Em um desenvolvimento diplomático significativo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na noite da última terça-feira (22). Este foi o primeiro encontro direto entre os dois líderes desde a operação americana que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro deste ano.

Encontro na Assembleia Geral da ONU

O encontro reservado aconteceu durante uma recepção oferecida por Trump à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A delegação venezuelana, que acompanha Rodríguez, inclui figuras importantes como o vice-presidente da área econômica, o ministro do Petróleo e representantes da estatal petrolífera PDVSA. O principal objetivo da delegação é apresentar a Venezuela como um destino promissor para investimentos, conforme revelado por fontes próximas ao grupo.

Esta viagem marca a primeira vez que Delcy Rodríguez visita os EUA desde que assumiu o cargo de presidente interina. Ela está programada para discursar na Assembleia Geral na quarta-feira (23).

O presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez
O presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez

Participantes e Contexto Político

Uma autoridade da Casa Branca confirmou a presença de várias figuras-chave na reunião com Rodríguez. Além do presidente Trump, estiveram presentes o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, a chefe de gabinete da Casa Branca Susie Wiles e Stephen Miller, assistente do presidente e vice-chefe de gabinete para políticas.

Donald Trump desenvolveu uma relação de trabalho com Rodríguez, que anteriormente atuou como vice-presidente de Maduro. No entanto, essa aproximação tem gerado críticas. Observadores políticos argumentam que Washington tem deixado de lado a oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado, e abandonado as exigências por eleições livres em favor de acordos comerciais e de petróleo com o governo interino.

Declarações de Trump e Acordos Petrolíferos

Em seu discurso na Assembleia Geral, na manhã de terça-feira, Trump classificou Maduro como um 'ditador fora da lei'. Ele destacou que centenas de presos políticos foram libertados desde a captura do ex-líder e enfatizou que a operação demonstra o 'poderio militar inigualável' dos EUA para proteger seus interesses no Hemisfério Ocidental.

Ao vencedor pertencem os espólios.

Disse Trump, referindo-se a um acordo petrolífero firmado com Caracas no mês anterior, que ele descreveu como 'talvez o maior negócio já realizado'. O presidente americano expressou o desejo de atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera da Venezuela.

Trump e Delcy Rodríguez se reúnem após captura de Maduro
Foto: CNN Brasil — Nacional

A Agenda da Delegação Venezuelana

Delcy Rodríguez chegou a Nova York na segunda-feira (21) acompanhada de sua delegação. Desde então, eles têm mantido conversas sobre energia, mineração e dívida com autoridades americanas, credores multilaterais e diversas empresas. O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está trabalhando para aprovar um empréstimo de US$ 2,5 bilhões para a Venezuela, embora enfrente resistência de alguns membros do conselho da instituição.

Protestos e Reivindicações por Eleições

A presença de Delcy Rodríguez nos EUA não passou despercebida por parte da comunidade venezuelana. Mais cedo, na terça-feira, mais de 50 manifestantes se reuniram em frente à sede da ONU para protestar contra sua presença. Agitando bandeiras da Venezuela e exibindo cartazes com frases como 'Sem Voto, Sem Petróleo' e 'Cara Nova, Mesmo Regime', muitos expressaram o desejo de que Trump pressionasse pela realização de eleições livres no país sul-americano.

Os manifestantes entoaram o hino nacional da Venezuela e proferiram palavras de ordem como 'Delcy, eu juro, você vai para o Brooklyn com Maduro' — uma alusão à prisão federal localizada no Brooklyn, onde o antecessor de Rodríguez está detido aguardando julgamento por acusações de tráfico de drogas.

Trump e Delcy Rodríguez se reúnem após captura de Maduro
Foto: CNN Brasil — Nacional
Por um lado, é revoltante ver parte do regime reunindo-se com autoridades do atual governo deste país, mas também não há dúvida de que, graças a este governo, hoje estamos um passo mais perto da liberdade.

Afirmou Miguel Eduardo Martinez, um gerente de mídias sociais de 34 anos que deixou Caracas em 2017.

Delcy Rodriguez não nasceu em 3 de janeiro de 2026. Delcy Rodriguez está ligada à ditadura chavista há mais de 20 anos. Ela tem sido cúmplice.

Declarou Cesar Coello, que carregava um cartaz retratando Rodríguez vestindo um uniforme de presidiário laranja. Coello expressou a esperança de que Trump e Rodríguez discutissem a realização de eleições em breve.

Trump e Delcy Rodríguez se reúnem após captura de Maduro
Foto: CNN Brasil — Nacional

O que isso significa para a região

O encontro entre Donald Trump e Delcy Rodríguez, especialmente após a captura de Nicolás Maduro, sinaliza uma mudança significativa na política externa dos EUA em relação à Venezuela. A prioridade aparente em acordos de petróleo e investimentos, em detrimento de uma pressão mais enfática por eleições livres, pode redefinir o cenário político e econômico da Venezuela e suas relações com outros países do Hemisfério Ocidental. Para a região, isso pode indicar uma reconfiguração de alianças e interesses, com implicações para a estabilidade e o desenvolvimento.

Leitura da LZ7 Energia

A busca da Venezuela por US$ 100 bilhões em investimentos na indústria petrolífera e a realização de acordos energéticos com os EUA, conforme discutido nas conversas de Delcy Rodríguez, ressaltam a importância estratégica da energia na geopolítica global. A reabertura de canais para investimentos no setor de petróleo venezuelano, um dos maiores produtores históricos, pode ter impactos significativos nos mercados de energia, influenciando preços e a disponibilidade de combustíveis. Para empresas como a LZ7 Energia, que operam no setor de energia renovável, esses movimentos globais reforçam a necessidade de diversificação da matriz energética e a busca por soluções sustentáveis que garantam segurança e estabilidade, independentemente das flutuações e acordos no mercado de combustíveis fósseis. A dependência de uma única fonte de energia, como o petróleo, expõe os países a riscos geopolíticos, enquanto a energia solar oferece uma alternativa limpa e localmente gerada, contribuindo para a autonomia energética de comunidades e empresas.

Fonte: CNN Brasil — Nacional — matéria original publicada em cnnbrasil.com.br. Imagens e vídeos: CNN Brasil — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.