A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita interceptou uma série de projéteis e drones disparados a partir do Iêmen contra centros urbanos e instalações estratégicas em território saudita. A ofensiva começou na noite de sábado e se estendeu até o meio-dia de domingo, mobilizando sistemas de defesa aérea em várias partes do reino. Destroços de dois mísseis balísticos caíram na província de Meca, atingindo áreas de Jeddah, Taif, Rabigh e Wadi Al-Mughammas, conforme informações divulgadas pela Defesa Civil saudita.
Defesa antiaérea neutraliza ataques em série
A investida aérea atribuída ao grupo rebelde houthi envolveu armamentos direcionados a pontos civis e militares de alta relevância no território saudita. Na capital, Riad, um drone e um míssil balístico foram interceptados logo no início da ofensiva. Horas depois, no domingo, forças de segurança abateram um míssil de cruzeiro que tinha como alvo o município de Khamis Mushait, enquanto sirenes de alerta soavam em Taif e Jazan.
Ao todo, dez mísseis balísticos direcionados à região sul do país foram interceptados pelas baterias de defesa da coalizão militar. As autoridades sauditas recolheram fragmentos dos projéteis disparados em direção às regiões de Meca e Medina para perícia técnica, a fim de determinar as características do armamento utilizado.
![Saudi authorities are examining fragments of two ballistic missiles fired by the Houthis towards the Mecca and Medina regions [SPA]](https://www.aljazeera.com/wp-content/uploads/2026/10/M11079823-copy-1792925888.jpg?resize=1280,720&quality=80)
Repercussão diplomática e ameaça a instalações petrolíferas
O alcance dos disparos próximos a Meca gerou forte reação entre lideranças da região. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG, bloco político e econômico que reúne países da península arábica), Jasem Mohamed AlBudaiwi, condenou duramente a ação bélica na área que abriga os locais mais reverenciados pelo islamismo.
Uma grave violação da santidade dos Lugares Sagrados e uma provocação aos sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo.
Os rebeldes houthis, alinhados à vertente xiita zaidita, negaram que suas armas tenham mirado os espaços religiosos do país vizinho. Por outro lado, o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, confirmou publicamente a condução de sete operações distintas tendo como alvo bases militares sauditas e instalações de processamento de petróleo.
Aeroporto de Riad e advertências aos passageiros
A escalada de ataques ocorre em meio a transtornos na infraestrutura de transportes saudita. No fim do sábado, a administração do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, havia comunicado a reabertura parcial dos serviços no domingo, destinando o Terminal 2 para voos internacionais e o Terminal 1 para conexões domésticas. As operações aéreas na capital haviam sido interrompidas temporariamente após ondas anteriores de ataques, incluindo um bombardeio em 10 de outubro que deixou 13 mortos e centenas de feridos.

Apesar da retomada, o comando militar houthi emitiu um aviso direto contra o funcionamento da estrutura aeroportuária da capital saudita no início da manhã de domingo.
O Aeroporto Internacional Rei Khalid em Riad não é seguro porque é um alvo militar, e renovamos nosso alerta às companhias aéreas, funcionários e viajantes.
Conflito no Iêmen e crise humanitária em Taiz
A recente troca de ataques reflete o agravamento da guerra no Iêmen, que teve início em setembro de 2014, quando combatentes houthis tomaram o controle da capital iemenita, Sanaa, obrigando a cúpula do governo a fugir para o sul. O conflito entrou em nova fase após forças pró-governo atacarem o Aeroporto Internacional de Sanaa com o objetivo de impedir o pouso de uma delegação que viajava de Teerã. Na sequência, os houthis realizaram um avanço rápido ao longo do litoral oeste, assumindo o controle do porto de Mocha.
Em resposta à perda de territórios, tropas leais ao governo iemenita reconhecido internacionalmente lançaram, no dia 5 de outubro, a chamada "Operação Amanhecer do Iêmen". Nas últimas 24 horas deste domingo, as forças armadas governistas informaram ter executado 736 ataques contra posições dos rebeldes, resultando em 307 combatentes neutralizados e na destruição de 68 veículos de guerra.
Enquanto os combates avançam na linha de frente, entidades de direitos humanos alertam para as consequências diretas sobre civis encurralados pelo conflito. A Organização Rasd para Direitos e Liberdades denunciou o agravamento das condições na cidade de Taiz, que permanece cercada pelas forças houthis desde 4 de outubro.
Cerca de 1.110 pacientes com insuficiência renal enfrentam riscos pela escassez de suprimentos para diálise, considerando a necessidade de cerca de 120 sessões diárias, além de 192 pacientes em unidades de terapia intensiva e 154 crianças em incubadoras, devido ao cerco houthi imposto à cidade de Taiz desde 4 de outubro.
Impactos na estabilidade do Oriente Médio
A troca contínua de disparos de longa distância demonstra a complexidade técnica e a intensidade militar da guerra no Iêmen, com implicações diretas sobre a navegação aérea, o comércio no Mar Vermelho e a segurança das cadeias de suprimentos de petróleo no Golfo Pérsico. O uso reiterado de drones e mísseis balísticos contra centros urbanos sauditas mantém a região em alerta máximo, ao mesmo tempo em que a situação humanitária dentro das fronteiras iemenitas atinge níveis críticos de emergência médica e desabastecimento.
Leitura da LZ7 Energia
A confirmação de operações armadas voltadas contra instalações de petróleo na Arábia Saudita, maior exportadora global da commodity, adiciona forte volatilidade às cotações internacionais do barril de petróleo cru. Para a economia brasileira, oscilações bruscas no mercado de energia afetam diretamente os custos internos de frete e combustível, além de influenciarem a precificação de insumos térmicos. Cenários de incerteza em grandes polos produtores reforçam a necessidade de diversificação da matriz produtiva nacional, reduzindo a exposição a choques tarifários internacionais por meio da geração própria de energia.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
