Em um debate sobre os rumos da educação paranaense, o candidato ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), manifestou posicionamento claro sobre o modelo de gestão das escolas estaduais. Durante entrevista concedida à Rádio Jovem Pan, transmitida ao vivo nesta terça-feira, 18 de agosto, o político defendeu o retorno integral ao modelo de escola pública tradicional, ao mesmo tempo em que teceu críticas contundentes à manutenção das escolas cívico-militares no estado.
A principal argumentação de Requião Filho reside na separação das funções entre educação e segurança pública. Para o candidato, a presença de policiais militares dentro das salas de aula ou na gestão pedagógica das instituições de ensino não se alinha com a finalidade educacional. Ele enfatizou que a expertise da polícia deve ser direcionada para a segurança da comunidade e do entorno escolar, e não para a atuação direta no ambiente pedagógico.
Crítica ao Modelo Cívico-Militar
A pauta das escolas cívico-militares tem sido um dos pontos de debate mais acalorados na educação brasileira nos últimos anos. O modelo, que incorpora elementos da disciplina militar na rotina escolar e, em muitos casos, conta com a presença de policiais e militares da reserva na gestão e no corpo disciplinar, foi implementado em diversas unidades de ensino no Paraná e em outros estados.
Requião Filho, no entanto, questionou a eficácia e o propósito dessa abordagem. Segundo sua visão, o modelo atual não tem demonstrado resultados que justifiquem a descaracterização da escola pública tradicional. Ele argumenta que a essência da educação deve ser preservada, com profissionais da área pedagógica à frente das atividades de ensino e aprendizagem.
“Voltamos ao modelo de escola pública. Quero polícia na escola, quero, fazendo segurança, estando integrada com a comunidade, participando do que a polícia sabe fazer, que é policiar. Policial dentro da escola não fez sentido até agora.”
A declaração do candidato reforça a ideia de que a polícia tem um papel fundamental, mas que este deve ser exercido em sua área de competência, que é a segurança pública, em uma colaboração externa com as escolas, e não como parte integrante da estrutura educacional interna.

O Papel da Polícia na Segurança Escolar
A proposta de Requião Filho não exclui a necessidade de segurança nas escolas. Pelo contrário, ele ressalta a importância da atuação policial, mas de uma forma que seja complementar e externa ao ambiente educacional. A visão apresentada é de que a polícia deve estar presente na comunidade, garantindo a segurança do entorno escolar e agindo em situações que demandem sua intervenção, mas sem se imiscuir nas atribuições pedagógicas.
Essa abordagem sugere um reforço na segurança pública ao redor das instituições de ensino, com patrulhamento e ações preventivas que garantam a tranquilidade de alunos, professores e funcionários. A integração com a comunidade, mencionada pelo candidato, aponta para uma parceria estratégica entre as forças de segurança e o corpo escolar, focada na proteção e no bem-estar, sem desvirtuar o foco educacional da escola.
Contexto das Eleições 2026
A declaração de Requião Filho ganha relevância no cenário político paranaense, especialmente com as Eleições de 2026 se aproximando. A educação é um tema central em qualquer pleito, e as propostas para o setor costumam polarizar opiniões e mobilizar o eleitorado. A posição do candidato do PDT sobre as escolas cívico-militares e o retorno ao modelo público tradicional pode se tornar um dos pilares de sua campanha, diferenciando-o de outros concorrentes.
O debate sobre a gestão escolar e o papel das forças de segurança nas instituições de ensino é complexo e envolve diferentes perspectivas sobre disciplina, desempenho acadêmico e ambiente de aprendizado. A proposta de Requião Filho busca reorientar o foco para uma educação gerida por educadores, com a segurança garantida por profissionais da área, cada um em seu respectivo campo de atuação.
Impacto na Rede de Ensino do Paraná
Caso a proposta de Requião Filho venha a ser implementada, ela representaria uma mudança significativa na rede estadual de ensino do Paraná. A desativação do modelo cívico-militar e a transição de volta para o formato de escola pública tradicional implicariam em reestruturações administrativas, pedagógicas e de pessoal nas unidades que atualmente operam sob o regime cívico-militar.
Essa transição demandaria planejamento e recursos para garantir que a qualidade do ensino não seja afetada e que a adaptação seja feita de forma suave para alunos, professores e toda a comunidade escolar. A discussão sobre a melhor forma de educar e proteger os jovens paranaenses continua sendo um ponto crucial para o futuro do estado.
Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
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