A Renault Gelly do Brasil, montadora de veículos com operações em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, inovou ao instalar uma tecnologia espanhola de 'canhão antigranizo' em seu Complexo Ayrton Senna. O objetivo é claro: proteger os cerca de 19 mil veículos que diariamente ocupam os pátios da fábrica contra os estragos provocados por tempestades de granizo, um fenômeno climático que já causou prejuízos significativos à empresa.

Antes da implementação dessa solução, a montadora enfrentava perdas financeiras consideráveis, estimadas em três a quatro vezes por ano, devido à queda de pedras de gelo. A adoção do equipamento, que dispara um 'tiro sônico', representa um avanço na estratégia de mitigação de riscos climáticos e já demonstra resultados positivos, segundo a própria Renault Gelly.

A Tecnologia por Trás do 'Canhão Antigranizo'

O sistema de 'canhão antigranizo' empregado pela Renault Gelly do Brasil é uma tecnologia de origem espanhola, desenvolvida para atuar preventivamente contra a formação e queda de granizo. Diferentemente do que o nome pode sugerir, o equipamento não 'destrói' as pedras de gelo, mas sim interfere em sua formação na atmosfera.

O funcionamento baseia-se na emissão de ondas de choque, popularmente descritas como 'tiros sônicos', em direção às nuvens carregadas. Essas ondas sonoras de alta energia são geradas por uma explosão de gás acetileno e oxigênio dentro de uma câmara de combustão, sendo então direcionadas para o alto através de uma estrutura cônica. A frequência e a intensidade dessas ondas são calibradas para perturbar a estrutura das nuvens, impedindo que as gotas de água congelem e se aglomerem em grandes pedras de granizo. Em vez disso, a expectativa é que a precipitação ocorra na forma de chuva ou granizo de menor tamanho, minimizando ou eliminando os danos.

“A gente acompanhou os movimentos de fora, então a tecnologia”

A declaração, embora incompleta no material apurado, sugere que a empresa buscou referências internacionais para encontrar uma solução eficaz, indicando um estudo aprofundado antes da decisão de investimento.

Contexto e Impacto na Operação da Montadora

A decisão de investir no 'canhão antigranizo' reflete a vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos e a necessidade de proteger um ativo de alto valor: os veículos recém-produzidos. Com uma capacidade de estacionamento para aproximadamente 19 mil unidades, o pátio da Renault Gelly representa um ponto crítico na cadeia logística da montadora.

A cada tempestade de granizo, o risco de amassados, quebras de vidros e outros danos superficiais nos automóveis era elevado, gerando custos significativos com reparos, atrasos na entrega e, consequentemente, impactos na reputação da marca e na satisfação dos clientes. A redução de danos relatada pela empresa após a instalação da tecnologia demonstra um retorno sobre o investimento e uma maior resiliência operacional.

Tecnologia Espanhola Protege Pátio da Renault Gelly contra Granizo no PR
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Operação e Manutenção do Sistema

A operação do 'canhão antigranizo' é automatizada e monitorada, permitindo que o sistema seja ativado proativamente quando há previsão de tempestades. Sensores meteorológicos integrados ao sistema podem auxiliar na identificação de condições favoráveis à formação de granizo, acionando o equipamento no momento ideal para maximizar sua eficácia. A manutenção envolve o reabastecimento dos gases e a verificação regular dos componentes mecânicos e eletrônicos, garantindo a prontidão do sistema para atuar em qualquer emergência climática.

A experiência da Renault Gelly pode servir de modelo para outras empresas e setores que lidam com grandes pátios de armazenamento ou áreas expostas a intempéries, especialmente em regiões onde o granizo é uma ameaça recorrente. A busca por soluções inovadoras para proteger bens e infraestrutura contra os efeitos das mudanças climáticas é uma tendência crescente.

O que isso significa para a região

A implementação dessa tecnologia pela Renault Gelly do Brasil em São José dos Pinhais demonstra um movimento importante de adaptação e resiliência frente aos desafios climáticos. Para o Norte Pioneiro do Paraná e outras regiões do estado, que também podem ser afetadas por eventos climáticos extremos, a experiência da montadora serve como um estudo de caso sobre a viabilidade de soluções tecnológicas para proteger ativos e garantir a continuidade das operações. A redução de prejuízos em uma empresa de grande porte como a Renault Gelly tem um impacto positivo na economia local, ao evitar perdas que poderiam se traduzir em custos repassados ou em menor investimento na região.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.