Os eleitores da província de Alberta, no Canadá, rejeitaram de forma expressiva uma proposta para dar início a um processo de separação e independência do país. De acordo com projeções divulgadas pela emissora pública nacional CBC no início da terça-feira, o resultado consolidou uma vitória política para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e para os defensores da unidade nacional.

Resultado das urnas e projeções preliminares

Com mais de 1 milhão de votos já computados nas primeiras horas após o pleito, aproximadamente 76% dos participantes manifestaram apoio à permanência de Alberta dentro do Canadá. Em contrapartida, cerca de 23% dos eleitores foram favoráveis ao início dos trâmites legais que poderiam, no futuro, conduzir a província à separação.

Até o momento da divulgação das primeiras projeções, aproximadamente um terço do total de cédulas havia sido apurado. O órgão responsável pelo processo eleitoral local, o Elections Alberta, informou que a contagem completa e os resultados definitivos de todas as questões submetidas à consulta popular podem levar vários dias para serem totalmente concluídos.

Logística eleitoral e questões submetidas aos cidadãos

A votação contou com atrasos em cerca de 100 dos 1.400 locais de votação distribuídos por toda a província, o que adiou a divulgação dos primeiros números em mais de duas horas. No entanto, logo após o fechamento definitivo das seções eleitorais na noite de segunda-feira, a contagem rápida já indicava uma margem sólida e favorável à manutenção da união com o país.

A consulta popular desta segunda-feira colocou 10 temas em avaliação para a população de Alberta. Além da questão sobre a separação nacional — que consultava se a população preferia permanecer no Canadá ou iniciar trâmites jurídicos com vista a um segundo referendo —, a cédula incluiu itens sobre temas cruciais para a administração local:

  • Imigração;
  • Saúde pública;
  • Educação;
  • Competências e poderes constitucionais da província.
Forever Canadian supporters wave flags and hold signs urging people to vote in Calgary
Forever Canadian supporters wave flags and hold signs urging people to vote in Calgary

Mobilização política e pronunciamentos das lideranças

Nos dias que antecederam a votação, representantes federais e provinciais percorreram Alberta para apresentar seus argumentos aos eleitores. O primeiro-ministro Mark Carney, que cresceu na cidade de Edmonton, alertou os moradores da província — polo relevante pela extração de petróleo — contra o uso do voto apenas como instrumento de protesto direcionado às autoridades centrais federais.

“Um voto contra o Canadá é um blefe perigoso que levará a anos de profunda incerteza e oportunidades perdidas para os cidadãos de Alberta e os canadenses”, afirmou Mark Carney durante discurso na semana anterior ao pleito.

O líder conservador Pierre Poilievre, que possui assento no parlamento federal pela própria província de Alberta, também se dirigiu a um grupo de apoiadores, afirmando que os habitantes da região não são pessoas que desistem diante de dificuldades.

“Para aqueles que estão pensando em descontar sua frustração com o governo atual votando pela separação no referendo, eu digo o seguinte: o Canadá é mais do que um governo. É um povo, uma bandeira, uma terra, uma história e uma promessa”, declarou Pierre Poilievre.

Participação popular e cenário político interno

Segundo os dados compilados pelo Elections Alberta, aproximadamente 43% dos eleitores aptos a votar — contingente que representa 1,3 milhão de pessoas — já haviam participado antes de segunda-feira, utilizando as modalidades de voto antecipado ou envio de cédulas pelo correio. A elevada movimentação aponta para um comparecimento geral potencialmente superior ao registrado na última consulta realizada na província, em 2021.

A premiê de Alberta, Danielle Smith, declarou publicamente que votaria pela permanência no Canadá, embora tenha concedido liberdade aos membros eleitos de seu próprio partido, o Partido Conservador Unido, para votarem como quisessem. A ascensão de Smith à liderança partidária ocorreu com forte apoio de alas separatistas da legenda que destituíram seu antecessor, Jason Kenney.

Nos últimos meses, Danielle Smith procurou equilibrar as cobranças de separatistas e federalistas de sua base, em meio a um eleitorado provinciano cuja maioria vinha rejeitando a ideia de secessão. O tema desgastou o partido governista, que registrou queda de popularidade recente e sofreu derrota em uma eleição suplementar em área historicamente conservadora. Integrantes do movimento separatista, entretanto, afirmaram que pretendem dar continuidade à causa no futuro.

Impacto econômico e visão da capital regional

O debate separatista levantou receios entre administradores municipais sobre potenciais prejuízos aos investimentos na região. O prefeito de Calgary, Jeromy Farkas, expressou preocupação direta com uma eventual fuga de capitais decorrente do ambiente de instabilidade e reafirmou seu posicionamento contrário à separação.

“Eu sou canadense porque sou canadense, não de forma transacional e independentemente de qual seja a orientação do primeiro-ministro. E continuarei defendendo que nosso futuro é mais forte juntos, porque nenhum resultado enterrará esse assunto em definitivo. O movimento separatista vê isso como um projeto de longo prazo”, destacou Jeromy Farkas.

Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.