Em meio a uma semana de crescentes tensões diplomáticas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky defendeu as recentes ondas de ataques a refinarias de petróleo russas, afirmando estar 'apenas defendendo os interesses da Ucrânia'. A declaração veio após duras críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou as ações de Kiev como uma 'vergonha'. O atrito se intensifica com o controverso acordo de importação de diesel entre Washington e Moscou, que tem gerado forte descontentamento por parte da Ucrânia.
Zelensky, que esteve em Bruxelas para uma cúpula da União Europeia após uma visita a Londres, expressou sua indignação com o acordo de diesel, temendo que um pacto similar sobre gás possa ser o próximo. 'Se eu não me opuser a isso... quem mais o fará?', questionou o presidente ucraniano durante o evento em Bruxelas. As relações entre Washington e Kiev têm se deteriorado não apenas pelo acordo de diesel, mas também por restrições na rede de satélites Starlink, crucial para as operações militares ucranianas.
Tensões Crescentes e Críticas de Trump
A crítica de Donald Trump aos ataques ucranianos a refinarias russas, que ele alega poderiam impactar a capacidade de Moscou de cumprir sua parte no acordo de diesel, foi expressa em uma entrevista a um veículo de comunicação dos EUA na quinta-feira. O presidente americano, que recentemente fechou um acordo com a Rússia para importar 300.000 toneladas de diesel para o 'mercado americano e global', declarou que Zelensky era 'mais difícil de lidar do que [o presidente russo Vladimir] Putin'.
Não sou um grande fã de Zelensky. Ele não é um bom sujeito para lidarmos. Ele não quer um acordo. Ele diz que quer um acordo, mas não quer.
Trump também mencionou a animosidade entre os líderes russo e ucraniano como um obstáculo para a paz. Sobre os ataques às refinarias, Trump afirmou:
Tudo o que ele está fazendo é aumentar o preço mundial do petróleo... Há muitos alvos que você pode atingir.
A frustração de Trump com os ataques ucranianos aos alvos de petróleo russos está ligada à sua tentativa de conter a alta dos preços dos combustíveis nos EUA, especialmente do diesel, que dispararam desde o início da guerra com o Irã em fevereiro. Essa questão é vista como um fator que afeta sua popularidade junto ao público americano, algo que ele busca reverter antes das eleições de meio de mandato do próximo mês. Questionado em uma coletiva de imprensa em Bruxelas se sentia que Trump o estava usando como bode expiatório para seus problemas políticos, Zelensky fez uma pausa, sorriu, e disse: 'Esta é a minha resposta', provocando risos entre os jornalistas.

O Acordo de Diesel e o Impacto na Ucrânia
O acordo de diesel entre os EUA e a Rússia enfureceu Zelensky, que o classificou como um 'presente para Putin', afirmando que ele 'colocaria mais dinheiro diretamente no bolso de Putin para financiar esta guerra'. A ira de Kiev foi ainda mais intensificada no início da semana, quando restrições foram impostas à rede de internet Starlink, de propriedade dos EUA. Essa rede é considerada crítica para as capacidades militares da Ucrânia em sua defesa. Durante a desaceleração da Starlink na noite de terça-feira, ocorreram vários ataques russos mortais na Ucrânia, com residentes e o governo relatando a ausência de avisos prévios.
É uma surpresa muito perigosa e desagradável.
Zelensky descreveu a desaceleração da Starlink, acrescentando que as velocidades da rede ainda não haviam sido totalmente restauradas. A administração Trump já havia alertado anteriormente que poderia reter o compartilhamento de inteligência – crucial para as defesas da Ucrânia – caso Kiev não parasse de atingir as refinarias de petróleo da Rússia.
Busca por Apoio Europeu e Desafios de Defesa
A viagem de Zelensky a Bruxelas e Londres ocorreu no final de uma semana difícil. Ao chegar à cúpula na sexta-feira, onde líderes da União Europeia se uniram em apoio, Zelensky expressou satisfação em estar de volta entre aliados. 'Líderes, verdadeiros líderes', disse ele, em uma possível indireta ao presidente dos EUA. Na cúpula, o financiamento para a Ucrânia e a ajuda para que o país enfrente outro inverno rigoroso – o quinto desde a invasão russa em grande escala em 2022 – foram os principais tópicos da agenda.
O presidente ucraniano informou ao Conselho Europeu que a guerra custará 155 bilhões de euros (aproximadamente 174 bilhões de dólares) no próximo ano, com pelo menos 70 bilhões de euros necessários da UE para defesa e armamentos. Zelensky destacou que, embora a Ucrânia pudesse produzir até três vezes mais drones, 'simplesmente não [tem] dinheiro suficiente para isso'.
Um problema fundamental e de difícil solução para Kiev é a crônica falta de mísseis Patriot, fabricados nos EUA, para defender suas cidades. Zelensky acredita que a Europa possui todos os interceptadores que seu país precisaria neste inverno, mas descreveu a forma como estão sendo adquiridos como 'fragmentada'. Ele também abordou a relação tensa da Ucrânia com os EUA, afirmando que há 'muitas pessoas com bons corações na América' que querem 'ser aliados, não dividir ou humilhar a Europa'.
Ataques Continuam e Novas Bases de Drones
Enquanto a disputa diplomática persiste, os ataques mortais na Ucrânia também continuam. Várias pessoas foram mortas em um ataque de drone russo em Kharkiv na noite de quinta-feira, segundo autoridades locais. Autoridades russas, por sua vez, afirmam que o espaço aéreo acima de Moscou foi fechado por horas após ataques ucranianos, com 644 drones interceptados em 26 regiões russas.

Imagens de satélite revelaram que a Rússia construiu uma base de drones em apenas seis semanas. Segundo a BBC Verify, a nova instalação, localizada a 3,5 km da base aérea de Millerovo, perto da fronteira na região de Rostov, parece projetada para acomodar poderosos drones a jato, ligados a ataques mortais contra alvos civis. O local era um campo vazio em meados de agosto. Justin Crump, da empresa de inteligência de risco Sibylline, afirmou que a base sinaliza a intenção de Moscou de 'aumentar o ritmo de seus ataques contra a Ucrânia neste inverno'.
Enquanto isso, imagens da empresa de inteligência Vantor, sediada nos EUA, mostram que um ataque de míssil ucraniano destruiu vários caças-bombardeiros Su-34 na base aérea de Borisoglebsk, na região de Voronezh. Uma grande marca de queimadura, detritos e danos significativos são visíveis no local onde uma imagem tirada dias antes mostrava vários Su-34 alinhados na pista.
Serviço
Este artigo foi baseado em informações apuradas pela BBC News — World e publicado em 16 de outubro de 2026, com atualizações posteriores.
O que isso significa para a região
A escalada das tensões internacionais, especialmente em um conflito que envolve grandes potências e impacta o mercado global de energia, tem repercussões diretas e indiretas para o Norte Pioneiro do Paraná. A instabilidade nos preços do petróleo e do diesel, como a mencionada no contexto da guerra e das decisões políticas, afeta diretamente os custos de transporte e produção em nossa região. A dependência de combustíveis fósseis, cujos preços são voláteis em cenários de conflito, ressalta a importância de buscar alternativas energéticas mais estáveis e sustentáveis. A busca da Ucrânia por autossuficiência energética e a necessidade de financiamento para sua defesa também ilustram como a segurança energética se entrelaça com a segurança nacional e a estabilidade econômica global.
Leitura da LZ7 Energia
O cenário de instabilidade geopolítica e a flutuação dos preços dos combustíveis fósseis, como o diesel, reforçam a urgência de uma transição energética para fontes renováveis. Para o Norte Pioneiro do Paraná, que possui um forte setor agrícola e industrial, a dependência de combustíveis importados e sujeitos a crises internacionais representa um risco econômico significativo. A energia solar, por exemplo, oferece uma alternativa de geração local, com custos mais previsíveis e menor impacto ambiental, contribuindo para a segurança energética das empresas e residências da região. Ao reduzir a dependência de fontes externas e voláteis, a energia solar não apenas estabiliza os custos de energia, mas também impulsiona a economia local e fortalece a resiliência da infraestrutura energética frente a choques globais.
Fonte: BBC News — World (internacional) — matéria original publicada em bbc.com. Imagens e vídeos: BBC News — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
