Em um evento que movimentou o cenário político e de engenharia do Paraná, Requião Filho (PDT), candidato ao Governo do estado, apresentou suas propostas para a infraestrutura ferroviária local. Durante palestra realizada nesta sexta-feira, dia 11, no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), transmitida ao vivo para um público atento, o candidato enfatizou a necessidade urgente de revitalização da malha ferroviária paranaense, que, segundo ele, encontra-se em grande parte abandonada.

A principal bandeira levantada por Requião Filho é a de solicitar ao Governo Federal a devolução da concessão da malha ferroviária do estado, caso seja eleito. A iniciativa visa a uma gestão estadual direta sobre as ferrovias, com o objetivo de promover investimentos e expandir o serviço para além dos atuais beneficiários.

Plano de Recuperação e Financiamento Internacional

O candidato detalhou um plano ambicioso para a recuperação da infraestrutura ferroviária. Ele estimou que o custo para reativar e modernizar a malha seria de aproximadamente R$ 60 bilhões. Para viabilizar esse montante, Requião Filho indicou a possibilidade de buscar financiamento internacional, mencionando países como a China e os Estados Unidos como potenciais interessados em investir no projeto, inclusive com a possibilidade de oferecer juros zero.

A proposta de buscar capital estrangeiro para um projeto de infraestrutura de tal magnitude no Paraná representa uma abordagem que visa a contornar as limitações orçamentárias internas e acelerar a execução das obras necessárias para a retomada das ferrovias.

Requião Filho Propõe Retomada Ferroviária no Paraná com Apoio Internacional
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Críticas ao Abandono e Privatizações

Durante sua fala no IEP, Requião Filho não poupou críticas à situação atual da malha ferroviária do Paraná. Ele descreveu o cenário como de abandono generalizado, com o pouco que ainda funciona servindo a um número restrito de cooperativas e garantindo lucro para uma única empresa.

“Teremos ainda um desafio quando chegarmos à frente do Governo, de retomar as estradas de ferro do nosso estado. E digo retomar porque grande parte da malha ferroviária do Paraná está abandonada. O pouco que funciona, funciona para atender pouquíssimas cooperativas e garantir lucro para uma empresa apenas. E aí o desafio de não deixar o Governo Federal privatizar esta concessão federal através de uma PPP, e barrar a entrega de uma Ferroeste novamente para uma empresa que não investiu um centavo no nosso estado e tirou muito dinheiro daqui”, declarou Requião Filho.

A declaração evidencia a preocupação do candidato com a possibilidade de novas privatizações ou concessões que, em sua visão, poderiam não trazer os benefícios esperados para o estado, repetindo cenários passados onde, segundo ele, empresas não investiram e retiraram recursos do Paraná.

O Desafio da Ferroeste e Concessões

Um ponto central na argumentação de Requião Filho é a situação da Ferroeste. Ele expressou a intenção de barrar qualquer tentativa de entregar novamente a gestão da Ferroeste a uma empresa que, em sua análise, não contribuiu com investimentos significativos no estado, mas obteve lucros consideráveis. A crítica se estende à modalidade de Parceria Público-Privada (PPP) para a concessão federal, que, para o candidato, pode não ser a melhor solução para o futuro das ferrovias paranaenses.

A retomada das estradas de ferro é apresentada não apenas como uma questão de infraestrutura, mas como um desafio estratégico para o desenvolvimento econômico do Paraná, visando a diversificar o transporte de cargas e reduzir custos logísticos para diversos setores da economia local.

Impacto Potencial para a Região

A proposta de Requião Filho, se concretizada, poderia ter um impacto significativo no Norte Pioneiro do Paraná. A região, predominantemente agrícola, depende fortemente de um sistema logístico eficiente para o escoamento de sua produção. Um sistema ferroviário revitalizado e expandido poderia oferecer uma alternativa mais econômica e sustentável ao transporte rodoviário, reduzindo custos para produtores e indústrias locais.

Além disso, a melhoria da infraestrutura de transporte tende a atrair novos investimentos para a região, gerando empregos e impulsionando o desenvolvimento econômico. A conexão com portos e outros centros de distribuição seria facilitada, ampliando as oportunidades de mercado para os produtos do Norte Pioneiro.

Leitura da LZ7 Energia

A modernização e expansão da malha ferroviária no Paraná, conforme proposto, teria um impacto direto e positivo na demanda por energia elétrica e na eficiência do setor produtivo. Um sistema de transporte mais robusto e, eventualmente, eletrificado, poderia reduzir a dependência de combustíveis fósseis e impulsionar a busca por fontes de energia mais limpas e sustentáveis para a operação de trens e terminais. Para a LZ7 Energia, isso representa um cenário de maior atividade econômica no estado, com potencial aumento no consumo de energia por indústrias e agronegócios beneficiados pela nova logística, além de possíveis projetos de eletrificação ferroviária que poderiam demandar soluções em energia solar, contribuindo para a sustentabilidade e a redução da pegada de carbono do transporte de cargas no Paraná.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.