Em um cenário global marcado por inflação, taxas de juros e crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, o analista financeiro Todd Gordon, fundador da Inside Edge Capital, LLC, está aconselhando investidores a reavaliarem suas estratégias no setor de energia. Gordon, que recentemente concluiu um evento para clientes em Saratoga Springs, Nova York, percebeu que as principais preocupações dos participantes giravam em torno da alocação de energia, apesar do burburinho em torno da inteligência artificial.
A análise de Gordon sugere uma mudança de perspectiva, especialmente para quem busca retornos no mercado de ações de energia. Ele alerta para uma possível reversão nas margens de refino, o que poderia impactar negativamente as empresas do setor. Em vez disso, ele aponta para oportunidades em exploração e produção, que estão mais diretamente ligadas aos preços das commodities.
Cenário Macroeconômico e o Federal Reserve
Gordon detalha a complexidade do ambiente macroeconômico, observando a pressão sobre o Federal Reserve (banco central dos EUA) para aumentar as taxas de juros. Em 4 de agosto, ele havia indicado que o Fed provavelmente não aumentaria as taxas até que a diferença entre o rendimento de 2 anos e os futuros de fundos federais ultrapassasse 47 pontos-base. Atualmente, essa diferença atingiu 64 pontos-base, superando o nível que precedeu o início do aperto monetário em dezembro de 2015.
Apesar disso, o analista mantém cautela. Ele ressalta que dezembro de 2015 representou o aperto mais rigoroso das seis elevações de taxas de juros observadas nas últimas três décadas, indicando que o nível atual, embora acima do mínimo histórico, não é um padrão típico. O mercado futuro, no entanto, parece mais impaciente. Para a reunião de 16 de setembro, há uma probabilidade de 68,2% de aumento, subindo de 65,4% no dia anterior. Para a reunião de 28 de outubro, as chances agregadas de um aumento de 25 pontos-base são de 97%.
Gordon apresentou um gráfico em seu evento que ilustra o rendimento nominal de 10 anos, a inflação esperada e o rendimento real de 10 anos. O rendimento real é a diferença entre o rendimento nominal (4,73%) e a inflação esperada (2,31%), resultando em 2,42%. Essa métrica é crucial para investidores de renda fixa, pois mostra o retorno efetivo após a inflação.
Um ponto de destaque é que, embora o petróleo WTI esteja novamente acima de 90 dólares o barril, a inflação esperada está diminuindo, não aumentando. Se o mercado de títulos acreditasse que o petróleo a 90 dólares se tornaria um problema inflacionário duradouro, a linha da inflação esperada estaria em ascensão, o que não é o caso. Isso, combinado com o aumento dos rendimentos nominais, pode atrair compradores para títulos do Tesouro com esses rendimentos reais, aliviando a pressão sobre o Fed para aumentar as taxas.
O Setor de Energia: Mais do que Apenas um Segmento
O setor de energia, representado pelo ETF XLE, teve um desempenho impressionante, com alta de 46,6% no último ano, superando a tecnologia, que ficou em segundo lugar com 27,9%. Contudo, Gordon enfatiza que a energia não é um único 'trade', mas sim um conjunto de segmentos distintos, cada um com suas próprias dinâmicas:
- Exploração e Produção (Upstream): Envolve a descoberta, perfuração e venda de petróleo bruto. É o segmento mais sensível aos preços das commodities. Compreende 32 nomes no universo energético, sendo 8 deles parte do ETF XLE.
- Refino e Marketing (Downstream): Empresas que compram petróleo bruto e o convertem em gasolina, diesel e combustível de aviação. Seus lucros são impulsionados pelo 'crack spread' (margem de refino), e não pelo preço do petróleo bruto. Refinadoras como Marathon Petroleum (MPC), Valero (VLO) e Phillips 66 (PSX) frequentemente prosperam quando as empresas de exploração e produção enfrentam dificuldades.
- Armazenamento e Transporte (Midstream): Inclui oleodutos, terminais de armazenamento, liquefação de GNL e navios-tanque de exportação. São negócios baseados em taxas e impulsionados pelo volume, funcionando como uma 'pedágio' em vez de uma aposta em commodities. Muitos são parcerias limitadas (MLPs) e pagam altos dividendos.
O 'crack spread' é a diferença entre o preço dos produtos refinados (gasolina, diesel, querosene de aviação) e o custo do petróleo bruto necessário para produzi-los. Um 'crack spread' 3-2-1, por exemplo, assume que três barris de petróleo bruto rendem dois barris de gasolina e um de destilados.

O Desempenho Excepcional do Refino e o Alerta de Reversão
O segmento de refino e marketing foi o destaque, com um retorno de 108,7% no último ano, superando os outros quatro segmentos que ficaram entre 33% e 42%. Três refinarias — MPC, PSX e VLO — que representam 15,8% do peso do fundo, contribuíram com 17,2 pontos percentuais para o retorno total de 48,5% do XLE. Isso significa que mais de um terço do retorno anual do setor veio de apenas três ações.
Esse desempenho foi impulsionado por uma série de fatores, incluindo a renovação das hostilidades no Estreito de Ormuz e ataques de drones ucranianos à infraestrutura de refino russa, que reduziram a oferta global de produtos refinados. A produção de petróleo bruto russa, por exemplo, teria caído para os níveis mais baixos em duas décadas. Além disso, houve restrições de refino nos EUA, com sete grandes refinarias fechadas ou convertidas desde 2019, removendo cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo processados por dia.
Quando o 'crack spread' se alarga, as empresas proprietárias de refinarias colhem grandes recompensas. Gordon ilustra isso sobrepondo o ETF VanEck Oil Refiners (CRAK) ao 'crack spread' real, mostrando uma clara correlação. No entanto, ao analisar o desempenho do ano até o momento, o 'crack spread' pode estar sinalizando um alerta similar ao que ocorreu na primavera. O 'crack spread' 3-2-1 real atingiu seu pico em julho e um pico mais baixo em agosto, enquanto o ETF CRAK continuou a subir para um novo pico. Isso sugere que as ações estão subindo enquanto o fator que as impulsiona (o 'crack spread') está começando a reverter.

Recomendações e Perspectivas Futuras
Diante desse cenário, Todd Gordon aconselha cautela:
Não é o momento de adicionar às nossas posições já sobreponderadas em refino e marketing. Pode ser melhor esperar pela correção que o spread está sugerindo. Ou talvez olhemos para um canto diferente da energia, como exploração e produção, que está ligada ao próprio preço da commodity, especialmente sem um fim aparente para as tensões geopolíticas e com o petróleo potencialmente testando 100 dólares o barril.
Entre as empresas de exploração e produção, Gordon destaca a ConocoPhillips (COP) como uma que está em seu radar. Ao contrário de PSX, VLO e MPC, que estão muito estendidas após um ano de 108% de alta, a COP está rompendo a marca de 135 dólares e recentemente atingiu 136,19 dólares. As projeções de lucros para um, dois e três anos da COP estão em ascensão, seguindo o preço.

Gordon reconhece a ameaça persistente da inflação e a possibilidade de o Fed aumentar as taxas se o petróleo subir ainda mais. No entanto, ele argumenta que 'crack spreads' persistentemente amplos manteriam as expectativas de inflação elevadas por si só, através das margens de refino, mesmo que o preço do petróleo bruto caia. Se o 'crack spread' começar a diminuir, isso ajudará a reduzir as expectativas de inflação. Por outro lado, se os 'crack spreads' continuarem a subir, as empresas que compram combustível refinado, como companhias aéreas, transportadoras e varejistas, enfrentarão custos mais altos e pressão sobre suas margens.
O impacto já é visível: companhias aéreas enfrentam custos mais altos de combustível de aviação, e o setor de transporte rodoviário e de cargas lida com preços mais altos de diesel, que afetam suas margens, geralmente com um atraso antes que os custos adicionais de combustível sejam repassados. Empresas com foco no consumidor que dependem de logística de combustível, como varejistas, distribuidores de alimentos e serviços de entrega, enfrentarão a mesma pressão sobre as margens.

Conclusão e Serviço
Em suma, Gordon sugere que, se o 'crack spread' reverter, as indústrias que foram espremidas pelas altas margens de refino deverão receber um impulso. É cedo para determinar o movimento ideal, mas ele planeja adicionar COP à sua carteira, enquanto permanece vigilante para uma reversão nas ações de refino e marketing caso a divergência do 'crack spread' se concretize e comece a cair.
Todd Gordon, fundador da Inside Edge Capital, LLC, oferece gestão ativa de carteiras e planejamento financeiro para investidores de varejo, além de atualizações regulares do mercado. Mais informações podem ser encontradas em insideedgecapital.com/cnbc.
Divulgação: Gordon possui VLO, PSX, MPLX pessoalmente e para clientes de sua empresa de gestão de patrimônio Inside Edge Capital, LLC. Todas as opiniões expressas pelos colaboradores do CNBC Pro são exclusivamente suas e não refletem as opiniões da CNBC, ou de sua empresa-mãe ou afiliadas.
Leitura da LZ7 Energia
A análise de Todd Gordon sobre as margens de refino e o preço do petróleo bruto, embora focada no mercado de ações, tem implicações diretas para o setor de energia e, consequentemente, para o consumidor final, inclusive no Norte Pioneiro do Paraná. O aumento contínuo dos preços do petróleo, impulsionado por tensões geopolíticas e restrições de oferta, eleva os custos de produção e transporte de combustíveis. Isso se traduz em preços mais altos na bomba para gasolina e diesel, impactando diretamente o custo de vida e a economia local, que depende fortemente do transporte rodoviário para escoamento da produção agrícola e industrial. Para as empresas e residências da região, a busca por alternativas energéticas, como a energia solar, torna-se ainda mais relevante. A volatilidade dos combustíveis fósseis e a pressão inflacionária reforçam a atratividade da energia solar como uma fonte de energia previsível, limpa e com custos operacionais estáveis, oferecendo uma blindagem contra as flutuações do mercado global de petróleo e contribuindo para a sustentabilidade econômica e ambiental da região.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
