O programa 'Colômbia Solar', uma ambiciosa iniciativa que previa a instalação de sistemas fotovoltaicos em residências de baixa renda, está sob escrutínio e revisão do novo governo colombiano. A Ministra de Minas e Energia, María Nohemí Arboleda, anunciou a suspensão do projeto, que possui um orçamento de COP 4,2 trilhões (equivalente a US$ 1,35 bilhão), devido à aparente falta de progresso e a questionamentos sobre a gestão de contratos e a alocação de recursos.

A iniciativa, estruturada pela administração anterior, tinha como objetivo beneficiar mais de meio milhão de usuários em 13 departamentos do país. No entanto, a ministra Arboleda expressou sérias preocupações com a implementação, destacando que, apesar do vultoso orçamento alocado, o programa atualmente não possui “usuários conectados”.

Revisão Abrangente e Preocupações da Ministra

A decisão de revisar o programa 'Colômbia Solar' foi motivada por uma série de irregularidades e a ausência de resultados concretos. A Ministra María Nohemí Arboleda mencionou que a equipe está examinando contratos com escopos semelhantes, casos em que contratados individuais detinham até cinco contratos, dúvidas sobre os locais de trabalho de funcionários e a falta de relatórios de monitoramento.

“Obviamente, o projeto não pode continuar até que haja clareza sobre o que está acontecendo, porque envolve um orçamento alocado sem progresso a ser mostrado”, declarou Arboleda em comentários transmitidos pela Blu Radio.

Essa revisão segue uma ordem anterior do novo governo para examinar diversas ações relacionadas ao programa, que já havia gerado uma disputa entre a administração que se despedia e a equipe do novo Presidente Abelardo De La Espriella em julho.

Detalhes do Programa 'Colômbia Solar'

O programa 'Colômbia Solar' foi lançado em setembro de 2025 por meio do Decreto 0972 e posteriormente regulamentado pela Resolução 40159 de 2026. Um mês depois, o documento 4158 do Conselho Nacional de Política Econômica e Social da Colômbia destinou COP 8,35 trilhões para o programa entre 2026 e 2030, com a meta de levar sistemas fotovoltaicos a aproximadamente 1,3 milhão de residências.

O acordo de COP 4,2 trilhões, especificamente citado pela ministra, refere-se a um convênio interadministrativo assinado em 29 de dezembro de 2025, entre o Ministério de Minas e Energia e a empresa estatal de energia Generadora y Comercializadora de Energía del Caribe (Gecelca). Este acordo tem um período de implementação de cinco anos, estendendo-se até dezembro de 2030, e visava atender a 563.057 usuários.

Abrangência e Metas

O programa cobre o projeto, fornecimento e instalação de sistemas solares fotovoltaicos para usuários nas camadas socioeconômicas 1, 2 e 3 – as três mais baixas do sistema de classificação colombiano – conectados ao Sistema Interligado Nacional. Os departamentos abrangidos incluem:

  • Atlántico
  • Bolívar
  • Cesar
  • Norte de Santander
  • Santander
  • Antioquia
  • Boyacá
  • Cundinamarca
  • Chocó
  • La Guajira
  • Magdalena
  • Córdoba
  • Sucre

É importante notar que, em agosto, um processo de aquisição separado, gerenciado pelo Fundo para Energia Não Convencional e Gestão Eficiente de Energia (Fenoge), avaliado em aproximadamente COP 164 bilhões, foi cancelado. Este processo, que cobria a implementação, operação, manutenção e monitoramento de sistemas fotovoltaicos, estava sob escrutínio da Procuradoria Geral da República e é distinto do acordo de COP 4,2 trilhões assinado com a Gecelca.

Acordos de Cooperação Energética com os EUA

A revisão do 'Colômbia Solar' ocorre em meio a uma mudança mais ampla na política energética do país. Os governos da Colômbia e dos Estados Unidos assinaram dois memorandos de entendimento em Barranquilla, na terça-feira (9 de setembro de 2026), cobrindo minerais estratégicos e cooperação nuclear civil. Os acordos foram firmados durante uma visita do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que se reuniu com o presidente De La Espriella.

No que diz respeito à energia nuclear, o memorando estabelece uma estrutura não vinculante para cooperação. Segundo o Ministério de Minas e Energia da Colômbia, ele facilitará intercâmbios técnicos, capacitação regulatória, treinamento de mão de obra e pesquisa científica, bem como avaliações de potenciais aplicações da tecnologia nuclear para a segurança energética. O acordo não prevê a construção de reatores nucleares na Colômbia e não identifica projetos específicos, locais, tecnologias, capacidades ou prazos para usinas nucleares. O ministério descreveu o memorando como a abertura de espaço para um “diálogo técnico, gradual e responsável” sobre potenciais aplicações da tecnologia nuclear.

Um Memorando de Entendimento de Cooperação Nuclear (NCMOU) por si só não autoriza a exportação de materiais ou equipamentos dos EUA para projetos de reatores. Sob as regras dos EUA, tais transferências exigem um acordo de cooperação nuclear em conformidade com a Seção 123 da Lei de Energia Atômica dos EUA.

Após a assinatura, a Ministra Arboleda afirmou que a Colômbia busca transformar seu potencial de mineração e energia em “indústria, emprego formal, inovação e desenvolvimento para as regiões”, acrescentando que a cooperação com os Estados Unidos forneceria ferramentas técnicas para apoiar esse objetivo.

Impacto para a Região e o Futuro da Energia

A paralisação de um programa de energia solar de tamanha magnitude na Colômbia, mesmo que temporária, ressalta a complexidade e os desafios inerentes à implementação de grandes projetos de infraestrutura, especialmente aqueles que envolvem o setor público e visam o desenvolvimento social. A revisão rigorosa por parte do novo governo, embora possa atrasar a entrega de benefícios aos usuários, é um passo crucial para garantir a transparência, a eficiência e a correta aplicação dos recursos públicos.

A busca por clareza na gestão e a exigência de resultados concretos são fundamentais para a credibilidade de qualquer iniciativa de transição energética. A Colômbia, ao mesmo tempo em que reavalia seus programas internos, busca fortalecer laços internacionais para o desenvolvimento de outras fontes de energia, como a nuclear e minerais estratégicos, indicando uma estratégia energética diversificada e de longo prazo. Este cenário demonstra que, mesmo com o ímpeto global por energias renováveis, a governança e a fiscalização são pilares essenciais para o sucesso e a sustentabilidade desses projetos.

Leitura da LZ7 Energia

A situação na Colômbia, onde um programa solar de grande escala para famílias de baixa renda está sob revisão devido à falta de resultados e preocupações com a gestão, serve como um alerta importante para o setor de energia solar. Mesmo com o crescente interesse e a necessidade de expandir a geração distribuída, especialmente para comunidades vulneráveis, a transparência na aplicação de recursos e a eficácia na execução dos projetos são cruciais. Para o Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua, a lição é clara: a expansão da energia solar, seja por meio de incentivos governamentais ou iniciativas privadas, deve ser acompanhada de uma gestão rigorosa e da entrega de benefícios tangíveis aos consumidores. A confiança no setor é construída não apenas pela promessa de economia na conta de luz e sustentabilidade, mas também pela garantia de que os investimentos se traduzam em sistemas instalados e funcionando, gerando energia e valor para as famílias e empresas locais.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.