A capital da Arábia Saudita, Riade, foi novamente alvo de ataques de mísseis e drones, marcando o terceiro dia consecutivo de investidas do grupo Houthi do Iêmen. O Aeroporto Internacional King Khalid, um dos principais pontos de entrada e saída do reino, foi o epicentro dos ataques, que já resultaram em fatalidades e um número significativo de feridos nos dias anteriores.

Na noite de segunda-feira, 12 de outubro de 2026, moradores de Riade relataram múltiplas e potentes explosões, momentos após receberem alertas em seus celulares sobre uma ameaça aérea iminente. O porta-voz militar Houthi, Yahya Saree, afirmou que o grupo mirou no aeroporto da capital saudita. No entanto, o porta-voz militar saudita, Turki al-Maliki, declarou que os sistemas de defesa aérea interceptaram com sucesso o míssil disparado do Iêmen, sem especificar o alvo atingido.

Escalada de Ataques e Consequências

Os recentes ataques representam um sério desafio de segurança para a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, que busca atrair investimentos e diversificar sua economia em meio a um conflito regional cada vez mais profundo. Além do aeroporto de Riade, o porta-voz Houthi, Yahya Saree, também reivindicou um ataque com drone à base aérea de Khamis Mushait, próxima à fronteira com o Iêmen. As autoridades sauditas, por sua vez, informaram que este ataque também foi repelido pelos sistemas de defesa.

A escalada dos ataques levou as autoridades sauditas a estenderem o fechamento do Aeroporto Internacional King Khalid até sábado, com companhias aéreas cancelando voos. O aeroporto está fechado desde um ataque ocorrido no sábado, que resultou na morte de 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos, tornando-se o incidente mais letal no reino em mais de uma década. No domingo, outro ataque causou a morte de uma pessoa e feriu cerca de uma dúzia.

Ataques Houthi atingem Riade pelo terceiro dia consecutivo
Foto: Al Jazeera — Internacional

Investigação sobre Falhas na Defesa

Diante da persistência e do sucesso parcial dos ataques, a Arábia Saudita iniciou uma investigação para determinar como seus sistemas de defesa aérea falharam em interceptar a barragem de mísseis e drones disparados pelos Houthis. Dois oficiais regionais, citados pela agência de notícias Associated Press (AP) sob condição de anonimato, revelaram que a investigação preliminar sugere que os Houthis primeiro lançaram múltiplos drones para abrir caminho para uma combinação de mísseis de cruzeiro e balísticos, que conseguiram atingir o Aeroporto Internacional King Khalid em Riade.

Os Houthis possuem mísseis balísticos e sistemas avançados equipados com ogivas capazes de mudar de direção durante o voo, o que representa um desafio para os interceptores Patriot e outros sistemas de defesa utilizados pelos sauditas. Um dos oficiais envolvidos na investigação indicou que o inquérito também busca entender por que os sistemas de defesa não forneceram um aviso prévio mais eficaz sobre o ataque, considerando que os mísseis e drones Houthis percorreram mais de 1.000 quilômetros para alcançar Riade.

Repercussões Internacionais e Econômicas

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os Houthis pela escalada dos ataques contra o reino, mas não indicou qualquer intervenção norte-americana no conflito. Em declaração a repórteres, Trump afirmou:

Bem, os Houthis estão se comportando muito mal. Não é bom.

A escalada com os Houthis levantou preocupações sobre o impacto econômico mais amplo. A Arábia Saudita já enfrenta uma projeção de contração de 3,6% em seu Produto Interno Bruto (PIB) real este ano, devido a uma série de fatores, incluindo a menor atividade petrolífera. Os ataques colocaram sob pressão eventos programados em Riade para este mês, como a principal conferência de investimentos do reino e o Congresso da WPC Energy (Conselho Mundial de Energia), do qual vários executivos de alto escalão do setor de petróleo foram retirados da programação.

Ataques Houthi atingem Riade pelo terceiro dia consecutivo
Foto: Al Jazeera — Internacional

A companhia aérea Delta Airlines, por exemplo, anunciou na segunda-feira que atrasaria o lançamento de seu serviço direto Atlanta-Riade, inicialmente previsto para março de 2027, em meio às tensões geopolíticas em curso.

O que isso significa para a região

A persistência dos ataques Houthis contra a Arábia Saudita, especialmente em sua capital e infraestrutura crítica como aeroportos, sinaliza uma deterioração contínua da segurança regional. Para o Norte Pioneiro do Paraná, embora distante geograficamente, a estabilidade do mercado global de energia é um fator relevante. A Arábia Saudita é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, e qualquer instabilidade prolongada na região do Golfo Pérsico pode impactar os preços internacionais do petróleo. Isso, por sua vez, afeta os custos de transporte e produção em diversas cadeias produtivas, incluindo a agricultura, um pilar da economia paranaense.

A situação também destaca a vulnerabilidade de grandes centros urbanos e infraestruturas a ataques modernos, mesmo com sistemas de defesa avançados. A busca por segurança energética e a diversificação de fontes, como a energia solar, ganham ainda mais relevância em um cenário global de incertezas, onde a dependência de combustíveis fósseis de regiões voláteis pode gerar riscos econômicos.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.