A icônica Torre Eiffel, um dos monumentos mais visitados do mundo, permaneceu fechada na última segunda-feira (7) em Paris, França, devido a uma greve de seus funcionários. A paralisação foi motivada por um incidente ocorrido no sábado anterior, quando trabalhadoras foram instruídas a se afastar de seus locais de trabalho para facilitar a visita de uma delegação de aproximadamente 100 pessoas ligadas ao grupo religioso hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS).
O episódio gerou forte indignação entre os colaboradores e a administração da Société d'Exploitation de la tour Eiffel (SETE), a empresa que opera o monumento, reconheceu a falha e emitiu um pedido de desculpas. A repercussão do caso se estendeu ao cenário político francês, com diversas autoridades condenando a prática e reafirmando os princípios de igualdade de gênero no país.
O Incidente que Levou à Paralisação
O cerne da controvérsia reside na solicitação feita pela delegação do BAPS para que a visita fosse organizada de forma a limitar as interações com mulheres. Segundo a agência de notícias AFP, a SETE confirmou que essa condição foi apresentada, e que, lamentavelmente, foi aceita. A porta-voz do sindicato dos funcionários, Diane Davoine, relatou à Reuters os detalhes do ocorrido:
Durante a visita desta delegação, as mulheres foram solicitadas a deixar seus locais de trabalho para colocar homens lá.
Davoine expressou o profundo descontentamento dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que se sentiram humilhadas pela forma como foram tratadas. Ela também mencionou que a gerência da SETE já havia se desculpado pelo incidente, mas que a tensão entre os funcionários aumentou significativamente durante o fim de semana. A greve de segunda-feira foi, portanto, uma resposta direta a essa situação, com o objetivo de iniciar um diálogo com a administração e garantir que tal tratamento às mulheres jamais se repita na empresa.
A SETE, por sua vez, declarou à AFP que as condições impostas pela delegação religiosa “não deveriam ter sido aceitas” e que “não estavam alinhadas com os valores da SETE, nem com os princípios de igualdade entre homens e mulheres”.

Repercussão e Condenação Política
O presidente da SETE, Ariel Weil, manifestou-se publicamente sobre o ocorrido, reforçando o compromisso da empresa com os valores republicanos franceses:
É claramente uma prática inaceitável. Reafirmo o compromisso da Torre Eiffel com os valores republicanos e com a igualdade de homens e mulheres.
O incidente rapidamente ganhou destaque na esfera política francesa. Emmanuel Grégoire, vice-prefeito de Paris, utilizou a plataforma X (antigo Twitter) para expressar seu apoio aos funcionários e prometer uma investigação:
Tomo nota da raiva expressa pelos funcionários da Torre Eiffel, e quero dizer-lhes que seu descontentamento é legítimo. A igualdade entre mulheres e homens nunca parará ao pé de nossos monumentos históricos, nem em qualquer lugar nesta cidade. Deve ser aplicada em todos os lugares, para todos.
Líderes de diferentes espectros políticos também se manifestaram. Marine Le Pen, líder da direita radical francesa, declarou:
Na França, nunca aceitaremos que a presença de mulheres seja 'limitada'.
Gabriel Attal, ex-primeiro-ministro francês de centro-direita e provável candidato à presidência no próximo ano, afirmou:
Na França, nenhuma cultura, nenhuma crença, nenhum culto, nada nem ninguém pode vir ditar às mulheres seu lugar.
Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional da França, também se posicionou de forma contundente:
Recuso-me a permitir que as mulheres sejam forçadas a se afastar para atender às exigências de visitantes estrangeiros.
A BBC tentou contato com o sindicato Confédération générale du travail (CGT) para obter um posicionamento adicional, mas não houve retorno imediato.
O Grupo Religioso BAPS e Sua Visita
A delegação em questão estava associada ao Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS), uma organização religiosa hindu. No domingo, um dia após o incidente na Torre Eiffel, o BAPS consagrou seu primeiro grande templo na França, localizado nos subúrbios de Paris. Em um comunicado publicado em sua conta no X, o templo BAPS de Paris afirmou que sua visita à Torre Eiffel foi “organizada em conjunto com a equipe da Torre Eiffel no início do horário normal de funcionamento para evitar perturbar ou incomodar outras pessoas”.
A organização também emitiu um pedido de desculpas:
Pedimos desculpas por qualquer dor ou inconveniência causada. Acreditamos nos valores universais de respeito mútuo e serviço.
Em seu site oficial, o BAPS se descreve como uma “irmandade espiritual, impulsionada por voluntários, dedicada a melhorar a sociedade” por meio de valores hindus. O grupo possui templos em grandes cidades ao redor do mundo, incluindo Londres, Los Angeles e Sydney.

Serviço
O fechamento da Torre Eiffel na segunda-feira (7) impactou diretamente os turistas e visitantes que planejavam conhecer o monumento. Embora a SETE tenha emitido um comunicado e pedido de desculpas, a duração da greve e as negociações com os sindicatos não foram detalhadas no material apurado. Recomenda-se que os visitantes consultem os canais oficiais da Torre Eiffel para obter informações atualizadas sobre a reabertura e o funcionamento do local.
O que isso significa para a região
Embora o incidente tenha ocorrido em Paris, na França, ele ressalta a importância da igualdade de gênero e do respeito às normas locais em qualquer contexto, inclusive em ambientes de trabalho e em espaços públicos. Para o Norte Pioneiro do Paraná, assim como para qualquer outra região, a garantia de um ambiente de trabalho justo e igualitário é fundamental para o desenvolvimento social e econômico. A discussão sobre a dignidade das trabalhadoras e a inaceitabilidade de práticas discriminatórias é universal e serve de lembrete constante sobre a necessidade de defender e aplicar os direitos humanos em todas as esferas da sociedade. A repercussão internacional de um caso como este demonstra que a vigilância e a defesa desses valores são responsabilidades compartilhadas, independentemente da localização geográfica.
Fonte: BBC News — World (internacional) — matéria original publicada em bbc.com. Imagens e vídeos: BBC News — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
