Os mercados de ações dos Estados Unidos registraram uma recuperação nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, após uma série de três sessões de perdas. A alta foi impulsionada por uma pausa na escalada dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que haviam atingido patamares não vistos em anos. O índice S&P 500 avançou 0,4%, enquanto o Nasdaq Composite ganhou 0,3%. O Dow Jones Industrial Average adicionou 233 pontos, ou 0,4%, com destaque para as ações da Nvidia e Johnson & Johnson.
A pressão recente sobre as bolsas vinha da alta dos rendimentos dos títulos, com investidores preocupados com o impacto do aumento dos preços do petróleo na inflação. O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos, referência no mercado, atingiu 4,818% nesta quarta-feira, o nível mais alto desde novembro de 2023. Rendimentos no Reino Unido, Alemanha e França também subiram, e no Japão, o rendimento do título do governo de 10 anos operou em máximas de várias décadas. A recuperação de hoje ocorreu à medida que essa alta nos rendimentos se acalmou, com o título de 10 anos sendo negociado próximo à estabilidade.
Preocupações com o Petróleo e Conflitos no Oriente Médio
O cenário geopolítico continua a ser um fator determinante para os mercados, especialmente com o aumento dos preços do petróleo. Os futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) estavam sendo negociados acima de US$ 91 por barril, enquanto os futuros do Brent, referência internacional, superavam US$ 95 por barril. Esse aumento ocorre em meio a novos ataques militares dos EUA contra o Irã, gerando preocupações sobre uma possível escalada do conflito na região.
Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital Advisors, comentou à CNBC que o petróleo é o principal motor do mercado atualmente. Ele observou que a capacidade do mercado de ter um pequeno rali hoje se deve ao fato de que os preços do petróleo parecem estar atingindo um pico. Embora duvide de um acordo de paz entre Irã e EUA, Hatfield prevê que a recente alta do petróleo pode ser de curta duração.
“O principal motor é o petróleo. É por isso que o mercado consegue ter um pequeno rali hoje, porque o petróleo está atingindo o pico.”
Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital Advisors
Hatfield espera que o S&P 500 atinja um piso em 7.500 pontos e projeta uma queda nos preços do petróleo nos próximos seis meses, à medida que a produção de países não membros da OPEP aumenta e novas rotas alternativas de petróleo são desenvolvidas.
O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, informou à CNBC que mais de 17 milhões de barris de petróleo transitaram pelo Estreito de Ormuz na segunda-feira, o maior volume desde o início da guerra no Irã em fevereiro. Este número supera os níveis pré-guerra, mesmo considerando os oleodutos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos que contornam Ormuz. Antes do conflito, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos passavam pelo estreito.

Movimentações Corporativas e Dados Econômicos
Diversas empresas apresentaram movimentações significativas nos mercados nesta quarta-feira:
- AST SpaceMobile: A designer de satélites registrou um salto de quase 10% após o início da cobertura da Berenberg, que concedeu à empresa uma classificação de 'compra' e um preço-alvo de US$ 92, sugerindo um potencial de alta de cerca de 65% em relação ao fechamento de terça-feira.
- PG&E Corp.: A concessionária da Califórnia caiu mais 7%, após uma queda de 20% na segunda-feira. A empresa iniciou uma revisão estratégica e financeira para estudar uma possível reorganização e adiou US$ 2 bilhões em gastos de capital para 2027.
- Snowflake: A empresa de nuvem de dados de inteligência artificial caiu 4% antes da divulgação de seu relatório de lucros. Analistas da FactSet projetam lucros de 45 centavos por ação e receita de US$ 1,48 bilhão no segundo trimestre.
- Dell Technologies: As ações da fabricante de computadores subiram quase 9% no pré-mercado após superar as expectativas e elevar sua previsão de receita anual, impulsionada pelas vendas de servidores de IA.
- Uber: As ações da Uber subiram mais de 1,5% após o anúncio de uma reestruturação que resultará na demissão de 10% da força de trabalho, cerca de 3.300 funcionários, e uma redução de 20% nas camadas de gerência.
- Nokia: A empresa finlandesa de telecomunicações está prestes a retornar ao índice Stoxx 50, enquanto a Volkswagen deve perder seu lugar. As ações da Nokia atingiram uma máxima de 18 anos em junho.
- Ito En: A gigante japonesa de chá verde viu suas ações subirem mais de 8% após resultados robustos no primeiro trimestre fiscal, com lucro operacional de 10,2 bilhões de ienes (US$ 63,7 milhões), alta de 22% ano a ano.
Em relação aos dados econômicos, a ADP reportou que empresas privadas dos EUA adicionaram 38.000 trabalhadores em agosto, um ritmo menor do que o esperado e o menor ganho desde janeiro, refletindo uma desaceleração no mercado de trabalho. A maior parte dos empregos veio dos setores de saúde e alguns outros, enquanto muitos outros registraram declínios.

Perspectivas Econômicas e Políticas Monetárias
John Williams, presidente do Federal Reserve Bank de Nova York, afirmou que o recente aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro é um reflexo de uma economia forte, e não de um mau funcionamento do mercado. Ele destacou que ainda está analisando os dados econômicos e não se comprometeu a indicar se um aumento da taxa de juros seria necessário.
“Acho que temos que esperar para ver. Não há sinais claros agora se a política monetária atual é suficiente para garantir que a inflação volte à meta nos próximos um ou dois anos, ou se é preciso ver mais ações para fazer isso.”
John Williams, presidente do Federal Reserve Bank de Nova York
O Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, expressou otimismo, afirmando que não há motivos para preocupação com a alta dos rendimentos. Ele acredita que o aumento da taxa de crescimento da economia dos EUA e a redução do déficit fiscal levarão a uma queda nas taxas de juros.
“Estou confortável com a situação atual. Acho que o que vocês verão é que as taxas se estabilizarão e começarão a cair nos próximos, digamos, seis meses.”
Howard Lutnick, Secretário de Comércio dos EUA
No cenário internacional, os mercados da Ásia-Pacífico e Europa fecharam em queda ou abriram em baixa, respectivamente, devido às tensões no Oriente Médio e aos rendimentos dos títulos em alta. O Nikkei 225 do Japão caiu 2,85%, e o Kospi da Coreia do Sul recuou 4%. Na Europa, o índice Stoxx 600 operou abaixo da linha de estabilidade, com a maioria das bolsas continentais em território negativo.

Destaque Brasileiro: Bolsas em Alta Antes das Eleições
Em um contraponto ao cenário global de cautela, as ações brasileiras registraram um dia de forte alta. O iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) subiu quase 4% nesta quarta-feira, marcando o melhor desempenho em cerca de cinco meses e o maior ganho intradiário desde 21 de março, quando saltou 4,41%. O ETF também estava sendo negociado mais de 6,8% acima em base semanal, a caminho de sua terceira semana consecutiva de ganhos.
A valorização das ações listadas no Brasil ocorre em um momento em que a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o político de direita, senador Flávio Bolsonaro, diminui, de acordo com uma pesquisa Quaest encomendada pela Globo. Os brasileiros estão programados para eleger seu próximo presidente em outubro.

Economia da Austrália e Consumo
A economia da Austrália superou as expectativas no segundo trimestre, crescendo 2,1% em relação ao ano anterior, superando a estimativa de 1,8% dos economistas. No entanto, as famílias australianas mantiveram um comportamento cauteloso, com os gastos permanecendo moderados e subindo apenas 0,4%. O Bureau Australiano de Estatísticas destacou que os domicílios reduziram o consumo de combustível devido aos preços elevados, resultantes do conflito no Oriente Médio, e cortaram viagens domésticas e internacionais.
Leitura da LZ7 Energia
O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela alta demanda, tem um impacto direto e significativo na economia global e, consequentemente, no custo da energia. Para o consumidor brasileiro, a valorização do barril de petróleo se traduz em combustíveis mais caros e, indiretamente, em um aumento nos custos de produção e transporte, que podem ser repassados para a conta de luz, especialmente em um país que ainda depende de termelétricas em momentos de escassez hídrica. Nesse contexto de volatilidade e incerteza energética, a energia solar se posiciona como uma alternativa estratégica. Ao gerar a própria eletricidade, residências e empresas podem se proteger das flutuações dos preços dos combustíveis fósseis e da inflação energética, garantindo maior previsibilidade nos custos e contribuindo para a sustentabilidade e a segurança energética regional. A busca por autonomia energética, como a proporcionada pela solar, torna-se ainda mais relevante em um cenário global de instabilidade.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
