O que aconteceu
A Axia Energia apresentou suas primeiras ofertas agregadas no Programa Estrutural de Resposta da Demanda (RD). A operação reuniu cargas de múltiplos consumidores do mercado livre de energia, totalizando 15 MW divididos em três ofertas, com valores que chegaram a até R$ 991/MWh. A empresa aponta ser a pioneira na viabilização desse modelo de agregação no mercado brasileiro.
O que muda
Pelas diretrizes do programa, cada oferta de redução de carga direcionada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) exige um volume mínimo de 5 MW. Com isso, empresas com menor porte de consumo ficavam impossibilitadas de participar de forma isolada. A figura do agregador possibilita que diversas companhias combinem seus potenciais de modulação de carga para atingir o piso regulatório exigido.
Quem é afetado
A medida beneficia diretamente consumidores industriais e comerciais inseridos no mercado livre que possuem flexibilidade operacional para modular consumo, mas demandam menos de 5 MW de alívio. No processo, as empresas ofertam cortes programados, com foco nos horários de pico do sistema elétrico (normalmente entre 18h e 22h). O ONS analisa essas propostas no dia anterior e define se aciona ou não a redução.
Por que isso importa
A Resposta da Demanda funciona como uma alternativa operacional para garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) em momentos de ponta, remunerando quem reduz a carga em vez de acionar térmicas mais caras. A abertura do mecanismo para cargas menores via agregação amplia a liquidez do programa e cria uma nova fonte de remuneração para a eficiência operacional de médios e pequenos consumidores industriais.
Visão LZ7
A entrada de agentes agregadores no mecanismo de Resposta da Demanda é um avanço natural da modernização do setor elétrico. Consumidores comerciais e industriais deixam a posição de meros pagadores de faturas para se tornarem agentes ativos de flexibilidade do sistema. A gestão energética eficiente combinada a fontes renováveis e modulação de consumo consolida-se como vetor de competitividade para médias empresas.
O que acompanhar agora
Resta acompanhar a frequência de acionamento dessas ofertas pelo ONS e a adesão de novos agregadores ao programa, além da evolução regulatória para simplificar a medição e liquidação dessas cargas na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
