Figura conhecida na cena independente e nos circuitos de festivais da capital fluminense, o cantor e compositor Rodrigo Torrero marcou para o dia 6 de novembro o lançamento de seu primeiro álbum completo, intitulado Erre. O projeto fonográfico coroa um ciclo de consolidação artística que teve início há mais de uma década e reúne nove composições próprias que transitam pelo universo estético da chamada nova MPB, sem deixar de lado pontuais aproximações com a música pop contemporânea.

A trajetória do artista e o caminho até o primeiro álbum

Graduado em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Rodrigo Torrero começou sua atividade como compositor no ano de 2013. A bagagem teórica e acadêmica adquirida ao longo dos anos de formação universitária contribuiu para formatar uma produção autoral refinada, que aos poucos começou a circular por apresentações e eventos musicais cariocas, onde o artista construiu espaço de reconhecimento e avaliação positiva por parte do público local.

A estreia oficial do músico no mercado fonográfico aconteceu em 2019, quando lançou o primeiro extended play (EP) da carreira, intitulado Uma noite de sol. Após essa primeira investida gravada, o compositor manteve uma produção contínua em formato individual, disponibilizando ao longo dos anos seguintes uma sequência de seis singles digitais. Essa esteira de lançamentos pontuais serviu de base e preparação para que Torrero finalmente estruturasse um trabalho de maior fôlego e unidade conceitual, materializado agora no repertório do disco Erre.

Produção musical e a concepção visual do projeto

O processo de gravação do disco Erre contou com produção musical assinada por Vinicius Castro, que conduziu as sessões e a formatação sonora das nove faixas presentes no alinhamento do trabalho. A produção musical buscou valorizar as sutilezas melódicas e a estrutura poética concebida por Rodrigo Torrero, equilibrando instrumentos acústicos, arranjos vocais elaborados e soluções harmônicas alinhadas às tendências correntes da canção brasileira independente.

A identidade visual do álbum também recebeu atenção meticulosa e reflete a estética proposta no conceito sonoro. A imagem que estampa a capa do projeto consiste em uma ilustração desenvolvida pelo artista Luiz Silva, elaborada sobre um registro fotográfico feito por Aloysio Araripe. A representação visual dialoga com a atmosfera das canções, buscando criar uma ponte entre a figura do intérprete e as paisagens imaginárias sugeridas pelas letras da obra.

A proposta do realismo mágico e as referências literárias

Conceitualmente, o álbum Erre foi elaborado em torno daquilo que o próprio compositor define como uma experiência de realismo mágico. De acordo com a visão do artista carioca, esse território estético nasce do entrelaçamento de dois eixos complementares: de um lado, a admiração por obras consagradas do gênero fantástico — com destaque especial para a clássica saga literária O Senhor dos Anéis — e, de outro, a capacidade de identificar elementos de encantamento e transcendência nos episódios simples da rotina diária.

Essa união entre a fantasia ficcional e a vivência prática cotidiana orienta o tom lírico das nove canções que preenchem o repertório, propondo ao ouvinte uma postura reflexiva em relação às passagens ordinárias da vida e às transformações que ocorrem ao redor de cada indivíduo.

“São canções que abraçam a incerteza do que está do outro lado da curva e que se permitem encantar com o que está ao redor.”
— Rodrigo Torrero

Colaborações afetivas e o repertório das faixas

Antes do lançamento completo do projeto, o público já havia conhecido duas composições que funcionaram como amostras do trabalho: os singles Todos os assuntos e Mury, este último composto em parceria com Carol Viani. As faixas anteciparam o tom intimista que permeia a obra, reforçando a assinatura autoral do compositor.

Um dos traços mais marcantes da construção do álbum reside na presença de participações afetivas, mobilizando colegas de longa data da trajetória pessoal e profissional de Torrero. Entre as participações confirmadas no alinhamento estão:

  • Antonia Medeiros: participa dos vocais da faixa Pouca vergonha. A cantora é contemporânea de Rodrigo Torrero dos tempos da faculdade de música na Unirio e divide com ele os trabalhos no grupo vocal Consoantes.
  • Guilherme Imia e Tom Rossi: dividem os microfones com Torrero na faixa Velha farra. Guilherme é outro integrante do conjunto vocal Consoantes e colega de universidade, enquanto Tom Rossi é amigo e músico desde a época escolar do cantor.
  • Faixas adicionais: o conjunto autoral do disco traz ainda títulos como Errar, Ir, Julia e Mirante, além das faixas prévias Todos os assuntos e Mury.

Homenagens e conexões com a história da MPB

A composição Velha farra, além de congregar amigos de diferentes fases da vida do artista, carrega uma dimensão de homenagem pessoal e reverência à história da música brasileira. A letra foi concebida por Rodrigo Torrero como uma memória afetiva dedicada a Totó Joey, animal de estimação da família que morreu no ano de 2016.

Para estruturar essa despedida musical, o compositor buscou inspiração direta na faixa Diana, lançada originalmente em 1977 pela dupla de compositores Toninho Horta e Fernando Brant. Naquele trabalho da década de 1970, Horta e Brant também elaboraram uma homenagem em formato de canção para registrar a saudade de uma cadela de estimação. Ao utilizar essa matriz histórica mineira como espelho criativo, Torrero estabelece um diálogo aberto entre sua produção contemporânea e as linhagens fundamentais da MPB setentista.

Com a reunião de todas essas influências e parcerias, o lançamento do dia 6 de novembro representa uma aposta decisiva de Rodrigo Torrero para afirmar sua assinatura como letrista e melodista no circuito musical do país.

Fonte: G1 Pop & Arte — Nacional — matéria original publicada em g1-popart.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Pop & Arte — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.