesta sexta-feira.

Um segundo suspeito, identificado apenas como 'Magrão', foi preso em Umuarama e transferido para Cianorte. Foi ele quem indicou aos policiais o local exato onde as ossadas foram encontradas. Segundo o delegado, 'Magrão' teria auxiliado Clayton na ocultação dos corpos das vítimas.

"Nós conseguimos identificar que o crime aconteceu após a saída das garotas da boate, de Paranavaí, entre 4h e 4h40 da manhã", detalhou o delegado Luis Fernando Alves Silva, responsável pelas investigações.

Inicialmente, uma das hipóteses consideradas pela Polícia Civil era sequestro e cárcere privado. Contudo, com o avanço das apurações e as recentes descobertas, a linha de investigação principal agora é a de duplo homicídio.

Polícia Civil elucida assassinato de primas desaparecidas em Paranavaí
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

A Motivação e Dinâmica do Crime

A Polícia Civil ainda trabalha para determinar a motivação exata do crime. No entanto, provas colhidas até o momento sugerem que o duplo assassinato foi precedido por uma discussão que começou dentro da boate e se intensificou no carro de Clayton.

"É possível identificar por imagens de monitoramento que haveria uma prévia discussão e que ele estava transtornado com elas, e essa discussão continua dentro do carro [de Clayton]. Ela se intensifica dentro do carro. Nisso, começam as agressões verbais de que um iria matar o outro. Começam essas discussões por conta de desacertos de que um queria ficar com a outra, e por questões comerciais e dinheiro. A discussão se agrava dentro do veículo", explicou o delegado Luis Fernando Alves Silva.

Conforme o relato policial, em determinado momento, Clayton teria sacado uma arma e mandado as jovens descerem do veículo. Uma delas, ao duvidar da ameaça, teria sido baleada na cabeça. A outra jovem tentou fugir, mas também foi atingida por disparos do suspeito.

Ocultação dos Corpos e Ajuda de Comparsa

As investigações apontam que, após cometer os assassinatos, Clayton colocou os corpos das primas na caçamba de sua caminhonete e os transportou até uma região de canavial em Paraíso do Norte, onde os deixou a céu aberto. Em seguida, ele dirigiu até Umuarama, onde, sujo de terra, procurou a ajuda de 'Magrão'. A polícia suspeita que os dois já eram comparsas em crimes anteriores, como tráfico de drogas e roubos a fazendas.

Inicialmente, Clayton não teria revelado a 'Magrão' o que havia acontecido, apenas mencionou que teve "um problema com a polícia" e precisava de apoio para retornar a Cianorte. Chegando em Cianorte, Clayton reuniu pertences, roupas e ferramentas para cavar uma cova. No trajeto de volta para Paraíso do Norte, Clayton teria confessado a 'Magrão' o crime, afirmando ter "cometido o maior erro da vida dele". No local onde havia deixado os corpos, Clayton cavou a cova, e 'Magrão' ajudou a ocultar os cadáveres.

Linha do Tempo do Desaparecimento

A Polícia Civil reconstituiu os últimos momentos das jovens:

  • 20 de abril, 22h39: Letycia e Sttela são vistas saindo de Cianorte na caminhonete com Clayton. Letycia conhecia o suspeito pelo nome de "Davi". Elas partiram da casa de Letycia, sendo esta a última vez que a jovem se conectou à internet, pois não possuía pacote de dados móveis.
  • 20 de abril, 22h54: A mesma caminhonete é filmada por câmeras de segurança entrando na cidade de Jussara, onde Sttela residia com a mãe. A jovem foi até a casa para pegar uma mochila, mas a mãe não estava no imóvel.

O que isso significa para a região

A elucidação deste caso, que gerou grande comoção e angústia na região do Noroeste do Paraná, traz um alívio para a comunidade, ainda que a confirmação das identidades das ossadas esteja pendente. A rapidez na identificação e prisão de um dos suspeitos, e a morte do principal acusado em confronto, demonstram a atuação das forças de segurança em resposta a crimes de grande repercussão. A conclusão da investigação é fundamental para oferecer respostas às famílias das vítimas e restaurar, em parte, a sensação de segurança na área, que foi abalada por este trágico evento. A complexidade do caso, envolvendo múltiplos locais e a participação de mais de um indivíduo, ressalta a importância do trabalho investigativo coordenado.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.