Em um cenário político projetado para o próximo ciclo presidencial, o diretor da Eurasia Group, Christopher Garman, destacou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro, caso eleito em 2026, estaria em uma posição privilegiada para implementar reformas fiscais significativas. A avaliação foi apresentada durante a sexta edição do WW Talks, evento promovido pela CNN Brasil em parceria com a Galapagos Capital e a Eurasia Group, que busca aprofundar a compreensão de movimentos políticos e econômicos no Brasil e no mundo.

Cenário Político Propício para Reformas

De acordo com Garman, a força da bancada de direita no Congresso Nacional, aliada ao interesse dos próprios parlamentares em salvaguardar as emendas parlamentares, criaria um ambiente favorável para a aprovação de uma reforma fiscal robusta. A análise sugere que, sem um ajuste nos gastos obrigatórios, o espaço para as emendas tende a diminuir com o tempo, o que motivaria os congressistas a apoiar medidas de ajuste.

“Se o Flávio Bolsonaro ganhar, ele está com a faca e o queijo na mão para aprovar as reformas no ano que vem. Ele vai estar com uma bancada expressiva, os parlamentares de centro vão querer se aproximar do governo e também eles reconhecem que, se você não endereçar o gasto obrigatório, o espaço para as emendas vai diminuir ao longo do tempo. Tem o interesse de preservar as suas emendas parlamentares”, afirmou Christopher Garman, diretor da Eurasia Group, durante sua participação no WW Talks.

Garman ressaltou que o início de um mandato presidencial é historicamente um período com maior capacidade política para aprovar reformas complexas. Ele citou exemplos de ex-presidentes que conseguiram avançar com agendas difíceis em seus primeiros anos de governo.

Análise da Eurasia Group aponta cenário favorável para reformas fiscais em 2027
Foto: CNN Brasil — Nacional

Precedentes Históricos e o Choque de Credibilidade

O diretor da Eurasia Group fez um paralelo com governos anteriores para ilustrar a viabilidade de reformas em inícios de mandato. Michel Temer, por exemplo, conseguiu aprovar o teto de gastos, enquanto Jair Bolsonaro implementou a reforma da Previdência. Esses casos, segundo Garman, demonstram que as condições políticas podem ser muito propícias para ações decisivas logo após uma eleição.

“Você sai da eleição, coloca uma super PEC de transição, de meta de dívida, corte de gastos. As condições políticas são muito propícias para aprovar. Geralmente, no início de mandato, você tem capacidade para fazer uma reforma difícil. Michel Temer fez o teto de gastos, Jair Bolsonaro fez a reforma da Previdência. Então, por que não teria condições de aprovar uma reforma fiscal mais robusta?”, questionou Garman.

Ainda segundo a análise, Flávio Bolsonaro parece ter assimilado a ideia de que um ajuste fiscal é crucial para conferir credibilidade ao seu governo e criar as condições necessárias para a redução das taxas de juros. Essa percepção seria um motor para a busca por reformas econômicas, em detrimento de outras agendas que poderiam gerar conflitos desnecessários.

Análise da Eurasia Group aponta cenário favorável para reformas fiscais em 2027
Foto: CNN Brasil — Nacional

Foco na Economia para Evitar Fracasso

Christopher Garman indicou que a prioridade de Flávio Bolsonaro, caso eleito, seria o equilíbrio fiscal para garantir a estabilidade econômica. A crença é que, sem um 'choque de credibilidade' na área fiscal e sem a criação de um ambiente para a queda dos juros, o governo poderia ser considerado um fracasso do ponto de vista econômico.

“Eu tenho para mim que foi vendido ao Flávio Bolsonaro que, se ele não der um choque de credibilidade do lado fiscal e criar condições para a queda dos juros, economicamente seu governo vai ser fracassado, e ele comprou alguma versão desse diagnóstico. Eu acho que ele não vai colocar uma reforma judiciária, arranjar uma briga no Supremo e não tentar aprovar de forma seleta uma reforma fiscal”, concluiu Garman.

Essa abordagem seletiva em relação às reformas sugere que o foco principal seria a agenda econômica, evitando embates em outras áreas, como o judiciário, que poderiam desviar a atenção e os recursos políticos do objetivo central de ajuste fiscal.

Sobre o WW Talks

O WW Talks é uma série de eventos mensais que tem como objetivo aprofundar a discussão sobre os movimentos que moldam o Brasil e o cenário global. Organizado pela CNN Brasil em parceria com a Galapagos Capital e a Eurasia Group, o programa reúne especialistas para oferecer diferentes perspectivas sobre as decisões políticas e econômicas tomadas por agentes nacionais e internacionais. A sexta edição do evento, que contou com a participação de Christopher Garman, reforça o compromisso em trazer análises aprofundadas sobre temas de relevância para o país.

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Implicações para o Cenário Nacional

A análise de Garman, publicada por Poliana Santos, destaca a importância das eleições de 2026 e o potencial impacto de seus resultados na direção econômica do país. A possibilidade de um governo com forte apoio legislativo para reformas fiscais pode sinalizar um período de mudanças significativas na gestão das contas públicas, com reflexos em diversos setores da economia brasileira. A discussão sobre a necessidade de um ajuste fiscal e a capacidade de um futuro governo em implementá-lo permanece central no debate político e econômico.

Análise da Eurasia Group aponta cenário favorável para reformas fiscais em 2027
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Fonte: CNN Brasil — Nacional — matéria original publicada em cnnbrasil.com.br. Imagens e vídeos: CNN Brasil — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.