Ao menos sete palestinos morreram em uma série de investidas militares conduzidas por Israel em diferentes regiões da Faixa de Gaza no domingo, 25 de outubro de 2026. Os ataques aéreos e disparos de artilharia atingiram desde estruturas civis e educacionais na Cidade de Gaza até acampamentos e vias urbanas no centro e no sul do enclave, deixando também dezenas de feridos em estado grave.

Ataques aéreos atingem universidade e deixam mortos na Cidade de Gaza

Na Cidade de Gaza, o principal alvo das investidas do dia foi o campus da Universidade Islâmica, bombardeado em duas ocasiões distintas em um intervalo de poucas horas. No segundo bombardeio aéreo registrado contra o complexo, três agentes de segurança da instituição foram mortos no local. A ofensiva atingiu diretamente as instalações onde os trabalhadores atuavam na proteção do patrimônio universitário remanescente.

Horas antes do bombardeio letal que vitimou os três guardas, o mesmo complexo educacional já havia sido atingido por uma ofensiva conduzida por drone. Durante essa primeira incursão, estilhaços feriram sete estudantes mulheres que estavam nas dependências da universidade. Uma das jovens sofreu ferimentos de extrema gravidade e precisou ser encaminhada com urgência para um hospital de campanha montado nas proximidades para receber atendimento emergencial.

Bombardeios em Gaza deixam sete mortos e atingem campus universitário
Foto: Al Jazeera — Internacional

Relato do local após bombardeio contra guardas e estudantes

A equipe da emissora Al Jazeera estava presente nas imediações do campus universitário no momento da segunda ofensiva e registrou o cenário de devastação imediatamente após a explosão. O correspondente Hani Mahmoud relatou a violência do impacto e as condições encontradas nos escombros logo após o ataque aos seguranças:

“As consequências foram massivas. As manchas de sangue, os pedaços de carne dos corpos dilacerados estavam pelo chão; o cheiro de concreto acre e queimado misturado com a carne e o sangue. Tínhamos acabado de filmar no local e cumprimentado os três seguranças antes de o bombardeio matá-los. Conseguíamos ouvir o som sibilante de estilhaços voando por toda parte, a ponto de acharmos que seríamos atingidos.”

O repórter ressaltou que a sequência rápida de ataques impediu qualquer tentativa coordenada de socorro ou proteção preventiva dentro da instituição, que reunia jovens em busca de dar continuidade aos seus estudos.

Bombardeios em Gaza deixam sete mortos e atingem campus universitário
Foto: Al Jazeera — Internacional

Vítimas em Khan Younis, Deir el-Balah e no norte da Faixa de Gaza

Além da capital, operações militares simultâneas resultaram em fatalidades em diversas outras partes do território palestino ao longo do dia. No sul da Faixa de Gaza, o Complexo Médico Nasser confirmou o óbito de duas pessoas em decorrência de disparos de artilharia realizados pelas forças israelenses na região de al-Mawasi, localizada no município de Khan Younis. A ação deixou múltiplos feridos, entre eles uma criança atingida pelos estilhaços.

Na área central do enclave, um ataque executado por drone a leste da cidade de Deir el-Balah matou uma pessoa que transitava pela região. Já no extremo norte do território, a agência de notícias palestina Wafa reportou mais uma morte provocada por disparos contra a rua al-Rashid, nas proximidades do Hospital Hamad. Esse ataque na via litorânea também causou ferimentos em diversas pessoas que circulavam nas imediações do centro de saúde.

  • Universidade Islâmica (Cidade de Gaza): 3 seguranças mortos em ataque aéreo e 7 alunas feridas em ataque prévio com drone.
  • Al-Mawasi (Khan Younis, sul de Gaza): 2 palestinos mortos por artilharia e vários feridos, incluindo uma criança.
  • Leste de Deir el-Balah (centro de Gaza): 1 pessoa morta em ataque direcionado por drone.
  • Rua al-Rashid / Hospital Hamad (norte de Gaza): 1 pessoa morta e diversos feridos em bombardeio viário.
Bombardeios em Gaza deixam sete mortos e atingem campus universitário
Foto: Al Jazeera — Internacional

Destruição da infraestrutura universitária e apelos internacionais

As agressões contra as instalações acadêmicas geraram forte repercussão política entre organizações locais. Os Comitês de Resistência Popular na Palestina condenaram veementemente os bombardeios contra a Universidade Islâmica e publicaram um apelo formal para que mediadores e garantidores internacionais intervenham com urgência, visando frear o que classificaram como violações contínuas cometidas por Israel.

A perda de estruturas educacionais em Gaza reflete um quadro sistemático documentado por agências multilaterais. Levantamentos conduzidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) indicam que cerca de 95% dos campi de ensino superior do território foram completamente destruídos ou sofreram danos estruturais severos desde o início do conflito armado em outubro de 2023.

Segundo relatos de testemunhas e jornalistas locais, a grande maioria dos prédios da própria Universidade Islâmica já se encontrava em ruínas antes mesmo dos ataques registrados no domingo. Apenas algumas poucas estruturas permaneciam parcialmente de pé no campus, tornando a rotina de aulas e serviços administrativos extremamente vulnerável e perigosa para quem tenta manter as atividades acadêmicas.

“O incidente é um lembrete de que a sensação de segurança está dolorosamente fora de alcance, mesmo dentro do local onde os estudantes deveriam estar aprendendo sem o medo desses ataques.”

Balanço geral de vítimas e avanço das restrições territoriais

Os números atualizados divulgados pelo Ministério da Saúde palestino em Gaza revelam a magnitude contínua do impacto humano sobre a população civil. De acordo com o órgão governamental, ao menos 1.551 pessoas foram mortas e outras 5.573 ficaram feridas desde o anúncio do chamado cessar-fogo implementado em outubro de 2025.

Ao analisar a série histórica desde a eclosão da guerra em outubro de 2023, os registros oficiais contabilizam um total acumulado de 74.544 palestinos mortos e pelo menos 175.692 feridos em decorrência das operações israelenses por terra, mar e ar.

Em paralelo às perdas humanas, o exército de Israel ampliou seu controle territorial dentro dos limites do enclave. Atualmente, quase dois terços de toda a extensão territorial da Faixa de Gaza estão sob controle militar direto de Israel ou submetidos a severas restrições de circulação e ordens de evacuação. Esse confinamento forçado agravou de maneira crítica a crise alimentar enfrentada pelos moradores locais, resultado direto do fechamento reiterado dos pontos de travessia e da diminuição drástica no repasse de fundos e ajuda humanitária internacional.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.