Após uma década de disputas judiciais, o Ministério Público Federal (MPF) e as empresas responsáveis pelo empreendimento Riviera de São Lourenço, localizado em Bertioga, no litoral norte de São Paulo, firmaram um acordo significativo. O termo de conciliação tem como objetivo mitigar e compensar os impactos ambientais decorrentes da implantação do projeto, que foi alvo de uma ação civil pública do MPF por irregularidades como a retirada ilícita de vegetação de restinga e intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Fim de uma disputa judicial de 10 anos
A homologação deste acordo marca o encerramento de um litígio que se arrastava por dez anos, trazendo à tona questões cruciais sobre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. O bairro planejado Riviera de São Lourenço esteve sob escrutínio do MPF devido a alegações de danos ambientais, especialmente a supressão de vegetação nativa e a ocupação de áreas sensíveis.
O termo assinado representa um compromisso das empreendedoras em reverter e compensar os prejuízos causados, além de investir em melhorias para a região de Bertioga. A negociação envolveu diversos órgãos e entidades, sublinhando a complexidade e a importância do tema para a gestão territorial e ambiental do litoral paulista.
Compromissos e investimentos milionários
O acordo firmado entre o MPF e as empresas Companhia Fazenda Acaraú, Praias Paulistas e Sobloco Construtora estabelece um montante de aproximadamente R$ 40 milhões em contrapartidas. Estes recursos serão integralmente custeados pelas empreendedoras e destinados a ações ambientais e de infraestrutura na região de Bertioga.
Entre as principais medidas acordadas, destacam-se:
- Aquisição e Doação de Propriedade: Uma das ações mais relevantes é a aquisição e doação de uma propriedade de 48 hectares, com vegetação nativa preservada, situada na Praia de Guaratuba. Esta área, avaliada em R$ 26 milhões, será incorporada ao Parque Estadual Restinga de Bertioga, ampliando a área de proteção ambiental na região.
- Projeto de Engenharia para Canal de Bertioga: As empresas serão responsáveis pela execução de um projeto de engenharia para a regularização do canal de Bertioga, com um custo estimado em R$ 8 milhões. Esta iniciativa visa aprimorar a infraestrutura hídrica e ambiental local.
- Construção de Prédio Administrativo: O acordo também prevê a construção de um prédio administrativo para a Capitania dos Portos, um investimento de R$ 6 milhões, que contribuirá para a melhoria da infraestrutura de apoio às atividades marítimas na área.

Parque Estadual Restinga de Bertioga: um tesouro da biodiversidade
A incorporação da propriedade na Praia de Guaratuba ao Parque Estadual Restinga de Bertioga reforça a importância dessa unidade de conservação. O parque é reconhecido por sua rica biodiversidade, abrigando um número impressionante de espécies. De acordo com informações do Governo de São Paulo, o local é lar de 53 espécies de bromélias, o que representa um terço de todas as espécies encontradas no estado. Além disso, o parque protege 44 espécies ameaçadas de extinção, ressaltando seu papel crucial na conservação da flora e fauna brasileiras.

A expansão do parque com a nova área de 48 hectares, avaliada em R$ 26 milhões, não só aumenta seu território protegido, mas também fortalece a conectividade ecológica e a resiliência dos ecossistemas locais. A vegetação nativa preservada dessa propriedade é um ativo inestimável para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos que a restinga oferece.

Ampla colaboração institucional
A complexidade e a abrangência do acordo exigiram a participação de diversas instituições, que atuaram em conjunto para alcançar a conciliação. Além do Ministério Público Federal e das empreendedoras, a negociação envolveu:
- A Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo (SPU/SP)
- A Marinha do Brasil
- A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)
- A Fundação Florestal
- O município de Bertioga
Essa colaboração interinstitucional foi fundamental para abordar todas as nuances do caso, desde a regularização fundiária até os aspectos ambientais e de infraestrutura, garantindo que o acordo fosse abrangente e eficaz.

Impacto para a região de Bertioga
O acordo representa um marco significativo para Bertioga, não apenas pela resolução de uma longa disputa, mas também pelos benefícios diretos que trará à comunidade e ao meio ambiente. Os investimentos em infraestrutura, como a regularização do canal e a construção do prédio da Capitania dos Portos, prometem melhorias tangíveis para os moradores e para as atividades econômicas locais. As contrapartidas ambientais, por sua vez, reforçam o compromisso com a preservação de um ecossistema vital, garantindo que o desenvolvimento ocorra de forma mais sustentável. A expansão do Parque Estadual Restinga de Bertioga é um legado importante para as futuras gerações, protegendo um patrimônio natural de valor inestimável.
Leitura da LZ7 Energia
A resolução de conflitos ambientais complexos como o da Riviera de São Lourenço, com a destinação de grandes investimentos para compensação e infraestrutura, ressalta a importância de um planejamento energético sustentável. Empreendimentos de grande porte, como os que demandam muita energia, precisam cada vez mais considerar sua pegada ambiental desde a concepção. A integração de fontes de energia limpa, como a solar, em projetos urbanos e de infraestrutura, pode não apenas reduzir impactos negativos, mas também agregar valor e sustentabilidade a longo prazo. A LZ7 Energia acompanha o desenvolvimento de regiões como Bertioga, onde o equilíbrio entre crescimento e preservação é fundamental, e vê na energia solar uma aliada para um futuro mais verde e economicamente viável para o Norte Pioneiro do Paraná e outras regiões em desenvolvimento.
Fonte: Metrópoles — Nacional — matéria original publicada em metropoles.com. Imagens e vídeos: Metrópoles — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
