As forças de segurança da Jordânia estão mobilizadas em uma operação de busca para capturar três homens armados que promoveram um massacre na tarde de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, no interior da Igreja Ortodoxa Grega de São Jorge. O templo fica situado no vilarejo de Hamoud, na província de Karak, ao sul do país árabe. De acordo com o Ministério da Saúde da Jordânia, a ação criminosa resultou em oito pessoas mortas e dezenas de feridos, sendo classificada oficialmente pelo governo nacional como um atentado terrorista direcionado à minoria cristã do país.
A dinâmica da invasão durante cerimônia fúnebre
O ataque violento ocorreu no período da tarde, exatamente quando fiéis estavam reunidos para acompanhar uma cerimônia fúnebre no templo cristão. Testemunhas e sobreviventes relataram que o caos começou logo após o início do ofício religioso, com o barulho repentino de uma forte explosão nos arredores da igreja.
Segundo os relatos colhidos no local, dois atiradores mascarados chegaram em um veículo particular e rapidamente se juntaram a um terceiro comparsa, que empunhava um fuzil semiautomático. O trio invadiu as dependências da igreja e realizou disparos contínuos e indiscriminados por vários minutos contra a multidão presente.

Imagens registradas por câmeras de segurança, divulgadas pela emissora estatal de notícias Al-Mamlaka e que circulam em redes sociais, registraram a aproximação dos três suspeitos atirando na área externa enquanto corriam rumo à entrada do templo. Outros vídeos mostram o momento em que os atiradores abriram fogo diretamente contra homens que tentavam escapar pelo pátio do prédio religioso.
Relatos de pânico e sobrevivência entre fiéis
Os instantes de terror deixaram marcas profundas entre os sobreviventes que compareceram ao funeral. O advogado Nasser al-Burqan relatou à agência de notícias Reuters que ficou cara a cara com um dos atiradores armados antes de conseguir escapar da linha direta dos tiros.
“Quando tudo finalmente silenciou, olhei pela janela atrás de mim e vi dois agressores: um estava mascarado e o outro não; ele carregava uma pistola manual.”
— Nasser al-Burqan, advogado e sobrevivente da ação violenta
O profissional de direito destacou que o atirador chegou a apontar uma arma curta a cerca de dois metros de distância em sua direção. Mais tarde, Nasser recebeu o telefonema de seu próprio filho, que também participava da celebração fúnebre, comunicando que havia sido alvejado na perna e já recebia socorro hospitalar.
“Um massacre, um massacre em todos os sentidos da palavra.”
— Tarek Ammarin, morador que visitava parente internado após o crime
Autoridades regionais manifestaram repúdio imediato ao ataque. Bahjat al-Rushda, prefeito do vilarejo vizinho de Shihan, em Karak, condenou a ação armada, adjetivando o episódio como perverso e afirmando o desejo de que o país permaneça em paz e segurança diante da tragédia.

Balanço de vítimas e situação hospitalar
Os números oficiais divulgados pelos órgãos de saúde e pela agência oficial de notícias Petra detalham o impacto devastador do tiroteio sobre a comunidade local:
- Total de mortes confirmadas: 8 pessoas, das quais sete morreram instantaneamente nas dependências da igreja e uma mulher sucumbiu aos ferimentos horas depois de receber socorro;
- Pessoas com ferimentos: 40 vítimas atingidas pelos disparos e estilhaços;
- Pacientes ainda internados: 27 feridos mantidos sob cuidados médicos em unidades de saúde;
- Estado grave: 1 paciente internado no Hospital Militar Príncipe Ali, em Karak, que passou por cirurgia de emergência e se encontra sob condição crítica de saúde.

Investigação, autoria e posicionamento do governo
Até o momento, a identidade dos três criminosos não foi formalmente confirmada pelas autoridades judiciais e policiais, que tratam os responsáveis em seus comunicados preliminares como invasores desconhecidos. As forças de segurança destacaram comboios e tropas especializadas na tentativa de localizar os dois fugitivos que utilizaram um carro na fuga.
O ministro do Interior da Jordânia, Mazin Al-Farrayeh, afirmou publicamente que a responsabilidade do massacre recai sobre um grupo de extremistas sem qualquer relação com a humanidade, embora sem apontar uma organização armada ou facção específica por trás do plano.
O primeiro-ministro jordaniano, Jafar Hassan, também classificou o atentado como resultado direto de ideologia terrorista e fruto de um extremismo cego, ponderando que as motivações exatas só serão elucidadas com o avanço da apuração e a captura dos envolvidos. Em razão do luto e em memória das vítimas, o premiê decretou luto oficial de três dias em todo o território nacional, com o hasteamento de bandeiras a meio-mastro em edifícios governamentais e públicos.
O rei Abdullah II visitou os leitos do Hospital Militar Príncipe Ali, em Karak, para prestar apoio e averiguar a situação médica dos sobreviventes. O monarca jordaniano assegurou publicamente que os idealizadores e executores do crime enfrentarão as mais severas penalidades permitidas pela lei e ordenou uma revisão ampla e imediata de todos os procedimentos nacionais de segurança para combate e resposta a ações terroristas.
![Greek Orthodox priests walk at the site of a shooting at the church in the village of Hammoud in Jordan’s Karak governorate on October 23, 2026 [AFP]](https://www.aljazeera.com/wp-content/uploads/2026/10/afp_6adc74d44bbe-1792832724.jpg?w=1280&resize=770%2C513&quality=80)
A comunidade cristã em Karak e o cenário de segurança
A província de Karak fica situada a cerca de 120 quilômetros ao sul de Amã, capital da Jordânia. O território abriga uma parcela expressiva da minoria cristã nacional, estimada em cerca de 300 mil pessoas dentro da população geral de 11,5 milhões de jordanianos. A nação também abriga marcos históricos e bíblicos visitados anualmente por peregrinos e turistas internacionais.
Em entrevista à Al Jazeera, o correspondente sênior da publicação Christian Science Monitor no Oriente Médio, Taylor Luck, explicou que os cristãos jordanianos mantêm tradição de coexistência e solidariedade com os muçulmanos locais, convivendo lado a lado na província há gerações. Para o analista, caso a motivação do ataque tenha sido provocar fraturas sectárias na sociedade, a tendência observada historicamente é a união da comunidade local.
Ataques diretos a templos religiosos são considerados raros na Jordânia, mas a província de Karak já vivenciou episódios graves de violência extremista armada. No ano de 2016, uma célula ligada ao grupo Estado Islâmico (conhecido pelas siglas ISIL ou ISIS) coordenou uma série de atentados na região, incluindo o cerco armado a um castelo da era das Cruzadas. Naquela ocasião, 10 pessoas perderam a vida — entre elas sete policiais e uma turista canadense — e dezenas ficaram feridas, antes de as forças de segurança jordanianas abaterem os quatro atiradores após prolongado cerco tático.
Repercussão internacional e notas de repúdio
Governos e entidades religiosas internacionais condenaram a agressão sofrida pela congregação ortodoxa em Hamoud:
- Liderança religiosa islâmica: Ahmed al-Tayeb, o grande imã da instituição sunita Al-Azhar, sediada no Cairo, no Egito, prestou condolências às famílias enlutadas e classificou a ação como um hediondo ato terrorista que contraria frontalmente todos os preceitos éticos e morais das religiões abraâmicas;
- Diplomacia dos Estados Unidos: Por meio de comunicado na rede social X, a embaixada norte-americana na Jordânia manifestou profundos sentimentos aos familiares das vítimas e aos sobreviventes do ato violento em Karak;
- Comunidade internacional: Declarações oficiais expressando solidariedade ao povo jordaniano e repúdio ao terror foram formalizadas pelos governos de Azerbaijão, Iraque, Polônia, Palestina e Catar.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
