A Qcells, uma das líderes globais no setor de energia solar, anunciou uma importante iniciativa que promete reconfigurar parte de sua cadeia de suprimentos e fortalecer a produção local nos Estados Unidos. A empresa planeja introduzir, até o final de 2026, novas versões de seus painéis solares residenciais que incluirão estruturas de alumínio fabricadas inteiramente em solo americano. Essa movimentação estratégica tem como objetivo principal auxiliar instaladores residenciais e provedores de TPO (Third-Party Ownership – Propriedade por Terceiros) a se qualificarem para o bônus adicional do Crédito Fiscal de Investimento (ITC) para conteúdo doméstico.

As linhas de produtos residenciais atualizadas, que abrangem os modelos Q.Tron AC e Q.Peak Duo AC da Qcells, passarão a incorporar estruturas de alumínio que serão extrudadas, anodizadas e fabricadas na instalação integrada do Grupo Aluko, localizada em Halls, Tennessee. A decisão de manter todas as três etapas cruciais da fabricação das estruturas – extrusão, anodização e fabricação – dentro dos Estados Unidos visa proporcionar maior clareza e segurança para instaladores e parceiros financeiros na avaliação da conformidade com as diretrizes de conteúdo doméstico.

Incentivo à Produção Local e Bônus Fiscais

A iniciativa da Qcells surge em um momento em que o limiar estatutário de conteúdo doméstico para projetos de energia limpa nos Estados Unidos começa a aumentar, caminhando para 55% para projetos cuja construção se inicia em 2027. De acordo com as orientações do Departamento do Tesouro americano, o hardware solar deve atender a limites específicos de fabricação doméstica para se qualificar para um bônus de crédito fiscal de 10%.

“Através desta parceria para produzir módulos com estruturas domésticas, estamos reforçando nosso compromisso com a fabricação nos EUA, apoiando energia limpa e acessível e dando aos nossos clientes a certeza de que precisam para qualificar projetos para o bônus de conteúdo doméstico”, afirmou Il Hyeong No, chefe da divisão residencial da Qcells na América do Norte.

Essa estratégia não apenas alinha a Qcells com as políticas governamentais de incentivo à produção local, mas também posiciona a empresa como um parceiro confiável para empresas que buscam maximizar os benefícios fiscais em seus projetos solares.

O Papel do Grupo Aluko no Tennessee

A localização da cadeia de suprimentos em Tennessee é um pilar fundamental para esta nova fase da Qcells. A fábrica do Grupo Aluko no Condado de Lauderdale, Tennessee, tem previsão de atingir sua plena produção comercial até o final de 2026. Uma vez em operação, a planta terá uma capacidade anual planejada para fabricar estruturas suficientes para suportar 4 GW de módulos solares. O Grupo Aluko planeja investir mais de US$ 107 milhões (aproximadamente R$ 570 milhões, considerando a cotação atual) na instalação ao longo de cinco anos, criando 285 empregos em tempo integral.

A Aluko destaca que sua operação é a única nos EUA a realizar todas as três principais etapas de produção de estruturas – extrusão, anodização e fabricação – sob o mesmo teto. Essa integração vertical no processo de fabricação das estruturas é um diferencial que garante maior controle de qualidade e rastreabilidade, elementos cruciais para a certificação de conteúdo doméstico.

“Ao realizar a extrusão, anodização e fabricação aqui nos Estados Unidos, estamos entregando um produto que oferece transparência e confiança em cada etapa do processo”, disse Jinwoo Park, presidente do Grupo Aluko.

Essa expansão complementa a estratégia mais ampla de fabricação doméstica da Qcells, que já possui operações verticalmente integradas em Dalton e Cartersville, Geórgia, onde a empresa mantém grandes operações de montagem de módulos e componentes.

USA Week 2026
USA Week 2026

Debate sobre a Cadeia de Suprimentos Solar nos EUA

A discussão sobre o escalonamento das cadeias de suprimentos solares nos EUA e as regras de conteúdo doméstico é um tema de grande relevância no setor. Para aprofundar o debate, a pv magazine USA Week de 2026 sediará uma sessão intitulada 'Scaling Solar Production in the U.S.' (Escalando a Produção Solar nos EUA).

Este painel abordará a execução prática de anúncios impulsionados por políticas, o escalonamento da produção doméstica e a navegação por complexos limiares de conteúdo doméstico. A sessão contará com a participação de Danielle W. Merfeld, diretora de tecnologia global da Qcells, ao lado de outros especialistas renomados, como Finlay Colville, fundador da Terawatt PV Research; Jim Wood, CEO da SEG Solar; e Zennia Villanueva, vice-presidente de qualidade da RETC, parte do Grupo VDE.

O evento oferece uma oportunidade valiosa para profissionais do setor entenderem os desafios e as oportunidades na construção de uma cadeia de suprimentos solar mais robusta e autossuficiente nos Estados Unidos.

O que isso significa para a região

Embora a notícia se refira a um movimento estratégico da Qcells no mercado norte-americano, ela reflete uma tendência global de fortalecimento das cadeias de suprimentos locais e de busca por maior autonomia na produção de componentes para energia solar. Para o Norte Pioneiro do Paraná e para o Brasil, essa iniciativa sinaliza a importância de políticas de incentivo à fabricação nacional e à inovação tecnológica no setor de energias renováveis.

A medida da Qcells mostra que a origem dos componentes e a conformidade com requisitos de conteúdo local estão se tornando fatores decisivos para a competitividade e o acesso a benefícios fiscais. Isso pode inspirar discussões e ações no Brasil para fortalecer a indústria solar nacional, gerando empregos e valor agregado localmente, ao invés de depender exclusivamente de importações. A aposta em produção verticalizada, como a do Grupo Aluko, também demonstra um caminho para a otimização e controle de qualidade na fabricação de equipamentos solares, um modelo que pode ser replicado ou adaptado em outras regiões.

Leitura da LZ7 Energia

A decisão da Qcells de fabricar estruturas de painéis solares nos EUA, visando incentivos fiscais e fortalecimento da cadeia de suprimentos, ressalta a importância da localização da produção para a segurança energética e o desenvolvimento econômico. Para o Brasil, e em especial para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná, isso serve como um lembrete da necessidade de políticas que estimulem a fabricação de componentes solares localmente. Uma maior autonomia na produção de equipamentos fotovoltaicos pode reduzir a dependência de importações, estabilizar custos, criar empregos qualificados e fomentar a inovação tecnológica. Além disso, a capacidade de produzir componentes 'made in Brazil' poderia, no futuro, qualificar projetos para eventuais incentivos fiscais ou linhas de financiamento que valorizem o conteúdo nacional, beneficiando diretamente o consumidor final com a possibilidade de sistemas mais acessíveis e a economia regional com a geração de valor em toda a cadeia produtiva.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.