O Banco da Indonésia (BI), autoridade monetária do país asiático, enfrenta uma crescente pressão de analistas de mercado para elevar sua taxa básica de juros na reunião agendada para esta quarta-feira. A movimentação ocorre após a fornecedora global de índices MSCI alertar que avalia rebaixar o mercado de ações do país do status de mercado emergente para a categoria de "mercado independente" (standalone), classificação que detém desde 1989. O alerta desencadeou uma forte onda de vendas de ações e intensa desvalorização cambial da rúpia indonésia, levando bancos e consultorias financeiras a revisarem com urgência suas projeções.

Divisão de analistas e projeções para os juros

Diante do novo cenário de instabilidade financeira, economistas revisaram suas estimativas para a condução da política monetária no país. O Citibank alterou sua projeção anterior, que previa manutenção, e agora calcula uma alta preventiva de 50 pontos-base, o que levaria a taxa básica para 6,25%. Por outro lado, instituições como a consultoria Capital Economics e o Permata Bank projetam um avanço mais contido, de 25 pontos-base, elevando a taxa referencial para 6%.

A taxa básica de recompra reversa de sete dias do país está mantida em 5,75% desde o mês de junho. Desde maio, a autoridade monetária já aplicou aumentos acumulados de 100 pontos-base com o objetivo de equilibrar os indicadores macroeconômicos e estabilizar o fluxo cambial.

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Impactos imediatos na moeda e nas bolsas de valores

O comunicado da MSCI gerou forte turbulência financeira. Na sexta-feira seguinte ao aviso, o Índice Composto de Jacarta (Jakarta Composite Index) enfrentou a pior onda de desvalorização em dois dias já registrada em sua história. Na terça-feira, o índice acionário esboçou uma recuperação de aproximadamente 3%, após os reguladores locais anunciarem medidas emergenciais para elevar a transparência das negociações e a formação de preços, entre elas a exclusão de empresas de capital altamente concentrado do índice principal.

No mercado cambial, a situação permaneceu crítica. A rúpia indonésia recuou nesta terça-feira para o patamar de 18.030 por dólar norte-americano, aproximando-se da mínima recorde observada em junho. No acumulado do ano, a moeda local acumula desvalorização em torno de 8% frente à divisa norte-americana.

"Não entregar um aumento de juros [nesta quarta-feira] correria o risco de decepcionar investidores e alimentar ainda mais pressão de baixa sobre a moeda. Uma decisão de manter os juros na quarta-feira também poderia reviver preocupações entre investidores de que o Banco da Indonésia está cedendo à pressão política."
— Jason Tuvey, economista-chefe adjunto para mercados emergentes da Capital Economics

Pressão inflacionária, reservas e visão dos especialistas

No front dos preços ao consumidor, a inflação cheia da Indonésia acelerou em setembro para a máxima em três meses, alcançando 3,28%. O patamar permanece dentro do intervalo de tolerância da meta oficial do governo, estabelecido entre 1,5% e 3,5%. Paralelamente, o núcleo da inflação — indicador que exclui itens mais voláteis — arrefeceu para 2,84% no mesmo mês.

A governadora do Banco da Indonésia, Destry Damayanti, defendeu que o volume de reservas internacionais do país, registrado em US$ 146,3 bilhões ao final de setembro, é adequado e suficiente para conter a volatilidade excessiva e estabilizar a rúpia. A gestora participou recentemente de entrevista coletiva ao lado do ministro das Finanças, Suahasil Nazara, na sede da instituição, em Jacarta.

Segundo Helmi Arman, analista do Citi, um eventual ajuste na taxa de juros buscaria impedir que o fluxo de saída do mercado acionário atinja o setor de títulos públicos (bonds) e provoque uma fuga de capitais por parte dos próprios investidores domésticos. Arman estima que o aperto possa ser pontual, seguido por iniciativas complementares, tais como novas captações de dívida externa em moeda estrangeira pelo governo ou uma nova rodada de acordos bilaterais de swap cambial com outros bancos centrais.

Indonesia needs stricter enforcement to mitigate MSCI downgrade risk: Macquarie Capital
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Risco de fuga de capitais e integridade de mercado

Para analistas do setor bancário indonésio, o principal desafio transcende a simples movimentação tática da autoridade monetária em termos de liquidez imediata. A preocupação central reside na credibilidade das estruturas regulatórias do mercado local.

Josua Pardede, economista-chefe do PT Bank Permata, calcula que investidores internacionais já registraram saída líquida de cerca de US$ 5 bilhões em ações indonésias ao longo deste ano. Ele alerta que a continuidade da retirada pode contaminar o mercado de títulos soberanos:

"O maior risco não é simplesmente perder o status de Mercado Emergente, mas deixar que as dúvidas sobre a integridade do mercado se transformem em um aumento duradouro no custo de capital da Indonésia."
— Josua Pardede, economista-chefe do PT Bank Permata

De acordo com os cálculos de Pardede, uma efetiva reclassificação negativa pela MSCI tem potencial para forçar a retirada imediata de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões em recursos alocados em fundos passivos. Além disso, outros US$ 15 bilhões em capital estrangeiro sob gestão ativa ficariam expostos a processos de reavaliação de risco.

O cronograma projetado pelo economista aponta para um ajuste de mercado dividido em duas etapas:

  • Vendas preventivas: ao longo de todo o primeiro semestre de 2027, com investidores reduzindo a exposição antecipadamente;
  • Vendas mecânicas: liquidação automática de posições caso a MSCI confirme a reclassificação definitiva do país até junho.

Pardede ressalta que, embora o Banco da Indonésia possa atuar para garantir liquidez e amortecer oscilações bruscas, somente a implementação de reformas sólidas de governança de mercado responderá às exigências dos investidores globais. As demandas incluem a publicação de dados confiáveis sobre ações em livre circulação (free-float), ampla transparência na estrutura societária das companhias listadas e canais claros de diálogo com investidores institucionais internacionais.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.