A Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho reabriu suas portas para a assistência à população local neste sábado (24), a partir das 12h, encerrando um período de sete dias de paralisação total das atividades. O retorno ocorre após dias de negociações, reuniões técnicas e intervenções administrativas conduzidas pelo Poder Executivo municipal para superar a crise que havia paralisado a instituição centenária no último dia 17.

Nesta primeira fase de reabertura, o atendimento médico está concentrado exclusivamente nos moradores de Jacarezinho. A administração hospitalar e a equipe técnica trabalham paralelamente na recomposição das escalas de médicos plantonistas para que a estrutura possa, nas próximas etapas, voltar a acolher pacientes encaminhados pelos outros 22 municípios que compõem a microrregião de saúde no Norte Pioneiro.

Origem da crise: plano de contingência e indicativo de interdição

A paralisação dos serviços teve início no sábado anterior, 17 de outubro, momento em que a gestão do hospital implementou de forma unilateral um Plano Operacional Emergencial de Contingência Assistencial. A medida orientava a Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) a suspender o direcionamento de novos pacientes para a unidade de Jacarezinho.

Com essa determinação, as ambulâncias e equipes de socorro passaram a redirecionar a demanda de urgência e emergência para hospitais localizados em quatro municípios vizinhos:

  • Santo Antônio da Platina;
  • Carlópolis;
  • Cornélio Procópio;
  • Bandeirantes.

Além de bloquear os fluxos regulados pelo SAMU, o hospital interrompeu as consultas e acolhimentos de moradores de Jacarezinho que procuravam atendimento direto na portaria, decisão tomada sem comunicação prévia à Secretaria Municipal de Saúde ou ao gabinete do prefeito. O quadro se agravou após fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM), que expediu um relatório apontando inconformidades estruturais e operacionais na instituição, acompanhado de um indicativo de interdição. O parecer do conselho, contudo, sinalizava a necessidade de reformas e adequações, mas não determinava a paralisação compulsória do exercício médico no local.

Santa Casa de Jacarezinho reabre atendimentos após sete dias de paralisação
Foto: NP Diário — Norte Pioneiro

Mudança na intervenção e medidas administrativas da Prefeitura

Diante do impasse gerado pela suspensão dos serviços essenciais, o prefeito Marcelo Palhares determinou a saída do interventor que havia sido indicado pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA). Para assumir o comando emergencial da gestão hospitalar, o município nomeou, em caráter interino, o secretário municipal de Saúde, Ademir Moreira.

Na sexta-feira (23), véspera da reabertura, a prefeitura conduziu uma rodada de reuniões com médicos, funcionários e lideranças técnicas para pactuar o cronograma de retorno. O plano de ação emergencial incluiu uma série de frentes operacionais imediatas:

  • Reorganização do fluxo orçamentário e financeiro da unidade;
  • Compra urgente de insumos hospitalares e medicamentos essenciais;
  • Execução de ajustes técnicos pontuais exigidos pelos órgãos de fiscalização;
  • Reestruturação completa das escalas de médicos plantonistas para a cobertura dos turnos.

Durante os sete dias em que a Santa Casa permaneceu fechada, a administração municipal concentrou o atendimento aos munícipes na estrutura do Pronto Atendimento Primário (PAP), mantido em funcionamento durante 24 horas ininterruptas. O suporte foi integrado à Farmácia Municipal, que também operou em regime contínuo de 24 horas para garantir o fornecimento de medicamentos à população dentro dos limites da atenção básica.

Santa Casa de Jacarezinho reabre atendimentos após sete dias de paralisação
Foto: NP Diário — Norte Pioneiro

Raio-x operacional e o déficit financeiro da instituição

A retomada dos atendimentos locais estabiliza o socorro imediato, mas ocorre em meio a um quadro financeiro historicamente delicado. A Santa Casa de Jacarezinho opera com um quadro funcional de aproximadamente 270 colaboradores e acumula um déficit orçamentário mensal estimado em R$ 1 milhão. Cálculos da gestão apontam que o custeio regular da estrutura exige um aporte financeiro mensal de R$ 2,5 milhões para honrar a folha de pagamento, manter fornecedores e garantir insumos em estoque.

O peso da instituição para o sistema de saúde regional é demonstrado pelos números consolidados ao longo do ano de 2026. Apenas neste ano, a Santa Casa realizou:

  • 1.102 cirurgias;
  • 2.741 consultas médicas especializadas;
  • 313 consultas pediátricas.

O volume assistencial evidencia que o hospital funciona como o principal suporte de média e alta complexidade para os municípios do entorno, cuja rede própria de saúde não comporta procedimentos de maior porte cirúrgico e de internação prolongada.

Vídeo: NP Diário — Norte Pioneiro

Articulação com a SESA e busca por novo modelo de custeio

Para assegurar que as atividades não voltem a ser interrompidas, equipes da Prefeitura de Jacarezinho trabalham na redação de um novo plano de trabalho que será levado à direção da SESA. O objetivo do documento é revisar as pactuações regionais vigentes e solicitar a ampliação definitiva dos repasses financeiros transferidos pelo governo estadual para o custeio do hospital.

O prefeito Marcelo Palhares ressaltou que a sobrevivência da entidade depende de cooperação técnica e financeira entre todas as esferas governamentais:

A Santa Casa de Jacarezinho é uma instituição centenária, cuja atuação ultrapassa os limites do município. Por isso, sua manutenção exige uma construção coletiva, envolvendo o Governo do Estado, os municípios da região e demais autoridades competentes.

Com o retorno dos atendimentos no nível municipal, os próximos passos da gestão interina envolvem consolidar a estabilidade das equipes médicas internas, finalizar as tratativas de repasses com a Secretaria de Estado e restabelecer o acolhimento integrado aos 22 municípios consorciados do Norte Pioneiro.

Leitura da LZ7 Energia

A crise na Santa Casa de Jacarezinho evidencia como os custos operacionais fixos pressionam as instituições de saúde no Norte Pioneiro. Hospitais de grande porte operam com maquinários contínuos, climatização ininterrupta e esterilização, o que torna as despesas com infraestrutura e energia elétrica componentes pesados no déficit financeiro. Estratégias de eficiência e modernização energética em prédios públicos e filantrópicos são caminhos decisivos para reduzir custos correntes e direcionar recursos diretamente à assistência dos pacientes.

Fonte: NP Diário — Norte Pioneiro — matéria original publicada em npdiario.com. Imagens e vídeos: NP Diário — Norte Pioneiro. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.