Em uma nova rodada de críticas direcionadas ao Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), o ex-presidente Donald Trump expressou frustração com a política de juros da instituição, argumentando que os Estados Unidos deveriam estar pagando muito menos. Suas declarações foram feitas na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, durante um encontro com executivos de criptomoedas na Casa Branca, em Washington.
Trump Pressiona por Taxas de Juros Mais Baixas
Donald Trump reiterou seu descontentamento com a postura do Federal Reserve, insistindo que dados econômicos positivos não deveriam impedir o banco central de adotar uma política monetária mais flexível. Ele defendeu que as taxas de juros deveriam ser reduzidas para impulsionar o crescimento econômico e aliviar o peso da dívida nacional, que se aproxima dos US$ 40 trilhões (quarenta trilhões de dólares).
O ex-presidente comparou a situação atual com o passado, afirmando:
Meu ponto é que, anos atrás, 25 anos atrás, quando o país anunciava bons números, as taxas de juros caíam porque tínhamos um país mais forte. Agora, quando anunciamos bons números, quanto melhores eles são, pior é para as taxas de juros.
Ele também ressaltou a diferença entre as taxas americanas e as de outros países.
As declarações de Trump ocorreram no mesmo dia em que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela política monetária do Fed, divulgou as atas de sua reunião de julho. O resumo indicou que muitos membros esperavam que taxas mais altas fossem necessárias, a menos que a inflação mostrasse progresso mais significativo. Desde aquela reunião, os dados de inflação têm sido geralmente positivos, mas a taxa anual permanece bem acima da meta de 2% do Fed.

Críticas ao Conselho, Elogios ao Presidente
Trump, que já havia criticado o Fed no passado, acusou os membros do conselho de terem motivações políticas. No entanto, ele fez uma exceção para o atual presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a quem ele mesmo nomeou para o cargo no início do ano. Warsh assumiu a posição em maio de 2026, sucedendo Jerome Powell, que foi frequentemente alvo das críticas de Trump por não reduzir as taxas de juros mais rapidamente. Powell, no entanto, permanece no conselho como governador.
Sobre Warsh, Trump afirmou que ele está fazendo um ótimo trabalho. Contudo, o ex-presidente direcionou suas críticas ao restante do conselho:
O problema é que ele tem um conselho, e é um conselho político. Pessoas indicadas por Obama, Biden e por mim, e ainda há muitos membros, como vocês entendem, e então eles votam para aumentar as taxas de juros. Não sei se estão fazendo isso porque acham que estão fazendo uma coisa boa ou porque gostam da política envolvida.
É importante notar que o Fed não vota para aumentar sua taxa de juros de referência há mais de três anos. Em 2025, o FOMC realizou três cortes na taxa durante o segundo semestre, seguindo três reduções no ano anterior. Apesar disso, o ritmo das reduções não foi suficiente para satisfazer as expectativas de Trump.
Cenário Econômico e Comparação Internacional
A economia dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de apenas 1,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo das expectativas e da taxa de 2,1% registrada nos primeiros três meses do ano. Trump também expressou preocupação com a posição dos EUA em comparação com alguns de seus concorrentes globais.
Ele citou especificamente a Suíça, que tem sua taxa de juros de referência próxima de zero. A Suíça enfrenta um problema oposto ao dos EUA: taxas de inflação muito baixas e uma moeda de refúgio excepcionalmente forte. Trump comentou:
Eu vejo países como a Suíça, onde eles têm as taxas de juros mais baixas, meio por cento, e nós pagamos três e meio por cento. Eu tenho o direito absoluto de cortar todos os negócios com um país como a Suíça.
Apesar de suas críticas às taxas de juros, Trump afirmou não acreditar que os EUA enfrentam um problema no mercado de títulos, apesar do que ele considera taxas injustamente altas. No mesmo dia, o Departamento do Tesouro americano anunciou que estava intensificando seu programa de recompra de títulos, uma medida que veio após um aumento na dívida de longo prazo. O programa visará especificamente títulos com duração de pelo menos 10 anos.
Leitura da LZ7 Energia
A política de juros do Federal Reserve nos Estados Unidos, e as discussões em torno dela, têm um impacto indireto, mas significativo, na economia global e, consequentemente, no Brasil e no Norte Pioneiro do Paraná. Taxas de juros mais altas nos EUA podem fortalecer o dólar, encarecendo importações e exportações para o Brasil. Para o setor de energia solar, isso pode significar um aumento no custo de equipamentos importados, como painéis e inversores, que são cotados em dólar. Por outro lado, juros mais baixos nos EUA podem desvalorizar o dólar, tornando a tecnologia solar mais acessível e impulsionando investimentos no setor. A estabilidade econômica global, influenciada pelas decisões do Fed, é crucial para o fluxo de capital e o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, incluindo os de energia renovável, que dependem de financiamento e investimentos a longo prazo. As oscilações cambiais e as condições de crédito impactam diretamente o planejamento financeiro e a viabilidade de novos empreendimentos em nossa região.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
