O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, realizou uma visita oficial à China neste sábado após cruzar a recém-inaugurada Nova Ponte do Rio Yalu, estrutura rodoviária que conecta o território norte-coreano à cidade fronteiriça chinesa de Dandong. A viagem marcou a inauguração prática da passagem e serviu de palco para a reafirmação de laços políticos entre os dois países vizinhos, conforme divulgado pela agência estatal chinesa Xinhua e pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul, órgão governamental de Seul encarregado de assuntos intercoreanos.

Encontro bilateral e visita a polo industrial em Dandong

Ao desembarcar em Dandong, Kim Jong-un foi recebido por Wang Huning, integrante do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista da China — um dos principais centros decisórios do país asiático. Durante a estada em solo chinês, os dois líderes visitaram uma fábrica de automóveis e participaram de discussões voltadas a estreitar as relações bilaterais e aprofundar parcerias práticas.

Segundo informações publicadas pela agência Xinhua, Kim enfatizou o interesse mútuo no fortalecimento histórico entre as duas nações durante a recepção oficial:

"[A Coreia do Norte] está pronta para trabalhar com a China para levar adiante sua amizade histórica e expandir a cooperação prática, entregando, assim, benefícios tangíveis aos povos de ambos os países."

Após as reuniões de trabalho e a conclusão do roteiro que incluiu as instalações automotivas, Wang Huning acompanhou pessoalmente o líder norte-coreano de volta à ponte para a cerimônia de despedida.

A silhouetted figure passes a TV screen showing Kim Jong Un speaking, below a Samsung sign
A silhouetted figure passes a TV screen showing Kim Jong Un speaking, below a Samsung sign

A estrutura e os atrasos da Nova Ponte do Rio Yalu

Com três quilômetros de extensão sobre as águas que dividem os dois países, a Nova Ponte do Rio Yalu teve sua abertura operacional concretizada em meados de outubro. A obra do lado chinês já havia sido finalizada há 12 anos, mas a operação permaneceu paralisada por mais de uma década devido a sucessivos atrasos e pendências em obras de infraestrutura no lado norte-coreano.

A inauguração acontece em um momento de consolidação de rotas de transporte terrestres entre Pyongyang e seus aliados mais próximos. No início de setembro, a Coreia do Norte e a Rússia inauguraram a primeira ponte rodoviária a cruzar a curta fronteira comum que compartilham. Com essas duas passagens ativas, o governo norte-coreano passou a dispor de conexões diretas por rodovia com seus dois principais esteios geopolíticos globais.

The New Yalu River Bridge’s cable-stayed towers span the river linking China and North Korea
The New Yalu River Bridge’s cable-stayed towers span the river linking China and North Korea

Simbolismo histórico e esquema de segurança na fronteira

A data da travessia de Kim Jong-un coincide com o período em que se comemora o aniversário da primeira grande vitória da China na Guerra da Coreia, registrado em 25 de outubro. O marco histórico remete a outubro de 1950, quando tropas militares chinesas cruzaram o Rio Yalu para prestar apoio às forças norte-coreanas durante o conflito da península.

Em decorrência da visita de Estado, esquemas especiais de controle foram acionados na região limítrofe. De acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo, as autoridades locais impuseram restrições ao tráfego no entorno da nova ponte e nas proximidades de um museu dedicado ao papel militar da China na Guerra da Coreia. Além disso, reservas em hotéis próximos ao complexo foram temporariamente suspensas, medidas atribuídas por fontes diplomáticas à presença da delegação de alto nível da Coreia do Norte.

Histórico de contatos bilaterais e diplomacia de cúpula

Esta foi a sexta viagem oficial de Kim Jong-un à China e o seu primeiro deslocamento ao país vizinho desde setembro de 2025. Naquela ocasião, Kim compareceu a um desfile militar realizado em Pequim, marcando presença ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, e do presidente russo, Vladimir Putin. Antes disso, em junho daquele ano, Xi Jinping havia visitado Pyongyang, em sua primeira ida à capital norte-coreana em sete anos.

O estreitamento público entre Pequim e Pyongyang antecede a realização da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), fórum que reúne líderes da bacia do Pacífico e que será sediado por Xi Jinping na cidade chinesa de Shenzhen, entre os dias 18 e 19 de novembro. O evento multilateral alimentou discussões no cenário diplomático a respeito de uma possível reunião entre Kim e Donald Trump. No entanto, segundo apuração da agência Reuters divulgada na sexta-feira, autoridades dos Estados Unidos e da Coreia do Sul avaliam como improvável qualquer encontro presencial entre Kim e o presidente norte-americano ainda este ano.

Tensões crescentes na Península Coreana

Enquanto a Coreia do Norte estreita laços com a China e a Rússia, o relacionamento com o governo da Coreia do Sul apresenta sinais contínuos de desgaste. Desde o fim de setembro, Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong-un e influente figura política de Pyongyang, divulgou cerca de dez declarações com fortes críticas a Seul — um volume classificado pelo Ministério da Unificação sul-coreano como incomum.

Além das manifestações diplomáticas, Kim Yo Jong anunciou planos para retomar transmissões de propaganda por meio de alto-falantes instalados ao longo da fronteira militarizada nos próximos dias, aumentando as tensões na linha de demarcação intercoreana.

Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.