Kiev, capital da Ucrânia, foi novamente alvo de ataques russos, com uma instalação energética vital e um prédio residencial sendo atingidos na noite de terça-feira, 13 de outubro de 2026. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que a Darnytska CHP-4, ou CHPP-4, uma usina termelétrica combinada de calor e energia, foi atingida por um míssil balístico. O ataque também causou destruição em um edifício residencial, resultando em mortes e feridos, conforme detalhado pelas autoridades locais.

Ataque à infraestrutura e vítimas

O presidente Zelensky declarou que a Darnytska CHP-4 (Central Termelétrica Combinada 4), uma instalação crucial para o fornecimento de aquecimento e eletricidade à capital ucraniana, foi atingida. Ele expressou forte descontentamento com o fato de o ataque ter ocorrido 'sem aviso prévio de nossos parceiros', referindo-se à falta de informações sobre os lançamentos de mísseis balísticos.

Além da usina, um prédio residencial foi severamente danificado. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que o ataque ao bloco de apartamentos resultou na morte de duas pessoas e deixou 21 feridos. Quatro das vítimas estavam em estado grave, necessitando de cuidados intensivos. Este incidente marca a segunda noite consecutiva em que Kiev é alvo de mísseis russos, intensificando a preocupação com a segurança da população e a resiliência da infraestrutura da cidade.

"A Ucrânia apoiou um cessar-fogo energético. A Rússia está visando mais uma usina de energia e as vidas de nosso povo", afirmou Zelensky em suas redes sociais após os ataques de terça-feira. "Isso é absolutamente injusto: quando eles estão destruindo nossa infraestrutura energética, e a Ucrânia nem sequer está recebendo avisos antecipados sobre lançamentos de mísseis balísticos."

Two firefighters hold a hose spraying water onto an apartment building which is alight
Two firefighters hold a hose spraying water onto an apartment building which is alight

Cessar-fogo em questão e declarações de Trump

O ataque ocorre apenas dois dias depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um cessar-fogo energético havia sido acordado entre a Rússia e a Ucrânia. No entanto, Kiev relatou múltiplos ataques russos após o anúncio, colocando em xeque a efetividade e a validade desse acordo. Zelensky criticou a situação, ressaltando a destruição contínua da infraestrutura energética ucraniana.

"É importante que o mundo não permaneça em silêncio sobre isso. E é importante que os Estados Unidos realmente vejam o que está acontecendo e quem é responsável pela continuação desta guerra", acrescentou o presidente ucraniano.

Após os ataques de segunda-feira à noite, surgiram especulações de que os Estados Unidos teriam cortado o acesso da Ucrânia a informações de inteligência cruciais, que permitiriam o rastreamento de ameaças iminentes. No entanto, Trump negou tais alegações na terça-feira, antes dos ataques mais recentes.

"Estamos ajudando-os e estamos compartilhando inteligência", disse Trump. "Queremos que a guerra termine. Então estamos trabalhando com eles e com a Rússia para que a guerra termine."

Questionado sobre os ataques russos a instalações energéticas ucranianas, Trump mencionou que "a Ucrânia atingiu muitos locais no dia anterior". Contudo, ele evitou responder diretamente se a Rússia havia quebrado um cessar-fogo, afirmando que ambos os países desejam o fim da guerra, mas "simplesmente não sabem como chegar lá".

Contexto político e o cessar-fogo proposto

A discussão sobre um cessar-fogo energético e a continuidade dos ataques se desenrola em meio a um cenário político complexo. No domingo anterior, Zelensky havia proposto um cessar-fogo de 60 dias para permitir a realização de eleições presidenciais em seu país, seguindo comentários de Trump de que "é hora de a Ucrânia ter um novo presidente".

A resposta da Rússia à proposta de cessar-fogo foi negativa. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, declarou que a Ucrânia não merecia o "alívio" que um cessar-fogo traria. Lavrov argumentou que, sob qualquer cessar-fogo, a Europa poderia "bombear [a Ucrânia] com novas armas" para que o conflito continuasse, indicando a falta de confiança e a complexidade das negociações de paz.

Gen Oleksandr Syrskyi walks in a trench in front of other soldiers.
Gen Oleksandr Syrskyi walks in a trench in front of other soldiers.

Histórico de ataques à CHPP-4

A Darnytska CHPP-4, que fornece aquecimento e eletricidade para o distrito de Dniprovskyi e partes do distrito de Darnytskyi, tem sido um alvo frequente durante o conflito. A usina já havia sofrido danos significativos em um ataque de míssil russo separado em fevereiro deste ano, o que a forçou a interromper suas operações.

Aquele ataque anterior deixou mais de 1.000 edifícios residenciais sem aquecimento e água quente, além de afetar 47 escolas, 72 jardins de infância e 18 instituições médicas, conforme informações da agência de notícias Reuters. A recorrência desses ataques a infraestruturas críticas demonstra uma estratégia contínua de desestabilização e pressão sobre a Ucrânia, impactando diretamente a vida civil e a capacidade do país de manter serviços essenciais.

Ukrainian rescuers work at the site of a Russian drone strike on a residential building in Kharkiv, north-eastern Ukraine on Monday
Ukrainian rescuers work at the site of a Russian drone strike on a residential building in Kharkiv, north-eastern Ukraine on Monday

O que isso significa para a região

Os ataques contínuos à infraestrutura energética ucraniana, como a Darnytska CHPP-4, têm um impacto devastador na vida dos civis, especialmente com a proximidade do inverno. A interrupção no fornecimento de aquecimento e eletricidade não apenas causa desconforto, mas também representa um risco significativo para a saúde e segurança da população, especialmente em áreas densamente povoadas como Kiev.

A falta de um cessar-fogo efetivo e a continuidade dos ataques destacam a fragilidade da situação e a dificuldade em alcançar uma resolução pacífica. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, é chamada a intensificar os esforços diplomáticos e de apoio para proteger a população civil e garantir a estabilidade da região. A destruição de infraestruturas essenciais também levanta questões sobre a reconstrução pós-conflito e os desafios a serem enfrentados pela Ucrânia no futuro.

Leitura da LZ7 Energia

Os ataques direcionados a usinas de energia, como a Darnytska CHPP-4 em Kiev, ressaltam a vulnerabilidade da infraestrutura energética tradicional em tempos de conflito. A dependência de grandes centrais de geração e distribuição centralizada as torna alvos estratégicos, com consequências severas para o abastecimento de eletricidade e aquecimento para milhares de pessoas. Este cenário reforça a importância de sistemas energéticos mais resilientes e descentralizados. A energia solar, por exemplo, oferece uma alternativa que pode ser implementada em menor escala, distribuída em telhados de residências e edifícios, tornando o sistema menos suscetível a ataques massivos e mais rápido para restaurar em caso de danos localizados. A capacidade de gerar energia localmente, mesmo em pequena escala, pode ser crucial para manter serviços essenciais e aquecimento em comunidades, mitigando os impactos de interrupções em grandes redes. Investir em fontes renováveis e na descentralização da geração de energia não é apenas uma questão ambiental ou econômica, mas também de segurança e resiliência em contextos de instabilidade.

Fonte: BBC News — World (internacional) — matéria original publicada em bbc.com. Imagens e vídeos: BBC News — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.