A indústria automotiva brasileira recebe um novo e robusto impulso com o anúncio de um investimento adicional de R$ 2 bilhões, fruto da parceria estratégica entre a montadora francesa Renault e a gigante chinesa Geely. Este aporte eleva o investimento total da colaboração para R$ 5,8 bilhões, a ser concluído até o final de 2027. Os recursos serão direcionados para o desenvolvimento do primeiro veículo resultante dessa união e para o avanço da tecnologia híbrida a etanol, consolidando a presença das empresas no mercado de veículos eletrificados.
Expansão e Liderança no Mercado Latino-Americano
A ambição por trás deste investimento é clara: posicionar a Renault Geely do Brasil como líder no mercado automotivo nacional e latino-americano a longo prazo. A declaração foi feita por Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, durante uma coletiva de imprensa realizada na fábrica da Renault Geely do Brasil, localizada no Paraná. A união das forças de ambas as empresas visa combinar seus pontos fortes para atingir essa meta ambiciosa.
“A ambição é que, unindo os pontos fortes da Renault e da Geely, nos tornemos líderes no Brasil e no mercado latino-americano a longo prazo”, afirmou Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group.
Além do novo investimento, a empresa confirmou o início da produção da tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4x4 flex fuel no Brasil em 2027. A Renault Geely do Brasil também já deu início à produção local do modelo Geely EX5 EM-i Hybrid no começo deste mês, com lançamento previsto para o final do ano. A produção do modelo 100% elétrico EX2, em São José dos Pinhais, Paraná, está programada para começar em dezembro, com um preço de R$ 123.800 na versão de entrada, buscando atrair o consumidor brasileiro.

Detalhes da Parceria e Estratégia
A colaboração entre Renault e Geely foi formalizada em novembro de 2025, com um investimento inicial conjunto de R$ 3,8 bilhões (equivalente a US$ 714 milhões). O objetivo era produzir dois modelos da marca chinesa na fábrica da Renault no Paraná, visando maior competitividade no maior mercado automobilístico da América do Sul. Como parte do acordo, a Geely adquiriu uma participação de cerca de 26% na Renault do Brasil, garantindo acesso à rede de distribuição da Renault e a um centro de engenharia. A operação passou a ser denominada Renault Geely do Brasil, sob a liderança do argentino Ariel Montenegro.
Montenegro expressou a expectativa de que a união resulte em custos competitivos que permitam a exportação de carros eletrificados para países vizinhos, que atualmente importam diretamente da China. Ele também destacou o avanço na nacionalização de peças como um fator crucial para essa competitividade.
“Quando vim ao Brasil há dois anos, pensei que estava na hora de despertar e saber para onde ir”, declarou François Provost, CEO do grupo Renault.
Provost, um dos idealizadores da parceria quando chefiava a área de compras e que assumiu o comando global do grupo em julho de 2025, enfatizou a necessidade de acompanhar a velocidade dos concorrentes chineses. Ele ressaltou que o Brasil e a América do Sul, juntamente com a Índia, são prioridades para a expansão das vendas do grupo Renault fora da Europa. A Geely, por sua vez, demonstrou maturidade para essa parceria, trazendo seu conhecimento avançado em eletrificação, enquanto a Renault oferece sua estrutura industrial e comercial de 26 anos no Brasil para facilitar a entrada da Geely no país.
Alianças Estratégicas e Cenário Global
O modelo de aliança entre Renault e Geely é inovador, mas não é a primeira experiência de colaboração entre as duas montadoras. Elas já possuem um acordo semelhante na Coreia do Sul, onde a Renault utiliza uma plataforma da chinesa. Em 2024, uniram-se na Horse, uma fabricante global de motores que pertencia à Renault. A América do Sul, tradicionalmente dominada por marcas americanas e europeias, tornou-se um foco crescente para fabricantes chineses, especialmente diante das tentativas de proteção de mercado nos EUA e na União Europeia por meio de tarifas de importação.
“Estamos firmando parcerias para acelerar nossa execução. O que isso significa agora, em um mundo disruptivo pela concorrência chinesa, é ganhar em velocidade e em custo”, explicou Fabrice Cambolive, diretor de crescimento do grupo Renault.
Fabrice Cambolive, diretor de crescimento do grupo Renault, destacou a importância das parcerias para acelerar a execução em um cenário de concorrência chinesa disruptiva, visando ganhar em velocidade e custo. Ele reiterou o relançamento da atuação no Brasil com o objetivo de ser líder ou um dos líderes em um mercado em transformação radical. A Renault tem buscado diversas parcerias tecnológicas para expandir sua atuação fora da Europa, incluindo acordos com Qualcomm, Google (Alphabet) e Geely. A expansão das montadoras chinesas na Europa intensificou a concorrência no segmento de modelos acessíveis, área tradicionalmente forte da Renault.
Impacto da Concorrência Chinesa no Brasil
A nova ofensiva chinesa no mercado brasileiro começou em 2023, com a entrada de BYD e Great Wall Motor, que trouxeram modelos eletrificados a preços altamente competitivos. Essa movimentação levou montadoras tradicionais a ajustar suas tabelas para manter a competitividade. Atualmente, as marcas chinesas detêm 18,3% de participação de mercado no Brasil no acumulado dos oito primeiros meses do ano, conforme dados da Fenabrave. Este cenário de intensa concorrência e a crescente demanda por veículos eletrificados moldam o futuro da indústria automotiva no país.
Leitura da LZ7 Energia
O investimento bilionário da Renault e Geely na produção de veículos elétricos e híbridos a etanol no Paraná representa um marco significativo para o setor energético brasileiro. A crescente eletrificação da frota veicular impulsiona a demanda por infraestrutura de recarga e, consequentemente, por energia elétrica limpa e sustentável. A aposta em tecnologia híbrida a etanol também reforça o papel do Brasil como líder em biocombustíveis, promovendo uma transição energética mais diversificada. Para a LZ7 Energia, este movimento indica um futuro com maior consumo de energia no transporte, abrindo oportunidades para soluções de geração distribuída, especialmente solar, que podem abastecer tanto as fábricas quanto os pontos de recarga e os próprios consumidores de veículos elétricos, contribuindo para a redução da pegada de carbono e para a economia local no Norte Pioneiro do Paraná e em todo o estado.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
