WASHINGTON, EUA — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria recusado uma proposta do Irã para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz em uma semana. A informação, divulgada pelo jornal The Wall Street Journal, cita fontes oficiais americanas não identificadas, e surge poucas horas depois de o Irã apresentar um roteiro para a normalização da passagem marítima, crucial para o transporte global de petróleo e gás natural. A rejeição ocorre dias após Trump ter ameaçado publicamente 'aniquilar' o Irã durante seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Estreito de Ormuz é uma via marítima vital, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializados globalmente em tempos de paz. A tensão na região tem sido alta, com os EUA mantendo sanções e um bloqueio naval, enquanto o Irã busca o alívio dessas medidas para desescalar o conflito.
Detalhes da Proposta Iraniana
A proposta iraniana, apresentada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, detalhava um plano para restaurar a passagem marítima normal no Estreito de Ormuz em até sete dias. Em declarações a repórteres na sexta-feira, Araghchi afirmou que a iniciativa exigia que os EUA cumprissem ações previamente acordadas no Memorando de Entendimento (MoU) de Islamabad de 17 de junho, que falhou em ser implementado, mas em um cronograma acelerado.
As condições iranianas, segundo Araghchi em um briefing privado para a mídia na quinta-feira, conforme reportado pelo The New York Times, incluíam:
- Liberação de 12 bilhões de dólares (US$ 12bn) em ativos iranianos congelados.
- Levantamento das sanções americanas sobre o petróleo iraniano.
- Fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
Além disso, o ministro iraniano exigiu que todas as hostilidades cessassem durante o período de sete dias, incluindo no Líbano, onde Israel ainda ocupa parte do sul do país. Araghchi estimou que, uma vez que as condições dos EUA fossem atendidas – o que ele acreditava levaria de quatro a cinco dias –, o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto e as negociações com os EUA para um 'acordo final' começariam no sétimo dia. Ele enfatizou que o processo poderia ser iniciado assim que os EUA aceitassem o plano.
A escolha agora recai sobre os Estados Unidos. O Irã não aceita coerção, ameaças ou intimidação.
Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores do Irã

A Resposta Americana e o Impasse
O governo dos EUA não se pronunciou publicamente sobre a proposta iraniana. No entanto, o The Wall Street Journal informou que o presidente Trump a descartou rapidamente, citando oficiais americanos que expressaram ceticismo sobre a disposição do Irã em cumprir as exigências dos EUA. As demandas mais persistentes de Trump incluem que o Irã nunca adquira uma arma nuclear e que restaure a livre passagem em Ormuz. O Irã, por sua vez, insiste que não discutirá seu programa nuclear até que suas próprias condições sejam atendidas, criando um impasse.
Um oficial americano disse à Al Jazeera que Washington não tem pressa em responder à proposta iraniana e se considera em uma posição forte em relação ao Estreito de Ormuz. Na noite de sexta-feira, Trump publicou em sua plataforma Truth Social uma imagem de um mapa rotulado como 'Estreito de Trump'. Anteriormente, o presidente americano havia afirmado que os EUA têm 'controle total' sobre a via navegável e ameaçou designá-la como território americano, uma alegação fortemente negada pelo Irã, que afirma ter controle completo do estreito.

Negociações de Paz em Andamento, mas Indiretas
Apesar da aparente rejeição, as negociações de paz continuam, embora em sua maioria de forma indireta. Durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, o Catar tem atuado como intermediário, transmitindo mensagens entre as duas partes. Tanto os EUA quanto o Irã declararam que a porta para a diplomacia permanece aberta, e um oficial americano descreveu as conversas mediadas como 'positivas e construtivas'.
O Catar, um mediador chave no conflito, confirmou que seu ministro das Relações Exteriores conversou com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian na sexta-feira sobre a desescalada e as condições para um novo diálogo. No início da semana, oficiais americanos, incluindo os enviados especiais Jared Kushner e Steve Witkoff, realizaram discussões mediadas com contrapartes iranianas em Nova York, um encontro que Trump descreveu como 'muito bom'.
No entanto, há um 'enorme ceticismo em Washington de que os dois países estejam na mesma página', de acordo com Thomas Warrick, membro sênior do Atlantic Council. Warrick disse à Al Jazeera que 'o melhor que podemos esperar é que esta oferta do ministro das Relações Exteriores iraniano leve a novas discussões para tentar esclarecer com quais pré-condições Washington está disposto a trabalhar'.
Próximos Passos no Confronto EUA-Irã
A situação pode evoluir para a renovação das hostilidades. Segundo os oficiais americanos citados pelo The Wall Street Journal, Trump teria dito a seus assessores que espera realizar uma nova campanha de bombardeios contra o Irã após as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro. Essa informação surge depois que Trump declarou na Assembleia Geral da ONU que estava considerando 'aniquilar' o Irã e 'levá-los ao inferno' na ausência de um acordo. Contraditoriamente, Trump também afirmou acreditar que um acordo para encerrar o conflito virá logo após as eleições de meio de mandato.
Paul Musgrave, professor associado de governo na Universidade de Georgetown no Catar, explicou à Al Jazeera que Trump 'não quer encerrar a guerra em termos desfavoráveis' e que o resultado das eleições de novembro provavelmente influenciará sua política. Se o Partido Republicano de Trump sofrer reveses significativos nas eleições – e perder sua maioria no Congresso –, ele poderá optar por 'ações unilaterais, incluindo talvez a retomada da guerra', disse Musgrave.
Isso também significaria que o Irã teria desferido um golpe político realmente doloroso ao Presidente Trump.
Paul Musgrave, professor associado de governo na Universidade de Georgetown no Catar
Musgrave acrescentou que tal cenário poderia desencadear uma escalada de curto prazo, 'seguida por negociações para que a Casa Branca não pareça estar apenas se rendendo'. A incerteza paira sobre a região, com o futuro das relações EUA-Irã dependendo em grande parte dos desdobramentos políticos internos nos Estados Unidos e da capacidade dos mediadores em encontrar um terreno comum para a diplomacia.
Leitura da LZ7 Energia
A escalada das tensões no Estreito de Ormuz tem implicações diretas e significativas para o mercado global de energia. Sendo uma rota vital para o transporte de petróleo e gás natural, qualquer interrupção ou ameaça de conflito na região pode levar a um aumento imediato e drástico nos preços dessas commodities. Para o Brasil e, consequentemente, para o Norte Pioneiro do Paraná, isso se traduz em custos de combustíveis mais elevados, impactando a economia local, o agronegócio e o custo de vida. A instabilidade no fornecimento e o encarecimento das fontes tradicionais de energia reforçam a importância de buscar alternativas mais estáveis e sustentáveis. A energia solar, por exemplo, oferece uma solução para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar os efeitos das flutuações geopolíticas nos preços da energia, promovendo maior segurança energética e economia para consumidores e empresas da região.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
