Em meio a um cenário de desafios econômicos que afeta diversas frentes do comércio brasileiro, um setor específico tem se destacado negativamente: o de postos de combustíveis. Longe dos holofotes que acompanham grandes redes varejistas, como a recente crise da Casas Bahia, os estabelecimentos que comercializam combustíveis apresentam uma incidência de recuperações judiciais alarmante, superando em 22 vezes a média do varejo nacional.

A Crise dos Postos em Números

Um estudo detalhado realizado pelo Monitor RGF-BIZDOC revela que o primeiro semestre de 2026 encerrou com um crescimento notável nas recuperações judiciais em todo o comércio. No entanto, o segmento de postos de combustíveis se sobressai de forma preocupante. Até o final de junho, foram contabilizados 182 postos em recuperação judicial, um aumento de 31,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse número representa 18,5% dos 986 CNPJs do varejo atualmente em processo de recuperação.

A dimensão do problema se torna ainda mais evidente ao considerar a proporção: enquanto o varejo em geral registra apenas 0,16 empresa em recuperação judicial para cada mil CNPJs ativos, nos postos esse índice dispara para 3,61 por mil. Para contextualizar, o setor de supermercados, o segundo mais pressionado, aparece com 2,58 recuperações para cada mil empresas, ainda bem abaixo dos postos.

“O quadro chama ainda mais atenção porque o varejo, de maneira geral, não está na linha de frente da crise de insolvência das empresas brasileiras. Seu estoque de recuperações aumentou 20,4% em 12 meses, praticamente acompanhando a alta de 21,2% registrada no conjunto do país. Além disso, a densidade de recuperações do comércio é a menor entre os grandes setores e corresponde aproximadamente à metade da média nacional, de 0,30 por mil empresas”, aponta o estudo.

Isso significa que, embora o varejo como um todo não esteja em uma situação de vulnerabilidade extrema, os postos de combustíveis constituem um caso à parte, com uma fragilidade financeira acentuada.

Margens Apertadas e Pressão Tributária

A explicação para essa vulnerabilidade reside na própria estrutura financeira do negócio. A análise da RGF-BIZDOC aponta que os postos operam com margens operacionais extremamente estreitas, combinadas com um peso significativo dos tributos na formação dos preços. Além disso, o setor é altamente regulado, especialmente após diversas investigações sobre o uso dessas estruturas para lavagem de dinheiro. Essa combinação deixa pouco espaço para absorver choques financeiros.

Uma empresa que trabalha com margem pequena necessita de um volume de vendas elevado e um controle rigoroso de custos e capital de giro. Qualquer aumento nas despesas financeiras, tributárias ou operacionais pode levar a uma rápida deterioração do caixa. O relatório identifica essa combinação como uma das principais razões para a concentração de recuperações judiciais no segmento.

É importante destacar que uma grande parte do valor que o consumidor paga na bomba não se reverte em margem para o posto. O preço final inclui o custo de aquisição do combustível, impostos e outros componentes da cadeia, o que explica por que um negócio com alto faturamento pode ter uma folga financeira muito menor do que se imagina.

Postos de Combustíveis no Varejo: Crise Silenciosa e Recuperações Judiciais em Alta
Foto: InfoMoney — Economia

Cresce o Cerco ao Devedor Contumaz e a Fiscalização

Outro fator que intensificou a pressão sobre os postos em 2026 foi o aumento da fiscalização e o cerco ao chamado devedor contumaz. A Lei Complementar 225, sancionada em janeiro deste ano, estabeleceu critérios nacionais para caracterizar esse tipo de contribuinte, que utiliza de forma reiterada e injustificada o não pagamento de tributos.

No âmbito federal, a legislação considera, entre outros requisitos simultâneos, a existência de créditos tributários irregulares de pelo menos R$ 15 milhões e superiores a 100% do patrimônio conhecido do contribuinte. A norma prevê processo administrativo, notificação prévia e possibilidade de defesa, distinguindo dificuldades financeiras pontuais de inadimplência substancial e reiterada.

O tema é particularmente sensível no mercado de combustíveis, e a Receita Federal já inclui empresas ligadas à distribuição e ao varejo de combustíveis na lista de contribuintes classificados como devedores contumazes. Para o Monitor RGF-BIZDOC, o avanço desse cerco regulatório e tributário é um dos fatores a serem acompanhados nos próximos trimestres, pois pode acelerar tanto processos de recuperação quanto falências no segmento.

A fiscalização também se intensificou em outras frentes. Em julho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou 260 ações em uma única semana, com foco em preços considerados abusivos, sendo 239 delas em postos revendedores de combustíveis líquidos.

Por Que Tantos Postos em Recuperação, Mas Poucas Falências?

Apesar do alto número de recuperações judiciais, os postos de combustíveis estão longe de liderar as estatísticas de falências. Dos 182 postos em recuperação judicial, o estudo contabiliza apenas 30 empresas falidas no segmento. Essa relação de 0,16 falência para cada recuperação é muito inferior à média de 0,70 registrada no varejo em geral.

Em contraste, outros setores apresentam cenários opostos:

  • Material de Construção: 70 empresas em recuperação e 100 falidas.
  • Óptica: 10 recuperações contra 42 falências.
  • Móveis e Iluminação: 23 recuperações contra 38 falências.

Essa diferença ajuda a entender por que a recuperação judicial é uma alternativa atraente para um posto. Diferentemente de uma pequena loja que pode simplesmente encerrar as atividades, um posto possui ativos específicos e de alto valor, como tanques, instalações, licença ambiental, ponto comercial e, em muitos casos, uma bandeira. O conjunto tende a valer mais em funcionamento do que desmontado ou liquidado.

Postos de Combustíveis no Varejo: Crise Silenciosa e Recuperações Judiciais em Alta
Foto: InfoMoney — Economia

Portanto, mesmo diante de uma situação financeira grave, credores e proprietários têm maior incentivo para renegociar as dívidas e preservar a operação. O estudo conclui que a existência desses ativos torna a recuperação judicial economicamente mais racional no segmento, transformando a crise em uma mesa de negociação com credores, em vez de uma falência total.

O Cenário Geral do Varejo e a Peculiaridade dos Postos

No conjunto do comércio, o cenário é menos agudo. O número de CNPJs em recuperação judicial passou de 819 em junho de 2025 para 986 em junho de 2026, um crescimento de 20,4%. No primeiro semestre, a alta foi de 6,6%, com sinais de desaceleração nas entradas líquidas de empresas em recuperação.

Para os responsáveis pelo levantamento, o comportamento geral do varejo acompanha o ciclo de insolvência brasileiro, mas não é seu principal motor. A situação dos postos, contudo, segue na direção oposta, concentrando quase uma em cada cinco recuperações judiciais do varejo e registrando um crescimento de 31,9% em um ano. Essa combinação de margens estreitas, elevada carga de custos e o valor intrínseco dos ativos torna o setor de combustíveis um caso peculiar, onde a crise se resolve mais na renegociação do que na falência completa.

Leitura da LZ7 Energia

A situação dos postos de combustíveis, marcada por margens estreitas e alta carga tributária, ressalta a importância da busca por eficiência energética e redução de custos operacionais em qualquer modelo de negócio. Para empresas que dependem intensamente de energia, como os postos que mantêm iluminação, bombas e sistemas de conveniência 24 horas, a adoção de fontes de energia mais limpas e econômicas, como a solar, pode representar um diferencial competitivo crucial. A energia solar, ao reduzir significativamente os gastos com eletricidade, oferece uma oportunidade para aliviar a pressão sobre as margens de lucro e fortalecer a saúde financeira, contribuindo para a sustentabilidade do negócio a longo prazo e diminuindo a vulnerabilidade a choques econômicos e regulatórios. No Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua, a transição para a energia solar pode ser um caminho estratégico para empresas de diversos setores, incluindo o de combustíveis, buscando maior resiliência e autonomia energética.

Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.