Produtores e consumidores de café no Norte Pioneiro do Paraná devem ficar atentos: a iminência de um 'Super El Niño' nos próximos meses levanta preocupações significativas sobre a próxima safra do grão e a possível escalada dos preços. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 90% para a ocorrência do fenômeno entre outubro e janeiro, período crucial para a florada dos cafeeiros.
Os efeitos esperados do 'Super El Niño' incluem seca intensa e temperaturas elevadas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, áreas vitais para a produção de café. Este cenário climático adverso, coincidindo com a fase de florada, pode comprometer seriamente a formação dos frutos e, consequentemente, a oferta e a qualidade da safra futura. A florada é o primeiro indicador da safra, e seu sucesso é fundamental para o ciclo produtivo.
Impacto Climático na Florada do Café
A previsão de um 'Super El Niño' entre outubro e janeiro é um alerta para a cadeia produtiva do café. A combinação de seca intensa e temperaturas elevadas no Centro-Oeste e Sudeste do país, principais regiões produtoras, pode ter um efeito devastador na florada dos cafeeiros. Este é um período crítico, pois a florada antecede a formação dos frutos do café. Qualquer comprometimento nesse estágio inicial pode resultar em perdas significativas na quantidade e na qualidade da colheita subsequente.
O mercado já começa a reagir a essa perspectiva, com a possibilidade de os preços do café da safra 2026/27 começarem a refletir os valores mais altos esperados para o ciclo 2027/28, cuja colheita tem início previsto para o final de maio. A incerteza sobre a intensidade e o alcance exato do fenômeno nas diversas microrregiões produtoras do Sudeste adiciona complexidade à situação, já que o café é uma cultura perene, o que dificulta estimativas precisas de produção em comparação com culturas de ciclo curto como a soja.
“A formação da florada dos cafeeiros é o primeiro marcador da safra, e o vingamento é o segundo”, afirmou Simão Pedro Lima, presidente-executivo da cooperativa Expocacer.

Cenário Atual do Mercado e Expectativas de Preços
Mesmo diante de uma safra atual considerada recorde, com estimativas que chegaram a 75 milhões de sacas (sendo cerca de 65% de café arábica), o mercado de café já opera com cotações elevadas. A saca de 60 quilos de café de qualidade média está sendo negociada acima de R$ 1.800. As projeções para a safra atual foram revisadas para algo entre 70 milhões e 71 milhões de sacas, ainda um volume expressivo se comparado às 56,5 milhões de sacas da safra anterior.
Contudo, chuvas fora de época registradas em junho e parte de julho já causaram perdas por queda de grãos, comprometimento da qualidade e atrasos na colheita. Apesar do volume considerável, outros fatores têm sustentado os preços em patamares altos. A expectativa dos produtores é de uma produção mais prejudicada, o que os torna mais propensos a esperar por cotações mais elevadas antes de realizar vendas do ciclo atual.
“Só a entrada desse volume de café no mercado nesta época já seria motivo para queda dos preços”, observou Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos.

Estoques Globais Reduzidos e Fatores Geopolíticos
Um dos principais fatores que sustentam os preços do café é o nível reduzido dos estoques globais, considerado insuficiente para equilibrar o mercado. A situação dos estoques se agravou em 2024, ano que também registrou a ocorrência do El Niño. Isso significa que o consumo mundial passou a depender cada vez mais das safras atuais, sem a margem de segurança que estoques robustos poderiam oferecer às indústrias para suas programações de entrega.
“O consumo mundial passou a depender cada vez mais das safras atuais, porque os níveis de estoques são baixos para as indústrias organizarem estrategicamente suas programações de entrega à demanda”, explicou Carvalhaes.
Além disso, a instabilidade geopolítica, especialmente os efeitos da guerra no Oriente Médio, continua a provocar distorções no comércio global. A alta dos combustíveis, bloqueios a navios e alterações de rotas marítimas a partir do Estreito de Ormuz impactam diretamente os custos de frete. A isso somam-se os elevados níveis de estresse nos mercados financeiros globais, com hedge funds ajustando posições e movimentando volumes expressivos de recursos, refletindo a crescente instabilidade das economias centrais, intensificada após o conflito entre Estados Unidos e Irã.
“O café é das commodities a mais líquida e a que mais reflete essas reações à geopolítica”, complementou Carvalhaes.

Perspectivas para a Região do Norte Pioneiro
Para os cafeicultores do Norte Pioneiro do Paraná, a situação exige atenção redobrada. A região, conhecida pela qualidade de seu café, pode ser diretamente afetada pelos padrões climáticos do 'Super El Niño'. A ocorrência de seca e altas temperaturas durante a florada comprometeria o potencial produtivo, impactando a renda dos produtores locais. Por outro lado, a valorização do café no mercado global, impulsionada por esses fatores, pode oferecer uma compensação para aqueles que conseguirem manter a produtividade e a qualidade.
Acompanhar as previsões meteorológicas e adotar práticas de manejo que minimizem os riscos climáticos, como sistemas de irrigação eficientes e sombreamento, torna-se ainda mais crucial. A resiliência da cafeicultura regional dependerá da capacidade de adaptação dos produtores a um cenário climático cada vez mais desafiador e volátil.
Serviço
Para mais informações sobre as projeções climáticas e seus impactos na agricultura, consulte os boletins da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e acompanhe as análises de mercado divulgadas por entidades como a Expocacer e o Escritório Carvalhaes.
Leitura da LZ7 Energia
A instabilidade climática, como o 'Super El Niño', e as flutuações nos preços de commodities agrícolas têm um impacto direto e significativo na economia do Norte Pioneiro do Paraná, uma região com forte vocação agrícola. A dependência de fontes de energia estáveis e acessíveis torna-se ainda mais evidente em cenários de incerteza econômica e produtiva. Para agricultores e empresas locais, a adoção de energia solar, por exemplo, representa uma estratégia inteligente para reduzir custos operacionais a longo prazo e aumentar a previsibilidade orçamentária, protegendo-se contra a volatilidade dos preços da energia elétrica convencional. Em um contexto onde os custos de produção podem aumentar devido a fatores climáticos e geopolíticos, a economia gerada pela energia solar pode ser um diferencial competitivo crucial, garantindo maior sustentabilidade financeira para os negócios da região.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
