O número de migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa por rotas marítimas registrou uma queda acentuada desde janeiro deste ano, mas a jornada se tornou consideravelmente mais perigosa. É o que aponta um novo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), divulgado em 17 de setembro de 2026.
De acordo com a agência, aproximadamente 60.000 migrantes e refugiados alcançaram a Europa de barco até agora em 2026. Este número representa uma redução de 39% em comparação com os cerca de 98.000 registrados no mesmo período do ano passado. No entanto, o declínio nas chegadas não se traduziu em maior segurança. Pelo contrário, o relatório revela que, apesar da queda, pelo menos 2.292 pessoas morreram ou desapareceram durante a travessia, um aumento em relação às 1.999 fatalidades registradas no mesmo período do ano anterior. Muitas dessas mortes ocorreram em embarcações superlotadas e inadequadas, que partem principalmente da costa da Líbia.
Rotas Mais Mortais e Declarações da OIM
A Diretora-Geral da OIM, Amy Pope, comentou os dados, destacando a dualidade dos números.
Esses números contam duas histórias ao mesmo tempo. Menos pessoas estão chegando por mar na Europa do que neste ponto do ano passado, mas as pessoas ainda estão morrendo e desaparecendo em números alarmantes tentando alcançar a segurança.
Amy Pope, Diretora-Geral da OIM
Pope enfatizou a dimensão humana por trás das estatísticas, afirmando que “por trás de cada número há um ser humano, uma família, uma comunidade”. Ela fez um apelo por “cooperação internacional sustentada que salve vidas, proteja as pessoas em movimento, combata o tráfico e a exploração, e expanda caminhos seguros e regulares”. A diretora-geral concluiu que “quase todas as mortes e desaparecimentos no mar são evitáveis”.
Embora o número de vítimas varie por rota, a OIM classifica as rotas do Mediterrâneo e do Atlântico como “as rotas marítimas mais mortais do mundo”.
Diferenças Regionais e Causas da Migração
As chegadas pela rota do Mediterrâneo Central, que é a principal travessia do Norte da África para a Itália, caíram em mais da metade. Contudo, o número de mortes nessa rota aumentou de 844 para 996. A Grécia registrou uma queda menor nas chegadas, mas um aumento acentuado nas mortes, que subiram de 284 para 417. A Espanha, por sua vez, viu tanto as chegadas quanto o número total de vítimas caírem, embora 879 pessoas tenham morrido ou desaparecido nas rotas que levam ao país.

A agência de migração aponta que a maioria das pessoas que tentam migrar está fugindo de guerras e perseguições. Pesquisas da OIM com migrantes na rota do Mediterrâneo Central revelaram que a maioria citou a dificuldade econômica como a principal razão para deixar seus países, seguida por conflitos e violência direcionada. A OIM documentou que mais de 104.000 pessoas fugiram recentemente da guerra no Iêmen, além de grandes deslocamentos do Líbano e da Síria em meio aos conflitos contínuos na região.
A OIM ressalta que o número real de mortos é quase certamente maior, uma vez que muitas embarcações desaparecem sem nunca serem registradas.
Contexto Político e Apelos por Novas Abordagens
Recentemente, vários governos europeus têm pressionado por políticas de fronteira mais rigorosas, impulsionados, em parte, pela crescente pressão de partidos de direita em todo o continente. Em junho, a União Europeia (UE) concordou com novas regras que permitem a deportação de migrantes para países fora do bloco. Em contraste, a OIM defende mais rotas de migração legal para a Europa e medidas mais fortes para reduzir os riscos nas travessias existentes.

O relatório surge após uma crise migratória que atingiu o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, em julho. Na ocasião, mais de 70.000 pessoas cruzaram de Marrocos em apenas dois dias. Pelo menos 90 pessoas morreram no percurso, desencadeando semanas de protestos em todo o país sobre a gestão do governo em relação ao fluxo.

Impacto e Necessidade de Soluções
A situação dos migrantes que buscam segurança e melhores condições de vida na Europa continua sendo um desafio complexo e multifacetado. A redução no número de chegadas, aliada ao aumento das fatalidades, sublinha a urgência de abordagens que priorizem a segurança e a dignidade humana. A OIM reitera a necessidade de cooperação internacional e a criação de caminhos seguros e legais para a migração, a fim de evitar que mais vidas sejam perdidas nas perigosas travessias marítimas.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
