A costa do Pacífico do México foi castigada recentemente por dois eventos climáticos extremos: o furacão Simon e os remanescentes da tempestade tropical Rachel. A passagem desses fenômenos resultou em pelo menos duas mortes confirmadas e mais de dez pessoas desaparecidas, além de provocar chuvas torrenciais e inundações catastróficas em diversas comunidades litorâneas.

Impacto Fatal e Desaparecimentos

As autoridades mexicanas confirmaram a morte de um homem de 71 anos no estado de Guerrero, vítima do furacão Simon. O incidente ocorreu quando um muro de contenção desabou devido à intensidade das chuvas. A informação foi divulgada pela governadora de Guerrero, Evelyn Salgado, durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira. Segundo a agência de notícias IRZA, baseada em Guerrero, a vítima foi identificada por sua família como Albino Moreno Jimenez, e o acidente aconteceu enquanto ele alimentava seus animais na periferia oeste de Chilpancingo.

Mais tarde, no mesmo dia, uma segunda morte foi anunciada no estado da Baja California, na costa oeste do México. A governadora Marina del Pilar informou que uma jovem faleceu em decorrência dos efeitos do que foi o furacão Rachel, que havia atingido seu pico como uma tempestade de Categoria 3 no início de outubro. Além das mortes, a governadora também reportou que pelo menos dez pessoas permanecem desaparecidas na Baja California, sendo oito na cidade de Ensenada, na costa do Pacífico, e duas na cidade pesqueira de San Felipe, no Golfo da Califórnia.

Os números, no entanto, são preliminares. O jornal local La Jornada reportou um número maior de mortes na Baja California, indicando duas vítimas fatais, e 11 desaparecidos. Especialistas alertam que o número de mortos por ambas as tempestades pode aumentar à medida que as operações de busca e resgate avançam.

“Um homem de 71 anos morreu durante o furacão Simon depois que um muro de contenção desabou sob o peso da intensa precipitação.”

Evelyn Salgado, Governadora de Guerrero

A Trajetória das Tempestades

Rachel, após fazer sua entrada no estado mexicano como um ciclone pós-tropical, teve seus remanescentes se deslocando para o norte, através do sul da Califórnia, no sudoeste dos Estados Unidos.

O furacão Simon, por sua vez, tem se mantido ativo na costa do México desde o fim de semana. Na manhã de segunda-feira, ele enfraqueceu de uma potente tempestade de Categoria 4 para Categoria 2. Seus ventos máximos sustentados diminuíram ligeiramente para cerca de 155 km/h. O centro do furacão estava localizado a aproximadamente 115 km a oeste-sudoeste de Cabo Corrientes, um cabo no estado de Jalisco, movendo-se para oeste a 3 km/h. As previsões indicam que Simon poderia atingir a terra firme na quinta ou sexta-feira.

Alertas de furacão continuam em vigor para o oeste do México, uma região particularmente vulnerável a deslizamentos de terra e condições perigosas de surf como resultado da tempestade. As autoridades têm apelado aos moradores para que exerçam cautela em meio à devastação causada por árvores derrubadas, ventos fortes e inundações.

Furacões Simon e Rachel deixam mortos e desaparecidos no México
Foto: Al Jazeera — Internacional

Outras Vítimas e Condições Perigosas

O jornal espanhol El País noticiou a morte de um mergulhador de penhascos, Juan Patines, em Mazatlán, no estado de Sinaloa, noroeste do México. Ele teria falecido após pular no mar na noite de sábado. De acordo com a mídia mexicana, as fortes ondas dificultaram seus esforços para retornar à costa em meio às perigosas condições costeiras associadas ao furacão Simon. As autoridades locais, posteriormente, suspenderam a prática de mergulho em penhascos no local devido às condições marítimas adversas. Contudo, ainda não há confirmação oficial se sua morte está diretamente ligada ao furacão Simon.

Temporada de Tempestades Recorde no Pacífico

A passagem de Rachel e Simon pela costa ocidental do México se insere em um período extraordinário de atividade de furacões no Pacífico. O Oceano Pacífico nordeste e central tem experimentado uma temporada de tempestades recorde neste ano, impulsionada em parte pelo fenômeno climático El Niño, que resulta no aquecimento das águas em partes da região.

Até o momento, 21 tempestades nomeadas foram registradas no Pacífico. No domingo, Simon elevou a região a um recorde histórico de Energia Ciclônica Acumulada (ACE), uma métrica que mede a força combinada e a longevidade das tempestades tropicais. Este ano já superou o recorde anterior, estabelecido em 2018.

Furacões Simon e Rachel deixam mortos e desaparecidos no México
Foto: Al Jazeera — Internacional

Impacto no Havaí

A cadeia de ilhas norte-americana do Havaí tem sido uma das áreas mais afetadas por essa temporada intensa. Em agosto, o furacão Lala, uma tempestade de Categoria 1, causou inundações devastadoras na Big Island do Havaí, resultando na morte de uma mulher de 93 anos e na destruição de cerca de 100 casas, conforme informações de autoridades estaduais.

Poucas semanas depois, o furacão Lowell, que atingiu o pico como Categoria 4, golpeou as ilhas havaianas de Kauai e Niihau. Ventos poderosos, marés de tempestade e inundações sobrecarregaram cidades e estradas. Aproximadamente 90% dos consumidores de energia de Kauai ficaram sem eletricidade devido às interrupções. Pelo menos duas mortes foram relacionadas a Lowell.

No final de setembro, o furacão Nolo trouxe outra rodada de inundações e deslizamentos de terra para as ilhas havaianas, embora não tenha chegado a tocar o solo.

O que isso significa para a região

A intensidade e a frequência dos furacões Simon e Rachel, somadas à temporada recorde de atividades ciclônicas no Pacífico, sublinham a crescente vulnerabilidade das comunidades costeiras a eventos climáticos extremos. A devastação causada por inundações, deslizamentos e ventos fortes não apenas resulta em perdas humanas e materiais imediatas, mas também impõe um desafio significativo à infraestrutura local, incluindo redes de energia, saneamento e transporte. A necessidade de sistemas de alerta eficazes e de infraestruturas mais resilientes torna-se cada vez mais premente para proteger vidas e minimizar os impactos econômicos e sociais a longo prazo. A situação no México e no Havaí serve como um lembrete da importância de estratégias de adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas.

Leitura da LZ7 Energia

A recorrência e a intensificação de fenômenos climáticos extremos, como os furacões Simon e Rachel, no México, e as tempestades no Havaí, destacam a urgência de repensar a infraestrutura energética. Interrupções no fornecimento de eletricidade, como as que afetaram 90% dos clientes em Kauai após o furacão Lowell, demonstram a fragilidade das redes tradicionais diante de eventos severos. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, observa que a energia solar fotovoltaica, especialmente em sistemas distribuídos, pode oferecer maior resiliência. Em caso de falhas na rede principal, sistemas com armazenamento de energia (baterias) podem continuar operando, fornecendo eletricidade essencial para residências e negócios. Além disso, a transição para fontes de energia renovável, como a solar, contribui para a mitigação das mudanças climáticas, que são apontadas como um dos fatores por trás da intensificação desses eventos, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade e segurança energética.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.